Associação cívica pede “debate público” sistemático sobre corrupção em Angola

A Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) defendeu hoje em Luanda que a luta contra a corrupção e a falta de transparência em Angola “só terá frutos se for feito de forma sistemática, profunda, conjunta e através do debate público”.

Estes princípios foram defendidos por Lúcia da Silveira, gestora do programa de Direitos Humanos da AJPD, durante o discurso de abertura da II Conferência sobre “Transparência, Corrupção, Boa Governação em Angola”.

Segundo Lúcia da Silveira, ao longo dos 12 anos de existência, a AJPD tem procurado contribuir para a promoção da justiça, respeito pelos direitos humanos e boa governação, “com espírito de verdade, solidariedade e amor à pátria”.

A ativista cívica referiu ainda que a associação tem consciência que os resultados na luta contra a corrupção “não serão alcançáveis num toque de mágica”, mas “é preciso começar a trabalhar agora de forma séria e desapaixonada”.

“E o debate público é um dos instrumentos que a democracia nos oferece para atingir este fim”, frisou.

A conferência, que termina quinta-feira, está a ser desenvolvida com base na apresentação de vários temas, o primeiro deles denominado “Corrupção, herança do passado (colonial) ou estratégia de sobrevivência”.

Este tema foi apresentado por João Lukombo, elemento que integrou na década de 1990 uma equipa criada pelo Presidente José Eduardo dos Santos para efetuar um inquérito sobre a corrupção.

João Lukombo recordou que uma das recomendações desse inquérito era a criação de uma alta autoridade contra a corrupção, que nunca chegou a ser criada.

“Essa resolução foi tomada no estudo que nós realizámos, do qual fiz parte, mas é curioso constatar que uma posição (alta autoridade) tão alta, que em princípio daria a quem a ocupasse alguma consideração, as pessoas não a querem ocupar “, ironizou João Lukombo em declarações à imprensa.

Por sua vez, o docente universitário Raul Tati, apresentando o tema “O impacto da corrupção na estruturação da sociedade angolana e os desafios da reconciliação e reconstrução nacional”, disse que em Angola “há uma grande cortina de ferro entre as palavras e as ações”.

“Isto significa que estamos diante de uma distorção da verdade: todos, inclusive o mais alto mandatário da Nação angolana, admitem a existência da corrupção, mas não há corruptos”, realçou.

O embaixador norte-americano em Angola, Cristopher MacMullen, que assistiu à conferência, saudou a iniciativa da AJPD, salientando que a embaixada tem trabalhado com organizações da sociedade civil para promover a transparência e a boa governação, bem como seminários e conferências para jornalistas.

O programa previa para a sessão de abertura um discurso da Provedora de Justiça Adjunta, Maria da Conceição Sango, mas esta não esteve presente no evento.

FONTE: Lusa

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