“Ambiente político levanta receios de violência pós-eleitoral” em Angola, considera activista

O clima político que antecede as eleições de 31 de agosto em Angola está a criar receios na sociedade angolana de um eventual “descambar em violência pós-eleitoral”, disse hoje em Luanda o ativista e docente universitário Raul Tati.

A preocupação foi manifestada por Raul Tati durante uma mesa redonda sobre o Estado do Processo Eleitoral em Angola, numa iniciativa da Fundação Open Society.

Raul Tati, que apresentou o tema de abertura da conferência: “O Ambiente Político (garantias e liberdades políticas) em Ano Eleitoral”, disse que se tem constatado nos últimos tempos um nível proporcional entre as contestações ao regime e de intolerância política.

“Este ambiente está a criar preocupações e inquietações na opinião pública nacional e internacional. Existem receios fundados de um ambiente de violência pós-eleitoral, pois se a preparação está a decorrer num ambiente tenso é bem provável que o desfecho venha a descambar nas típicas violências estúpidas que já temos estado a assistir em vários países africanos”, disse aquele antigo padre católico em Cabinda.

Raul Tati frisou ainda que se nota nos cidadãos “uma vontade geral” em participar no pleito eleitoral “com consciência patriótica e cívica bastante acentuada”, salientando que estão em curso esforços no sentido da educação cívica eleitoral dos cidadãos.

“Entretanto, a minha preocupação não está nestes, mas nos atores políticos que vão disputar o poder. Estes é que deveriam merecer ações de educação cívica eleitoral”, afirmou Raul Tati.

“São esses os verdadeiros mentores das convulsões políticas que degeneram normalmente na violência gratuita, quando não se respeita o veredicto do povo, defraudando as suas expectativas”, justificou.

Para o ativista cívico, a sociedade civil tem um papel importante que “não pode ser descurado”, porque ao nível da sua participação “tem o direito de estar engajada e comprometida diretamente neste processo”.

Em declarações à Agência Lusa, Raul Tati emitiu a sua opinião sobre qual deveria ser o papel das igrejas nesse processo, que considera “preponderante na educação cívica eleitoral”.

Para Raul Tati, referindo-se concretamente à Igreja Católica, disse que esta “não pode confinar-se à sacristia, com o pretexto de que é apolítica, porque essas prudências, essas cautelas acabam por ser prejudiciais”.

“Pessoalmente acho que a Igreja Católica em Angola ainda tem problemas muito sérios em realizar este papel e isto vai de diocese para diocese, não posso generalizar”, sublinhou, acrescentando que pelas informações que possui “a igreja não está a fazer o suficiente, porque há coisas que devem ser denunciadas.

“Por exemplo estamos aqui a analisar uma série de questões que estão a preocupar a sociedade angolana na preparação das eleições. A igreja devia ter voz para dizer isso”, defendeu.

No encontro, que termina quarta-feira, estava prevista pela organização a presença de representantes da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) e do Ministério da Administração do Território, para abordar o ponto de situação sobre a administração e gestão do processo eleitoral, mas ninguém compareceu.

FONTE: Lusa

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