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A UNITA parece estar convencida que o voto étnico no Bié não funciona

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Nos dois pleitos realizados (1992 e 2008), a UNITA contentou-se com apenas um dos cinco lugares que correspondem a este círculo na Assembleia Nacional.

O secretário provincial da UNITA no Bié, Nogueira Leite, disse, entretanto, que desta vez o seu partido terá de eleger também os outros quatro deputados, com o argumento de que os dois eleitos anteriores não traduziram a realidade da base social do “Galo Negro”.

Nogueira Leite alegou, em declarações a “O PAÍS”, que em 2008 “houve eleitores a mais do que o registado e que muitos delegados de listas não tinham sido permitidos a estar presentes nas assembleias da voto”.

Falando sobre o clima que antecede o dia 31 de Agosto, Nogueira Leite disse estar em curso uma campanha de instigação movida pelo MPLA, dirigida a militantes e à população da província a não votarem na UNITA.

“Estão a dizer ao povo que se a UNITA ganha vai matar os sobas”, disse o dirigente do “Galo Negro”, que garante, entretanto, que “o povo já perdeu o medo de intimidação, devendo votar massivamente no seu partido”.

À pergunta sobre as razões por que o seu partido nunca elegeu mais do que um deputado no círculo eleitoral do Bié, Nogueira Leite argumentou: “O voto étnico não funciona, porque o sofrimento, a fome e a miséria não têm cor. Mas a situação actual é diferente da de 2008”. Acrescentou que “embora se assista ainda a uma transformação dos sobas em activistas do MPLA e a comunicação social do Estado a ajudar a intoxicar as mentes dos cidadãos, a situação mudou”.

Para o político da UNITA, a convivência entre os militantes dos dois partidos está longe de ser a melhor e relata o registo de incidentes recentes no Chitembo, por causa da colocação de bandeiras da UNITA, envolvendo militantes do MPLA e da UNITA, sem que os responsáveis do acto fossem responsabilizados.

E disse mais: “na zona do Mutumbo, toda a direcção da UNITA foi presa pela polícia por abrir comitês em alguns bairros e o administrador do Kuemba orientou, pessoalmente, a sabotagem do comício do presidente Samakuva”.

O responsável partidário insistiu em como a campanha do seu partido estará baseada na denúncia deste tipo de comportamento e ainda nas promessas feitas pelo MPLA em 2008 que não foram satisfeitas.

“Há hospitais mas não há medicamentos para os doentes, as crianças da 6ª classe não sabem escrever, não há vias secundárias para a circulação entre várias localidades”, referiu.

Nas suas alegações, Nogueira Leite disse que nesta região o MPLA mantém nas instituições públicas estruturas partidárias que obrigam os trabalhadores a ir aos comícios organizados pelos seus dirigentes.

Por altura desta entrevista, o líder da UNITA, Isaías Samakuva, tinha acabado de realizar uma digressão por alguns municípios locais com o fito de mobilizar o eleitorado para o voto. Nestas localidades, Isaías Samakuva foi citado pela imprensa afecta à UNTA como tendo exprimido a convicção de que na província do Bié o seu partido atravessa uma situação confortável, no que diz respeito à sua implantação e adesão dos cidadãos ao projecto defendido pelo Galo Negro.

O líder da UNITA que esteve, sucessivamente, nos municípios do Chinguar, Catabola, Camacupa, Cuemba, Nharea, Andulo, Kunhinga e Kuito, repetiu a mensagem e a convicção de que o seu partido está em condições de arrebatar os cinco lugares de deputados do ciclo provincial do Bié.

“Chegou a oportunidade de tirar o MPLA do poder através do voto”, afirmou Isaías Samakuva, durante um comício realizado no município do Chinguar.

PRS NÃO SE SENTE INTIMIDADO
Entretanto, o secretário para a informação do PRS, no Bié, Eduardo Kawindima, contrapôs as denúncias de intolerância apontadas pela UNITA, manifestando despreocupação quanto a isso.

“Não há intimidação contra nós porque aqui conversamos de irmão para irmão”, disse o político que aponta a verdade como a mola que vai convencer o eleitorado local a votar no PRS.

O político nega que o apoio social do seu partido esteja concentrado particularmente no leste do país: “muitos militantes, noutras regiões do país, não se identificam abertamente mas são do PRS”, disse.

Eduardo Kawindima manifestase confiante “em bons resultados eleitorais” no Bié, assegurando que o voto para a vitória do PRS não virá só dos militantes mas de todos os cidadãos que se revêem na política assente no regime federal para Angola.

FONTE: O País

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