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    Novas tecnologias no Bairro dos CTT

    O Bairro dos CTT viu nascer as estruturas que suportam a componente tecnológica do país. São três centros que no futuro se transformam num pólo tecnológico e de conhecimento.
    Neste espaço está o “coração electrónico” de Angola, ou Centro de Dados, local onde são reunidos os equipamentos de processamento e armazenamento de dados de uma empresa, organização ou de um país.
    A escassos metros, está o centro informático da empresa interbancária de serviços EMIS. Do outro lado da rua, fica o Centro de Formação Tecnológica. Estes equipamentos de ponta foram inaugurados pelo ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha.
    O Centro de Dados tem três pisos. Destaca-se no bairro, pela sua estrutura arquitectónica arrojada. Projectado para ser extraordinariamente seguro, tem dezenas de servidores e bancos de armazenamento de dados, protegidos por armários metálicos ou “racks”, o que permite processar grande quantidade de informação.
    Um painel controla ao pormenor o funcionamento do edifício, desde a temperatura, a quantidade de combustível no grupo gerador e um potente sistema de extinção de incêndios.
    “Tudo isto revela os passos que o país está a dar em direcção às tecnologias”, disse Alzira Manuel, técnica de redes a trabalhar no Centro de Dados: “tecnologicamente, o país está a caminhar bem. Não tínhamos uma base de dados ao qual os ministérios acedem e armazenam informações com mais segurança”.
    As tecnologias, referiu, sofrem mutações constantes e rápidas: “o que temos hoje como inovador, amanhã pode não ser, daí que o país tem de acompanhar a evolução. É o que está a acontecer e acho que é nesta direcção em que caminhamos”.

    Ela e mais colegas, também técnicos de rede, verificam as páginas e caso haja queda de sinal estão sempre prontos para resolver a situação. Coreia do Sul e Espanha foram os países em que receberam formação, o que os torna aptos a resolver problemas, dos básicos aos mais complexos.

    Amor às tecnologias

    Jovens entusiastas das tecnologias, devidamente treinados em escolas da Coreia do Sul, vão trabalhar a tempo integral no “Coração Electrónico do país”, o Centro de Dados. São jovens com idades que vão dos 22 aos 30 anos e expressam um amor declarado às tecnologias.
    Falam de redes, servidores, análise de sistemas, programação, softwares e Internet, com grande familiaridade. Estão satisfeitos por pertencerem a um grupo que trabalha num projecto que o ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação considera inovador e pioneiro. “Fomos chamados a trabalhar neste Centro de Dados, o primeiro do país. Não há nada melhor que isto. Somos todos jovens a trabalhar neste projecto pioneiro, um desafio permanente”, referiu Gomes Saraiva, 29 anos. Gomes Saraiva, responsável pela sala de servidores, explicou que o espaço representa o núcleo do Centro de Dados.
    “Todos os aplicativos e dados governamentais vão ser hospedados aqui. Isso faz com que os ministérios possam baixar os custos em termos de infra-estruturas próprias e possam armazenar dados nesta plataforma comum. Aqui está o centro nacional de dados de Angola”, sublinhou o técnico.

    Ligações do país

    Diante de um enorme monitor, numa sala completamente controlada, cujas portas têm sistemas biométricos, estão alguns jovens, responsáveis pelo controlo, inserção, armazenamento de dados e apresentação de informações multimédia em tempo real numa grande tela instalada na Praça da Independência. Casimiro Bento, técnico de redes, é um destes jovens. Ele explica o que é um Centro de Dados.
    O jovem conseguiu ganhar experiência neste domínio reflexo da sua passagem por centros de dados de Espanha e Lisboa.
    “O nosso centro de dados vai dar consideráveis vantagens às instituições, abrir caminhos para a conexão do país, através da efectivação dos portais do Executivo e a instalação de uma verdadeira governação electrónica”, referiu.
    No centro de Dados reside o coração das tecnologias de informação do país. Mas, mais do que isso: “para mim é um viveiro onde faço o meu crescimento profissional. Temos um desafio, que é acompanhar os passos da tecnologia actualmente. E trabalhar nisso, é entrar num universo cujas mutações são imparáveis. A dinâmica nas tecnologias de informação e comunicação é vertiginosa e precisamos acompanhar todo este processo”. Nícia de Carvalho, 22 anos, técnica da base de dados, está radiante por trabalhar na profissão: “para mim é um sonho realizado”.
    Está feliz por trabalhar num projecto que além de ser o primeiro no país, oferece uma enorme margem de progressão para quem ali trabalha. “Podemos trabalhar na conexão física e até lógica dos sistemas. Em tudo isso, o trabalho é feito em equipa, fazendo análises, planeamento, desenhos e a efectivação de determinadas ideias”, afirmou Nícia de Carvalho.
    Responsável pela gestão de uma ferramenta que permite a interligação de todos os funcionários do Centro de Dados, com troca de mensagens, e-mails e gestão de conteúdos, Nícia de Carvalho, à semelhança dos seus colegas, teve formação na Coreia do Sul, o que tornou possível a sua integração no grupo de jovens técnicos do Centro de Dados.
    “Apostaram em nós. Temos um desafio pela frente. Sinto-me preparada, pois além da vontade de trabalhar, tenho conhecimentos. É sempre bom trabalhar em projectos novos. Somos os pioneiros num projecto pioneiro. Vamos crescer”, disse.

    Coração electrónico

    O Centro de Dados é uma espécie de coração electrónico de Angola, pois para ele convergem no futuro todas as informações das instituições públicas e privadas. “Toda a parte electrónica do país vai ser gerida por nós. Aqui vamos monitorar desde a Internet a alguns links e estabelecer a interligação às escolas, institutos e universidades”, explicou, Osvaldo Adão.
    Osvaldo Adão Monteiro, 30 anos, é analista de sistemas, uma função que consiste em controlar os pontos de ligação. É sua a função velar pela interligação dos diversos pólos do sistema, além de ser também responsável pela ligação do sistema a nível nacional: “estou feliz por estar integrado num projecto de raiz e ser uma oportunidade soberana”, referiu.

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