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Poder criado na Guiné pelo golpe procura reconhecimento

Executivo de transição tem vários membros próximos de Kumba Ialá. Prioridade é explicar “o que se passou” à comunidade internacional.

A nomeação, esta semana, de um Governo em Bissau é mais um passo na tentativa de normalização seguida pelos autores do golpe de Estado de Abril. A prioridade do designado executivo de transição — em que predominam figuras próximas do ex-Presidente Kumba Ialá — é “explicar à comunidade internacional o que se passou e convencê-la para que haja ajudas”, anunciou Faustino Imbali, indicado para a pasta dos Negócios Estrangeiros.

Depois de — por acordo entre os golpistas e a CEDEAO (Comunidade Económica de Estados da África Ocidental) — ter sido nomeado um Presidente, Serifo Nhamadjo, e um primeiro-ministro, Rui Barros, foi esta semana anunciada a equipa ministerial para uma fase de transição de um ano.

Faustino Imbali chefiou um governo de Kumba Ialá, Presidente de 2000 a 2003 e líder da principal força da oposição, o PRS (Partido da Renovação Social). Na pasta do Interior surge outro membro do partido, Suka Ntchama. “É quase tudo gente de Kumba. Ele é a cabeça pensante”, comentou ao PÚBLICO Xavier Figueiredo, director do boletim África Monitor, segundo o qual o ex-chefe de Estado vetou o nome proposto pela Nigéria para a chefia do executivo: Paulo Gomes, antigo quadro do Banco Mundial, próximo de Nhamadjo.

Para a Presidência do Conselho de Ministros foi escolhido Fernando Vaz, rosto dos partidos que apoiam o golpe. O executivo de transição integra dois militares, Celestino Carvalho, membro do comando golpista, na Defesa; e Musa Diata, na secretaria de Estado dos ex-combatentes.

A necessidade de reconhecimento e auxílio internacional foi assumida pelo designado poder de transição. “Acho que um dos objectivos, para não dizer o principal objectivo deste Governo, é explicar à comunidade internacional o que se passou e convencê-la para que haja ajudas”, disse Faustino Imbali, citado pela Lusa. “A comunidade internacional não dispõe de todas as informações”, acrescentou.

A falta de ajuda externa é um problema sério para um país muito dependente, quase parado desde o golpe de 12 de Abril, que afastou o Presidente interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Gomes Júnior — líder do principal partido, o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde). O corte para metade dos subsídios dos titulares de cargos públicos foi uma das primeiras medidas anunciadas por Nhamadjo, um dissidente do PAIGC.

“Vão ter muita dificuldade em ser reconhecidos”, considera Xavier Figueiredo, que vê na designação de um governo uma “etapa muito transitória”, destinada a permitir ao poder golpista fazer mais à frente “concessões mas não integralmente”. “O isolamento vai-se acentuar, porque sem ajudas é difícil resolver os problemas da governação”, prognostica. Um cenário, admite, seria a obtenção de ajudas directas do narcotráfico, mas isso criaria “problemas graves de reputação” aos actuais detentores do poder em Bissau.

Para o director do África Monitor, a resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada na semana passada inclui um dado que pode revelar-se importante na busca de uma solução: retira à CEDEAO o exclusivo na condução do processo e apela ao secretário-geral, Ban Ki-Moon, para que harmonize as posições daquela instituição — que já foi acusada de favorecer os golpistas — com as da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), da União Europeia e da União Africana. “Parece-me que vai haver uma alteração no modelo de acompanhamento”, afirma. A organização lusófona reclama o regresso de Pereira e Júnior ao poder.

Fonte: RM/Publico

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