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Ainda sobre a Guiné-Bissau

Abaixo reproduzo texto do amigo e jornalista português Ricardo Bordalo sobre a situação na Guiné-Bissau:
“estive a tarde virado para outras latitudes e… e reparo agora que as forças armadas portuguesas entraram em estado de prontidão por causa da situação na guiné-bissau. espero que isso nada tenha a ver com o facto de o presidente da república, hoje de manhã, ter feito uma declaração sobre o golpe que está a milímetros da thin red line que separa o apelo da… declaração de guerra… é que dizer que se os militares continuarem à solta em bissau, os seus actos desestabilizadores vão continuar, só pode sair de alguém que não conhece o terreno que tem pela frente.
mas eu explico os riscos e a moldura… histórica.

JÁ AGORA ALERTO PARA A POSSIBILIDADE DE OS MILITARES NEGAREM A EXISTÊNCIA DE UM GOLPE PREFERINDO CHAMAR-LHE A REPOSIÇÃO DA NORMALIDADE GOVERNATIVA INTERROMPIDA EM 2003 –

nas próximas horas, como dizia ver-se-á o objectivo das movimentações militares… ver-se-á se é como digo, com a imposição de kumba ialá como presidente… mas a minha aposta é essa…
quando às preocupações com os angolanos da missang… não creio que sejam sequer um alvo… mas vão querer que se vão embora… é a natureza das coisas.
este é o histórico:
e voltamos ao mesmo de sempre. o paigc não é um partido poltico, embora tenha um dentro, fraco, mas tem… o paigc é um movimento guerrilheiro encalhado nos escombros do século xx. foi criado com as melhores intenções por amilcar cabral. eram elas derrubar o regime colonial e formar uma nacionalidade para a guiné e para cabo verde. conseguiu, no primeiro caso um êxito de 100 por cento e, no segundo, um falhanço de 50 por cento. cabo verde materializou o sonho de amilcar. bissau, o seu pesadelo, como se poderá aferir nas muitas cartas e textos deixados e por ele escritos. mas, e ainda no segundo ponto, porquê esta tragédia permanente a que nem a poderosa cidade alta consegue pôr fim? porque o paigc é um movimento guerrilheiro concebido com o objectivo de chegar ao poder através das armas e assim se mantêm até hoje, é o poder, quer manter o poder e vai fazê-lo, seja a que custo for… porque o paigc é o cemgfa, ou seja, a sede do paigc é no qg e não na antiga praça do império, em bissau. se o mpla, o paicv (cabo verde), o mlstp, a frelimo etc. fizeram a transição de movimentos de guerrilha para partidos políticos com sucesso, deixando um pequeno compartimento para as suas antigas forças armadas de libertação arrumarem algum poder, no paigc foi ao contrário, o poder manteve-se quase na totalidade com as armas, com os generais, que deixaram, mais por conveniência que por outra coisa qualquer, uma salinha dos fundos para a sua dimensão política… foi aqui que amilcar cabral falhou redondamente… ou não! mas essa é outra discussão, mais melindrosa… em suma, antónio indjai, o cemgfa, não lidera as forças armadas, lidera o legado de amilcar cabral, quer se queira quer não, porque a transição não foi feita… dever ser caso único no mundo!! e um problema que só acabará com a melhoria de condições económicas na guiné-bissau… para que os filhos, netos, bisnetos dos antigos combatentes não tenham necessidade de ir para as casernas reivindicar o legado familiar como única forma de sobrevivência!!! é assim… e não vale a pena pensar muito no assunto… se luanda ou lisboa ou brasília quiserem livrar-se do peso de bissau como fornalha permanente, desenvolvam o país… a sério, nunca pela ameaça das armas ou de outro tipo… nem com a chantagem… porque aquilo é um país onde as mais simpáticas pessoas do mundo acumulam essa condição com verdadeiros bravos em armas… os mais bravos! cuidado!”

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