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“Canto da Sereia” de Mukenga e Zau

Os músicos Filipe Mukenga e Filipe Zau apresentam amanhã, às 16h00, no auditório da Universidade Independente de Angola, o disco “Canto Segundo da Sereia O encanto”, um trabalho, de 14 anos, que homenageia todos os marítimos e o contributo destes na luta contra o colonialismo.
Musicalizado a partir de ritmos africanos, o álbum, um duplo CD, com 24 temas, leva os ouvintes numa viagem transatlântica pelos sons e culturas de África, Europa e América Latina.
A ser lançado no sábado, dia 26, na Praça da Independência, o disco é também uma homenagem aos malogrados pais de Filipe Zau, Francisco Zau e Maria de Pina Zau, e ao falecido pai de Filie Mukenga, Anacleto da Conceição Gumbe.
O CD, que faz ainda uma homenagem ao ex-presidente do Clube Marítimo Africano, Mário de Nazaré Van-Dúnem “Ti Mário”, e ao instrumentista Kinito Trindade, volta a ser vendido ao público no domingo, dia 27, no Bellas Shopping. Considerado por Filipe Zau como uma história dentro de outra, mas contando narrativas da vida, o disco retrata ainda o dia-a-dia, os valores morais e culturais, a paz e seus feitos, assim como realça a importância dos direitos humanos. “É um álbum onde ataco a hipocrisia, a maledicência, o baixo carácter e abordo também, entre outros temas, as vantagens dos elementos básicos da personalidade, quando aliados à formação escolar”, disse Filipe Zau.
Tal como aconteceu com o primeiro disco, “O Canto da Sereia o Encanto”, os seus autores pretendem adaptar o projecto ao teatro ou cinema. “No momento, estamos ainda a criar condições para colocar um terceiro disco no mercado, porque a ideia é fazer uma trilogia sobre este projecto, que tem a terra, os povos e o mar, como elementos chaves”, realçou o compositor. Para o compositor dos temas do disco, a métrica foi um dos principais cuidados deste novo disco, que além do típico estilo do cantor, traz também uma morna e um fado. “Buscamos os sonhos um do outro e os revestimos em poemas, tendo como fonte de inspiração os marítimos”, realçou.
O músico Filipe Mukenga destacou também a importância histórica do disco e o seu papel na divulgação de uma parte da própria história do país e da cultura nacional, feita através do mar, pelos marítimos que levavam a tradição local a cada porto onde iam. “Por isso decidimos fazer a apresentação do álbum numa academia, visto que, desta forma, vamos estar também a despertar a curiosidade dos jovens estudantes para certos fragmentos da história do país pouco conhecidos”, explicou. Gravado na Rádio Vial, em Luanda, o CD, que teve o apoio financeiro da Sonangol e da Semba Comunicações, foi misturado e masterizado em França e Portugal. O disco tem, além das 24 canções, oito textos, escritos por Filipe Zau, e a gravação do noticiário transmitido pela Rádio Nacional de Angola a 4 de Abril de 2002, o Dia da Paz.

Falta de editoras

A falta de editoras especializadas em vários géneros musicais é, para Filipe Mukenga, um aspecto negativo no crescimento e expansão da música angolana, que vê reduzidas as oportunidades dadas sobretudo aos músicos da velha geração.
O artista lamentou o facto de, neste momento, a maioria das editoras e dos promotores estarem concentrados em promover os estilos dançantes, relegando para segundo plano todos os outros. “Não que esteja a criticar estes géneros. Mas apostar somente em estilos dançantes cria uma certa limitação nos músicos e fãs”, adiantou.
Filipe Mukenga lamentou ainda o facto de, hoje, os lançamentos oficiais de discos estarem limitados a uma sessão de venda e assinatura de autógrafos. “Deveria constar também deste acto a realização de um espectáculo, que permitiria aos fãs conhecerem um pouco mais sobre as músicas que vão adquirir e aumentar a interacção com os artistas”, disse.
Filipe Zau, cuja parceria com Filipe Mukenga já tem 34 anos, criticou o facto de o mercado discográfico angolano ainda ter uma lógica de exclusão, ao invés de uma de complementaridade. “Esta exclusão faz-se sentir em vários sectores da sociedade e devido a ela, músicos com talento, como Filipe Mukenga, cujos temas já foram cantados por Djavan e Gilberto Gil ou Rui Veloso, são esquecidos aos poucos”, frisou.

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