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Os sites que ficaram a ver o Facebook passar

Em Agosto de 2006, a revista americana Business Week colocava na capa a fotografia de um jovem sorridente. O título era “Como este miúdo fez 60 milhões em 18 meses”.

Kevin Rose, o fotografado, tinha 29 anos e era o fundador do site Digg. A capa da revista descrevia-o como o líder de uma nova geração de empreendedores de Silicon Valley.

O Digg, um site lançado em 2004, era na altura um fenómeno de enorme popularidade. Incorporava o conceito de conteúdo gerado pelos utilizadores que atraía investidores para as start-ups da chamada Web 2.0.

O Digg conseguiu sucesso ao permitir aos utilizadores submeterem conteúdos que encontravam na Internet e votar naqueles de que mais gostavam – se um determinado conteúdo tivesse votos positivos suficientes, ia parar à primeira página. Era frequente os sites mais pequenos a quem isso acontecia irem abaixo com a avalanche de visitantes vindos do Digg. Havia empresas cujo negócio era fazer com que os conteúdos dos clientes chegassem à cobiçada primeira página.

O Digg parecia destinado a uma compra multimilionária ou a uma entrada em bolsa fulgurante. Não aconteceu nem um, nem outro. Depois de alguns namoros inconsequentes com vista a possíveis aquisições, o Digg começou a perder o brilho e a ser suplantado por outros sites de partilha de conteúdos – desde concorrentes directos, como o site Reddit, a redes sociais como o Twitter e o Facebook.

O tráfego do Digg começou a cair. Em 2008, registava prejuízos. Kevin Rose acabou por abandonar a empresa e trabalha agora para o Google. O Washington Post contratou na semana passada 15 engenheiros do Digg – um dos últimos pregos no caixão. A capa da Business Week é hoje conhecida como um exemplo de jornalismo sobre-entusiasta.

Estrelas que desapareceram

O Digg é apenas um dos muitos sites baseados na ideia da Web social, que em meados da década passada tiveram um momento de estrelato e acabaram por ver projectos como o Facebook (e, numa escala diferente, o Twitter) passar por eles, apanhar os utilizadores e os milhões de investimento, e seguir viagem.

O Facebook, apesar de problemas de privacidade e de dificuldades assumidas em rentabilizar os 900 milhões de utilizadores, está prestes a fazer uma oferta pública de venda que, de acordo com as indicações de preço mais recentes, fará a empresa ultrapassar uma valorização bolsista de 100 mil milhões de dólares.

Um dos exemplos mais conhecidos de estrelas da rede social que acabaram decadentes é o MySpace, em tempos concorrente directo do Facebook.

Em Janeiro do ano passado, o MySpace despediu quase metade dos pouco mais de mil funcionários. Em Julho, o site, com cerca de 35 milhões de utilizadores, foi comprado por uma quase desconhecida empresa americana de publicidade digital, chamada Specific Media, e pelo artista Justin Timberlake (que também se dedica agora a gerir o projecto). A compra foi de 35 milhões de dólares – 17 vezes menos do que a vendedora News Corporation, de Rupert Murdoch, pagara pelo site em 2005.

O MySpace é agora um site centrado em conteúdos musicais, tendo desistido completamente de concorrer com o Facebook.

Antes do Facebook e do MySpace, havia já a rede social Friendster, lançada em 2002. Apesar de ter atraído a atenção dos utilizadores e dos media, nunca conseguiu a popularidade para se destacar. Acabou comprada por um grupo malaio e transformada num portal de jogos online.

Também longe dos tempos áureos está o Hi5, em tempos a rede social mais popular entre os portugueses e provavelmente a que primeiro disseminou em Portugal a ideia de partilhar pedaços da vida com um grupo de amigos online – e também um destino popular para fotografias de raparigas adolescentes pouco vestidas, num fenómeno que chegou a dar origem a blogues portugueses que compilavam este género de imagens.

No ano passado o Hi5 despediu pessoas e anunciou que ia transformar-se numa plataforma de jogos. Hoje, mistura o conceito de rede social, com o de jogos na Internet e site de encontros. E exibe muitas fotografias de jovens em poses pretensamente sensuais. Está praticamente remetido ao esquecimento e adoptou a máxima do “se não podes vencê-los, junta-te a eles”: logo na primeira página, como técnica para captar utilizadores, o Hi5 permite fazer login com a conta do ex-rival Facebook.

Fonte: PUBLICO

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