InicioEconomiaPortugal: Desemprego real próximo dos 20% no primeiro trimestre

Portugal: Desemprego real próximo dos 20% no primeiro trimestre

A taxa de desemprego real em Portugal rondou os 20% no primeiro trimestre, o que corresponde a mais de 1,1 milhões de desempregados, quando se faz as contas incluindo a população que não procurou emprego nas últimas semanas antes de ser inquirida pelo INE.

Estes valores representam uma subida significativa face ao último trimestre do ano passado, quando eram de respectivamente 18,2% e 1,057 milhões, face a 19,3% e 1,112 milhões no primeiro trimestre do ano. Este é também um recorde pelo menos desde o primeiro trimestre de 2009, o primeiro momento para que o PÚBLICO calculou esta taxa, e deverá ser um recorde em linha com o da taxa oficial hoje divulgada.

A diferença é enorme face aos valores oficiais divulgados para a taxa de desemprego, que são de 14,9% para o primeiro trimestre deste ano 14,0% para os últimos três meses do ano passado, e também face ao número de desempregados oficiais, que se situa em respectivamente 819,3 mil e 771 mil. A diferença entre a taxa oficial e esta taxa mais condizente com a realidade tem-se aliás vindo a alargar desde meados de 2009.

O INE, bem como as autoridades estatísticas europeias, não consideram como desempregadas as pessoas que declaram que pretendem trabalhar, mas que nas últimas três semanas antes de responderem ao Inquérito ao Emprego não fizeram diligências para encontrar trabalho. No entanto, contabiliza-as, o que permite calcular uma taxa de desemprego mais próxima da realidade.

Assim, adicionando os 202,1 mil inactivos disponíveis e os 90,8 inactivos desencorajados no primeiro trimestre do ano quer aos desempregados quer à população activa, obteve-se aquela taxa, cujo desfasamento da realidade será mais por defeito do que por excesso, pois não entra em conta com o subemprego visível.

O INE considera inactivos disponíveis as pessoas com 15 ou mais anos que pretendiam trabalhar mas que nas últimas três semanas antes de serem inquiridas não procuraram trabalho, e considera inactivos desencorajados os que estavam também naquela situação mas não procuraram trabalho porque acharam que não valia a pena, por razões como não terem idade apropriada, não terem instrução suficiente, não saberem como procurar ou acharem que não havia empregos disponíveis.

Além disso, calcula também o subemprego visível, que corresponde ao número de pessoas com empregos sem horário completo e que gostariam de trabalhar mais horas. No primeiro trimestre do ano, foram 203 mil.

Parte destas pessoas não poderão ser consideradas propriamente desempregadas, porque terão horários de trabalho que se aproximam do horário completo, mas haverá também casos em que trabalham poucas horas por semana, o que pode corresponder a biscates e cair numa definição mais abrangente de desemprego.

No entanto, o INE não apresenta um quadro de subemprego visível por número de horas trabalhadas, pelo que se optou por não incluir o seu valor na taxa de desemprego real calculada.

Fonte: PUBLICO

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