InicioEconomiaSonangol-Distribuidora continua a ‘derramar’ combustível

Sonangol-Distribuidora continua a ‘derramar’ combustível

O contínuo descaminho de combustível destinado a abastecer os grupos geradores de electricidade espalhados por Luanda e administrados pela ENE-EP, abriu um “mau clima” entre esta empresa e o seu fornecedor, a Sonangol-Distribuidora.

De acordo com fonte de “O PAÍS”, a empresa beneficiária do serviço, a ENE-EP, recusa-se a pagar as facturas remetidas pela Sonangol Distribuidora, alegando a não recepção do combustível como espelhado nas guias de entrega.

Ao que tudo indica, parece haver algum controlo do fluxo de combustíveis que a Empresa Nacional de Electricidade tem estado a receber, razão pela qual rejeita terminantemente a efectuar qualquer pagamento de que não tenha certeza que beneficiou do produto.

Na programação está o roubo

A fonte deste jornal revela que a partir da IBV-1, na Boavista, continuam a ser emitidos fraudulentamente documentos de remessa de combustíveis para a ENE-EP, estando o fulcro da actividade fraudulenta centrada no sector de programação do gabinete responsável pelo atendimento à ENE-EP e outras entidades particulares beneficiárias.

A fonte aponta mesmo o nome do funcionário Adriano Pombal como sendo o executor desta acção desde o mês de Dezembro do ano passado, apesar de, nessa altura, estar a correr trâmites legais na Polícia de Investigação Criminal de um processocrime por esta acção delituosa.

A continuação desta prática parece revelar contornos proteccionistas, uma vez que a fonte desvenda laços familiares estreitos entre este funcionário programador do sistema de rede do Centro de Abastecimento da Boavista (IBV-1) com o seu actual director, Pombal Neto.

Apanhado com a boca na botija

O funcionário Adriano Pombal foi descoberto ainda este ano, precisamente no dia 21 de Janeiro 2012 quando no intervalo de dois minutos emitiu duas facturas em nome da ENE-EP com os números 81230858 e 81230859, endossando a responsabilidade do carregamento a um outro colega de forma propositada como máscara da sua acção fraudulenta.

No entanto, prossegue a fonte, o colega Estêvão Tchembeca, também programador, recusou-se a alinhar na trama de Adriano Pombal e denunciou o facto ao director nacional da Direcção de Logística da Sonangol, na pessoa de Adão Avelino.

Feitas as devidas inquirições, ficou claro, de acordo com a fonte, que se haviam falsificado os nomes dos motoristas e as matrículas das viaturas de transporte do produto. Quanto ao motorista fictício, a fonte denuncia que se trata do cidadão Carlos Alberto Rocha Pinto, residente em Luanda, junto à Vila do Gamek, Bairro Morro Bento, que é, na verdade, um dos implicados no processo judicial nº368/11-D aberto pela PGR na 1ª sala dos crimes comuns do Tribunal Provincial de Luanda, relacionado com os desvios de combustíveis na Sonangol Distribuidora.

A somar a isto, a fonte diz que propositadamente estas duas facturas não foram lançadas no boletim de ocorrências e na lista de controlo de movimentos do dia, além se ter detectado a falta de três facturas de outros clientes, não obstante a confirmação da saída do combustível.

Um crime superiormentecompensado?

De acordo com a fonte de O PAÍS, depois de provada a participação de Adriano Pombal no caso, o programador acabou “agraciado” com uma transferência do IBV-1 para a estrutura central da Sonangol-Distribuidora, onde funciona regularmente sem qualquer responsabilização criminal.

Esta postura contemporizadora na Sonangol Distribuidora pode ser explicada pela existência de laços familiares muito próximos entre alguns funcionários e responsáveis. A propósito deste caso, a fonte foi clara em admitir que a transferência visou esbater estragos à imagem do seu tio Gouveia Leite, PCE da Sonagás, que o pôs lá a trabalhar, e que já viu um outro sobrinho, por sinal, também programador, preso em Novembro do ano passado por desvios de combustíveis.

São mesmo conhecidos comentários de Pombal Neto segundo os quais os seus superiores hierárquicos estariam a tudo fazer para que este novo caso não chegue à direcção nacional de Investigação Criminal, protegendo-se deste modo a família e a imagem da Sonangol Distribuidora.

USD 156 mil para Pombal

As investigações efectuadas ao “pombal” de Adriano chegaram à conclusão de que o mesmo cometeu treze outras irregularidades entre os dias 18 de Dezembro de 2011 e 31 de Janeiro de 2012.

As facturas de gasóleo emitidas em nome da Empresa Nacional de Electricidade totalizaram USD 156 mil se aplicado o cálculo de 12 mil por cisterna de 35 mil litros como é vendido no mercado informal.

Este jornal procurou contactar o porta-voz da Sonangol, mas não obteve sucesso na ligação.

Fonte: OPAIS

Siga-nos

0FansCurti
0SeguidoresSeguir
0InscritosSe inscrever

Últimas notícias

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.