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Alunos da Caila e Rio D´Areia estudam em escolas condignas

As novas instalações hospitalares, escolares, sistema de captação e abastecimento de água potável, de produção de energia eléctrica para os domicílios e iluminação pública, tanques banheiro destinados à saúde animal, entre outras, estão a contribuir para o desenvolvimento das comunidades rurais da província da Huíla.
Os meninos com batas brancas, que reflectem os benefícios proporcionadas pelos dez anos de paz, expressam através de canções a alegria e entusiasmo pela primeira escola erguida numa zona nobre da comuna da Caila, município dos Gambos.
O novo estabelecimento foi erguido ao lado da enorme mulembeira e de uma cubata de pau-a-pique coberta com chapas de zinco, que serviam de salas de aulas. Na árvore está pregado um contraplacado que fazia a vez de quadro preto e os assentos eram blocos de adobo e troncos de árvores.
As duas salas improvisadas vão manter-se intactas no local, para permanecer na memória dos actuais e futuros alunos daquela comunidade. O soba Joaquim Calossapo considerou o antigo local um ponto de concentração de crianças em idade escolar e início dos primeiros passos na aprendizagem.
“Quando definimos a área, construímos a única sala de pau-a-pique e pedimos professores. Pouco a pouco, começaram a aparecer crianças de várias sanzalas. Com o aumento da população escolar, alguns tiveram de passar a frequentar aulas debaixo da mulembeira”, disse o soba, acrescentando que a comunidade testemunhou o surgimento da primeira escola.
Todos acompanharam com entusiasmo as obras da nova escola, pintura, colocação de carteiras, distribuição de material escolar para alunos e a bandeira da República. O governador Issac dos Anjos fez o corte da fita e entregou a responsabilidade de manutenção da mesma à população. Por isso, o soba Joaquim Calossapo garantiu que vão cuidar bem da nova escola e educar as crianças a não sujar as paredes nem destruir as lâmpadas e carteiras.
Paulino António, 10 anos, aluno da 4ªClasse, disse ao Jornal de Angola que não troca a nova escola pela sala de pau-a-pique ou da sombra da mulembeira. “Nesses sítios, o vento forte atrapalhava as nossas aulas e às vezes os cadernos e os livros voavam e rasgavam-se. Agora, já não vou sujar a bata no bloco de adobo.”

A felicidade de estudar numa escola digna desse nome, tornou Paulino um amigo do saber. Chega cedo, cumpre as tarefas e dispensa que seja a mãe a levá-lo, como acontecia antes. “A professora Joana ensinou-nos que não se deve escrever nas paredes, brincar com as portas e carteiras, partir os vidros e lâmpadas. Devemos cuidar das árvores plantadas pelo governador e professores”, disse.
A confirmação dos novos ensinamentos transmitidos aos alunos é feita pela professora Joana Matias, residente na cidade do Lubango.  Ela e mais três professoras alugaram um quarto pequeno na comuna do Rio D´Areia e só regressam ao Lubango aos fins-de-semana.
Em conversa com o governador Isaac dos Anjos, a professora Joana Matias pediu a construção de duas residências para acomodar os professores provenientes de outros pontos da província, para tornar operacional a actividade lectiva nas zonas mais recônditas da Huíla.
“Saímos das salas improvisadas para uma escola condigna e com condições para desenvolver o processo de ensino e aprendizagem. Por isso, os alunos e encarregados de educação devem aprender a conservar e preservar o património público e permitir que sirva também as futuras gerações”, disse a professora.

Educação acessível

Caila e Rio D´Areia, duas comunas do município dos Gambos, a 150 quilómetros do Lubango, têm neste momento condições para a prestação de diversos serviços, graças à execução de acções de impacto socioeconómico gizadas pelo Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza.
As referidas comunas contam, desde o início deste mês, com mais duas escolas do ensino primário e secundário do I e II ciclos, inauguradas pelo governador provincial da Huíla, Isaac dos Anjos. Os estabelecimentos de ensino, cada um com seis salas de aulas, sala de professores, lavabos, pátio para recreação e apetrechados com mobiliário escolar diverso e material didáctico, vão absorver um universo de 630 crianças, que antes frequentavam aulas debaixo das árvores e em salas de pau-a-pique.
Isaac dos Anjos explicou aos professores e alunos presentes que o Executivo está a construir e reabilitar escolas e postos de saúde nas comunas e povoações para melhorar a qualidade de vida da população.
Ao referir-se à riqueza familiar, pediu aos professores e autoridades tradicionais para educarem as mulheres das comunidades rurais, sobretudo dos Gambos, “a  criarem os seus próprios animais, apostar num negócio rentável e noutras actividades geradoras de rendimentos, e possuírem o que é seu sem violar os princípios culturais”.
Os princípios culturais dos povos ovangambue referem que a riqueza de um casal pertence aos sobrinhos, em caso de morte do homem, deixando a mulher sem recursos. A pretensão das autoridades é, agora, incutir no seio familiar que a mulher também pode criar a sua propriedade e ser detentora de riqueza.

Água em zona de escassez

Mais de 12 mil pessoas do Rio D´Areia estão a consumir água potável em abundância com a entrada em funcionamento, em Novembro passado, do primeiro sistema de captação e abastecimento de água, projectado para bombear 700 metros cúbicos por hora.
O sistema de captação custou 44 milhões de kwanzas e comporta dois fontanários, reservatório, bomba eléctrica com corrente gerada a partir de placas solares, 800 metros de canalização, o que permitiu levar a água a 25 casas.
Foram também empregues 86 milhões de kwanzas nas obras destinadas à instalação de dois geradores de 550 e 66 KVs para fornecer corrente eléctrica aos novos 134 postes de iluminação pública e 65 moradias de Chiange, sede dos Gambos, e no Rio D´areia.
No âmbito do Programa “Água para Todos”, foram construídos vários sistemas de captação e abastecimento de água em diversas zonas rurais do município, mas ficou a faltar a edificação de um fontanário na povoação do Rio D´Areia.
O novo programa do governo, eplicou o governador da Huíla, trouxe a nova captação, o gerador eléctrico, os postes de iluminação pública e luz aos domicílios.
O administrador municipal dos Gambos, Elias Sova, disse que as novas infra-estruturas inauguradas e em construção nas localidades mais recônditas da circunscrição revitalizaram o modo de vida das famílias, aumentaram o número de vagas no ensino, com a existência, neste momento, de 72 escolas, que absorvem 13.675 alunos neste ano lectivo.
Elias Sova referiu que prosseguem as obras de novos empreendimentos em vários pontos do município, cujo termo e abertura ao público está para breve.
“Estamos a construir duas casas do tipo T4, escola de seis salas na Taka, edifício da esquadra municipal da Polícia Nacional e ampliação do centro municipal de Saúde do Chiange”, disse Elias Sova.
O município dos Gambos, acrescentou, foi contemplado com vários fontanários e bebedouros para abastecer a população e dezenas de cabeças de gado com a execução do Programa “Água para todos” e projectos de parceiros do governo. Foram também instaladas chimpacas para servir os animais.

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