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Zaire com o problema resolvido já este ano

O abastecimento de água potável e energia eléctrica à cidade de Mbanza Congo está a criar sérias dificuldades aos moradores, que são obrigados a recorrerem a meios alternativos para conseguirem esses bens tão importantes para a vida. Centenas de pessoas deslocam-se em corrupio, com bacias à cabeça e bidões nas mãos, para irem buscar água, ao som audível dos geradores, que em várias casas estão ligados em permanência, por falta de energia eléctrica.
José Garcia, de 32 anos, cansou-se de esperar por ver resolvido em breve o problema da falta de água e de energia eléctrica na sua cidade de Mbanza Congo. Residente no bairro 4 de Fevereiro, explicou ao Jornal de Angola que tem tido muitas dificuldades para conseguir água potável, porque o único fontanário existente no bairro tem grande enchente de pessoas todos os dias.
Como solução, tem sido obrigado a acarretar água de uma cacimba, com todos os riscos para a saúde que isso envolve. “A carência de água obriga-nos a consumir a água das cacimbas. Temos tido o cuidado de a desinfectar com quatro gotas de lixívia, mas, ainda assim, muitas doenças são transmitidas por esta via, como a febre tifoide”, referiu.
A juntar a isto, a falta de energia eléctrica é permanente no seu bairro, mesmo depois de ter recebido garantias da Empresa Nacional de Electricidade (ENE) que ia instalar rede eléctrica no seu bairro. Com o rosto triste, José Garcia lamenta que o abastecimento de energia e de água esteja circunscrito aos bairros Álvaro Buta e Sagrada Esperança.
Adelina Masidivinga, 28 anos, residente no bairro Álvaro Buta, confirma. Tem acesso fácil a água potável no seu bairro. Perto da sua casa foi construído um fontanário, de onde todos os dias retira água para consumo. O bairro onde reside não tem problemas de fornecimento de energia, mas Adelina Masidivinga não tem luz em casa, porque não reuniu os documentos necessários para abertura do contrato.
“Todos os meus vizinhos têm energia eléctrica”, explicou, ao mesmo tempo que considerou que o governo deve estender os serviços de água e energia aos outros bairros que ainda não dispõem destes serviços, indispensáveis à sobrevivência das populações.

Nascente de água

A nascente de água conhecida por “Santa”, onde foi construído um tanque que em tempos serviu de reforço ao sistema de abastecimento de água aos munícipes de Mbanza Congo, vai ter obras de requalificação, para voltar a fornecer água à cidade. Até aqui, ela tem sido a boia de salvação de várias famílias, que ali acorrem todos os dias para acarretar água, lavar roupa e outros utensílios domésticos. No entanto, o local apresenta condições de higiene atentatórias à saúde pública.
O director provincial da Energia e Águas, José Silva, garantiu que o problema vai ser ultrapassado ainda este ano e anunciou que várias outras infra-estruturas do sector vão ser reabilitadas e construídas, como é o caso das estações de captação e tratamento de água na sede municipal do Cuimba e na comuna do Lufico (Nóqui).
José Silva lembrou que projectos semelhantes já foram executados no ano passado, nas comunas do Mpala (Nóqui), Loge Pequeno e Quinzau, no município do Nzeto, e na comuna do Quiowa, no Tomboco.
As novas estações de captação e tratamento de água instaladas nestas localidades têm uma capacidade de 20 metros cúbicos por hora, o que significa que podem abastecer de água mais de quatro mil pessoas.
“Por norma, cada pessoa deve ter acesso a 50 litros de água/dia, segundo a UNICEF. Se o equipamento trabalhar durante oito horas, vezes 20 mil litros, dá um total de 160 mil litros por dia, dividido por 40 litros de água, o que resulta no abastecimento de água a mais de quatro mil pessoas”, esclareceu.
Os municípios de Mbanza Congo, Soyo e Nzeto também vão ter os seus sistemas de energia e água reestruturados, no quadro da execução do programa de Infra-Estruturas Integradas, que já começou a ser desenvolvido nestas localidades.
“Precisamos de trabalhar mais para melhorar o sector da água. Se fizermos uma análise aos projectos concluídos, deduzimos que estamos a cumprir o programa estabelecido”, disse José Silva, pedindo paciência aos cidadãos residentes em zonas ainda não abrangidas, pelo facto de a execução dos projectos serem concebidos por fases, o que requer tempo, explica.
O responsável garantiu que, ao longo dos últimos quatro anos, foi duplicada a capacidade da Estação de Tratamento de Água de Mbanza Congo para 60 metros cúbicos.
“Antes tínhamos uma capacidade instalada de 30 metros cúbicos/hora, hoje, temos 60 metros cúbicos”, frisou José Silva que, ainda assim, considerou a quantidade insuficiente para satisfazer as necessidades.

Os geradores

O provimento de energia eléctrica na província do Zaire é feito à base de geradores. São no total 21, de 500 a dois mil KVAs, distribuídos pelos seis municípios da província. Os grupos geradores instalados no município do Soyo funcionam a gás, com capacidade para gerar 2,2 MGW. Segundo disse o director provincial de Energia e Água do Zaire, estes equipamentos vão, em breve, ser substituídos por duas turbinas a gás.
As turbinas, explicou José Silva, vão alimentar as cidades de Nzeto, Mbanza Congo e parte da cidade de Luanda. O projecto tem como objectivo principal melhorar a qualidade de energia eléctrica fornecida aos cidadãos e reduzir o uso de geradores a gasóleo.
“Vai ser montada uma linha de transporte a partir do Soyo, passando pelo Nzeto, onde vai ser instalada uma cabina de transformação, que permite as ligações de linhas para Luanda e Mbanza Congo”, disse.
O governo local tem tido gastos avultados na aquisição de combustível para alimentar os grupos geradores em toda a extensão da província. A central eléctrica de Kianganga, em Mbanza Congo, constituída por três geradores de dois mil KVAs, consome, cada um, 500 litros de gasóleo/dia.
O município fronteiriço do Nóqui recebe energia eléctrica de um transformador de 400 KVAs, a partir da barragem hidroeléctrica da Matadi, na República Democrática do Congo. Para o pagamento de energia eléctrica consumida pelas populações do Nóqui, o governo provincial gasta, mensalmente, 30 mil dólares.

Mais investimentos

O director provincial do Gabinete de Estudos e Planificação do Zaire (GEP), Humberto Félix, disse ao Jornal de Angola que o governo provincial vai investir este ano 277 milhões de kwanzas para a execução de projectos destinados a aumentar a capacidade de abastecimento de água potável e fornecimento de energia eléctrica às populações.
Desse valor, explicou, 77 milhões de kwanzas vão servir para a aquisição de equipamentos para o aumento da capacidade produtiva de energia eléctrica, a nível dos seis municípios da província, nomeadamente, Mbanza Congo, Soyo, Nzeto, Cuimba, Tomboco e Nóqui.
Parte dos equipamentos a serem adquiridos destinam-se à expansão das linhas de média e baixa tensão em Mbanza Congo e à montagem de novos Postos de transformação no município do Cuimba.
Humberto Félix referiu que outra alternativa para o reforço do fornecimento de energia eléctrica às populações é a utilização, nos próximos tempos, de painéis solares. A ideia é evitar o uso excessivo de geradores.
O valor alocado à província para a concretização, este ano, dos projectos inseridos no programa “Água para Todos” foi aumentado de 155 para 200 milhões de kwanzas.
Além disso,  foram contemplados os projectos de construção, remodelação e abertura de furos de água, nas comunas de Mangue Grande, Chimbi, Vumbu, Bungu e Sanga, localidades adstritas ao município do Soyo.
Consciente de que o município do Soyo é uma das regiões da província que enfrenta sérios problemas no domínio de abastecimento de água às populações, explicou que, por essa razão, vai ser aumentada a capacidade de fornecimento, pela sua importância no desenvolvimento socioeconómico.
Humberto Félix considerou insuficientes os investimentos realizados até ao momento no sector das águas. “Os projectos do sector são apenas financiados com fundos de Investimentos Públicos que a província recebe, que são insignificantes, tendo em conta o volume dos problemas por resolver”, concluiu.

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