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Quarto maior banco espanhol pede intervenção do Estado

Num cenário de perda de credibilidade do Bankia junto dos clientes e de forte queda do valor das acções, o Governo espanhol vê-se forçado a intervir, passando a controlar o quarto maior banco do país. O Banco de Espanha acalma os depositantes e assegura que a instituição é solvente.

A gravidade da situação do Bankia ficou à vista de todos a partir do momento em que Rodrigo Rato se demitiu na segunda-feira da presidência. Nesta quarta-feira, o seu substituto, José Ignacio Goirigolzarri, pediu ao Governo para que realizasse, através da conversão em capital de uma ajuda dada anteriormente no valor de 4465 milhões de euros, uma nacionalização parcial do banco, segundo noticiou a imprensa espanhola com base em fontes ligadas ao processo.

A operação – que fica abaixo dos valores projectados ontem por diversos analistas – consiste na transformação das acções preferenciais que o Estado detinha no FBA – Banco Financiero y de Ahorro (BFA) em capital.

O FBA era até agora detido pela Caja Madrid, Bancaja e cinco outras caixas de aforro espanholas que se fundiram em Junho de 2010. Com a conversão das acções preferenciais, que tinham sido criadas através do Fundo de Reestruturação Ordenada dos Bancos (FROB) do anterior Governo, o Estado deve passar a deter a totalidade do FBA que, por sua vez controla o Bankia, detendo um pouco mais de 45% do seu capital. “Esta conversão deverá ser autorizada pelo Banco de Espanha e pelas restantes autoridades competentes espanholas e comunitárias”, esclareceu o supervisor bancário.

A nova intervenção estatal representa o fracasso da tentativa de salvar as cajas espanholas que se juntaram para formar o Bankia e que, com o apoio do Estado, colocaram os seus activos relacionados com o mercado imobiliário espanhol no BFA, que se passou a constituir como uma espécie de “banco mau”, que permitiria ao Bankia operar com mais confiança junto do público.

A nova crise lançou o banco numa nova onda de perda de credibilidade. Os apelos à tranquilidade sucederam-se ao fim do dia. Goirigolzarri assegurou que o Bankia será agora “mais forte e rentável”. Rodrigo Rato, de saída, repetiu que “não há nada a temer, esta é uma entidade sólida”. E Mariano Rajoy deixou no Porto, durante a conferência de imprensa com o seu homólogo português, uma garantia: “Sabemos o que temos de fazer e vamos fazê-lo”.

O reforço da intervenção estatal no Bankia é apenas mais um episódio de uma série de esforços públicos que têm vindo a ser feitos para salvar um sector bancário em sérias dificuldades. Até ao momento, o Estado espanhol já injectou directamente nos bancos 19.300 milhões de euros através da compra de activos e 14.360 milhões por via do FROB. Além disso, disponibilizou 81.000 milhões de euros aos bancos sob a forma de garantias. Perdas já assumidas são os 400 milhões de euros desaparecidos com a Cajasur.

Mas este esforço não vai ficar por aqui. Mariano Rajoy já anunciou que na sexta-feira será revelado um novo plano de reestruturação do sector, que poderá incluir um aumento das provisões exigidas aos bancos e a criação de uma entidade que absorva os activos tóxicos detidos pelo sector, algo que até agora, o Governo tem sempre vindo a recusar.

FONTE: Público

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