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Escola Eiffel aposta numa formação de execelência

A necessidade de formar quadros qualificados para o futuro e de melhorar o ensino secundário estiveram na origem da criação, pelo Executivo, das escolas do II Ciclo do ensino geral denominadas Eiffel, nas províncias do Bengo, Cunene, Malange e Kwanza-Norte. O projecto, concretizado em 2008, é fruto de um acordo assinado entre o Ministério da Educação, a Total E&P Angola e a Missão Laica Francesa.
O sonho de se tornar engenheiro de petróleos levou Pedro Teka a inscrever-se no curso de Ciências Físicas e Biológicas da Escola Eiffel do Caxito, que frequenta há três anos e ao qual se dedica afincadamente. O seu objectivo imediato é ficar entre os cinco melhores alunos, para ser contemplado com uma bolsa de estudo atribuída pela petrolífera Total no fim de cada curso.
“Tenho consciência de que todos os estudantes têm o mesmo objectivo de estar entre os cinco melhores para ter acesso à bolsa de estudo. Por isso, todos os dias mostro nas aulas o meu potencial, porque o meu objectivo principal é formar-me em engenharia de petróleos”, disse o jovem estudante ao Jornal de Angola.
Para frequentar uma das Escolas Eiffel, os estudantes passam por um exame de acesso e só os que obtêm melhor resultado são admitidos. Pedro Teka afirma que não foi fácil a adaptação à escola do Caxito, onde teve de arrendar uma casa para evitar as constantes deslocações entre Luanda e aquela cidade.
“Nunca foi meu objectivo estudar longe da minha família, mas o meu pai diz sempre que na vida tudo tem um sacrifício e que nada vem de mão beijada. O mais importante é a minha formação.”
Sandro Cardoso é outro jovem que tem a oportunidade de mostrar todas as suas potencialidades científicas na Eiffel do Caxito, onde, segundo ele, existem todas as condições físicas e materiais para os estudos, além de bons professores.
Quem também partilha esse pensamento é Teodora da Costa, aluna da 11ª classe, que durante as aulas práticas no laboratório aproveita para tirar todas as dúvidas que tem, para sair da instituição bem formada em termos académicos e científico para que não ter dificuldades, quando entrar no ensino superior.

“Agora que estamos em tempo de paz, os jovens devem pensar na formação académica, para no futuro podermos ter grandes quadros nacionais em todos os domínios”, referiu.
Noémia Francisco diz que seguiu o conselho do pai, que lhe falou das condições de estudo que podia encontrar naquela escola, onde frequenta o último ano do curso de Ciência Físicas e Biológicas.
“Tenho a certeza que daqui vão sair quadros competentes para entrarem no mercado de trabalho, cada vez mais exigente em termos profissionais”, destacou a jovem.

Critérios de admissão

O director da escola, Gustavo Dias de Almeida, referiu que o número de candidatos inscritos para as vagas existentes tem aumentado todos os anos. Actualmente, apenas 30 por cento dos estudantes é natural do Caxito, enquanto os restantes ali chegam oriundos de outras províncias do país. Preocupada com estes dados, a direcção da escola ­está a ponderar fazer uma revisão dos critérios de admissão, no sentido de dar prioridade aos munícipes do Caxito na selecção dos candidatos.
Gustavo Dias de Almeida adiantou que os primeiros 172 alunos que concluíram a 12ª classe no projecto beneficiaram de um programa de apoio e orientação académica para o prosseguimento dos estudos no ensino superior. “Os que obtiveram melhor aproveitamento tiveram direito a bolsas de estudos proporcionadas pela petrolífera e por países como a Ucrânia, Itália, França e a Universidade Agostinho Neto”, disse. Com 570 alunos, o projecto cumpre um programa do Ministério da Educação e conta com um corpo docente de professores nacionais sujeitos a formação contínua complementar.
Para o director da instituição, os desafios da reconstrução nacional que se colocam hoje ao Executivo angolano exigem cada vez mais quadros nacionais de qualidade, para darem resposta à evolução científica e tecnológica que o mundo de hoje está a viver. Com um tom de satisfação pelo trabalho ­realizado pela sua equipa, considera aquela escola um local de excelência no panorama educativo nacional, por oferecer um ensino de elevada qualidade.
“Essa qualidade é baseada na argumentação, experimentação e demonstração e com uma forte componente prática, tendo como um dos objectivos principais a preparação de alunos para o ensino superior”, frisou.

Aliar a teoria à prática

Depois das aulas teóricas, os alunos dividem-se em grupos de 12 para as aulas práticas no laboratório, porque só desse modo o professor tem a possibilidade de prestar atenção à evolução individual de cada um.
A escola tem três laboratórios – de física, química e biologia – e um campo gimnodesportivo usado pelos alunos para as aulas de educação física. Uma vez que se trata de uma escola pública, o ensino e o material didáctico são gratuitos. As inscrições e os manuais escolares da reforma educativa estão incluídos.
Kulamika André, professor de Química, referiu que o trabalho de laboratório é intensificado a partir da 11ª classe, altura em que os estudantes têm três horas por dia para resolver as dificuldades encontradas durante as aulas.
“A nossa maior preocupação é que todos saiam daqui com aproveitamento positivo”, explicou.
Enquanto ajudava os estudante a fazer uma observação microscópica da paramécia e do espermatozóide, o professor de Biologia Nlando Artur explicou que os primeiros três meses de aulas servem para resolver todas as dificuldades dos alunos que entram pela primeira vez. “Isso é necessário, para que possamos estar todos ao mesmo nível. Neste momento, temos todos os alunos no mesmo grau de entendimento” destacou.
Eiffel é o apelido do célebre engenheiro e arquitecto francês Gustave Eiffel (1832-1923), especialista em estruturas metálicas, cujas obras são conhecidas um pouco por todo mundo, com especial destaque para a emblemática torre da cidade de Paris que leva o seu nome. Em Angola, mais concretamente em Luanda, podemos admirar o famoso Palácio de Ferro Eiffeliano, da autoria de um dos seus alunos.

FOTO: JA

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