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Soares diz que PS tem de romper com a troika

Mário Soares, antigo Presidente da República e fundador do PS, considera que numa Europa em mudança o PS não se deve sentir obrigado a cumprir o acordo que o país subscreveu com a troika. “Essa obrigação foi assumida há um ano. Mas chegou ao fim. A austeridade tem limites. Aliás, até já o Presidente da República o disse”, argumenta Soares.

Numa entrevista publicada nesta terça-feira pelo jornal i, Mário Soares aprova uma ruptura do PS com o caminho que tem sido seguido até aqui,. condicionado pelo memorando de entendimento assinado com as entidades que lideraram a assistência financeira internacional, isto é o Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia. “O PS sentiu-se durante um tempo obrigado – e bem, porque foi Sócrates que assinou o primeiro acordo – a cumprir [o acordo com a troika]. Mas agora que já está toda a gente a falar noutra linguagem, porque que é que o Partido Socialista deve continuar a ser fiel a esse acordo?”, questiona agora o antigo líder socialista.

No actual quadro europeu, marcado por uma mudança que, segundo Soares, já estaria em marcha mesmo antes da vitória eleitoral do socialista François Hollande nas Presidenciais em França, não se pode pôr fim a um modelo social que caracteriza a Europa e, por essa razão, os governantes europeus terão de encontrar uma alternativa à austeridade. “Nós não podemos acabar com o Estado social. Se acabamos com o Estado social e passamos para um Estado liberal, o desenvolvimento da Europa desaparece”, afirma Mário Soares, que vê Angela Merkel cada vez mais isolada e a eleição de um socialista em França como um motor que irá acentuar “a mudança que está em marcha”.

“A austeridade tal como a definem não tem sentido. Pode haver uma certa austeridade, sim, mas devia começar no governo e não nas pessoas e, sobretudo, não nos pobres e desempregados”, sublinha o antigo Presidente da República que também foi primeiro-ministro e foi um dos negociadores da entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia. “O primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho], com a sua mentalidade neoliberal, disse que era preciso ir além da troika e isso não faz nenhum sentido (…). E cada vez faz menos, à medida que a receita se vai desfazendo”, prossegue Soares, assinalando que a própria troika “está dividida”. “O FMI tem uma posição, o BCE tem outra, a CE tem outra”, frisa, argumentando que a mudança em curso na Europa irá obrigar estas instituições a rever a receita que tem sido aplicada. “A austeridade cria recessão e desemprego, que são os dois flagelos que temos neste momento na Europa.”

Sobre o apoio do PS a este memorando de entendimento, Soares entende que “tudo evoluiu – o acordo da troika, a troika e o país”, aplaudindo por isso a posição do actual secretário-geral do PS que já disse ao Governo para seguir o seu caminho sozinho.

Fonte: OPUBLICO

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