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Seca ‘dispersa’ votos no deserto do Namibe

A cada dia que passa a fome continua a apertar esta região desértica, obrigando a sua população a emigrar para outras onde exista comida e água para o abeberamento do gado A estiagem prolongada que comprometeu as culturas da primeira época agrícola, com destaque para as províncias de Benguela, Kuanza Sul, Huambo, Huila e Namibe, está a provocar nesta última a deslocação desordenada de comunidades de uma região para outra em busca de alimentos, devido à seca que afectou gravemente alguns municípios.

A Bibala, com uma comunidade constituída maioritariamente por grupos itinerantes, entre os quais os célebres guerreiros mucubais, é um dos municípios que está a enfrentar uma penúria alimentar, sendo que parte dos seus habitantes procuram contornar a situação noutros municípiosda vizinha Huíla, como Quilengues e Humpata,onde a situação é menos grave.

Segundo apurou O PAÍS, esta região potencialmente agro-pecuária com uma população estimada em 211.020 habitantes(27 pessoas por quilómetro quadrado), produz em pequena escala o milho, o massango, a massambala, o feijão macunde e fruteiras. Mas a região está a viver um dos seus piores momentos de escassez de alimentos. A situação agravase ainda mais numa altura em que se aproxima a época cacimbo (Maio, Junho e Julho).

Os alimentos escasseiam em toda a parte do município, sobretudo nas comunidades rurais, onde a situação inspira maiores cuidados. “Há pessoas que passam fome todo o dia, só mesmo bebendo água, porque não têm nada para se alimentar, nem dinheiro para comprar alimentos no Namibe ou no Lubango”, disse uma estudante da Escola de Formação de Professores (EFP), actual denominação dos antigos Institutos Médios Normais de Educação (IMNE).

Segundo a fonte, uma jovem de 26 anos, devido à carência alimentar, muitos estudantes desprovidos de recursos financeiros para comprar comida estão a abandonar as aulas, voltando para as suas áreasde origem. “ Muita gente está a desistir por causa disso, porque a maioria que estuda não é natural de cá ”, afirmou, reforçando que a situação está a contribuir negativamente em termos de assimilação das matérias.

O PAÍS apurou ainda quea maior parte dos que frequentam a Escola de Formação de Professores são oriundos do município piscatório do Tômbwa, onde, por ordens expressas, dizem (não se sabe de quem), foi encerrado o antigo IMNE. Com essa medida,os alunos passaram a fazer o curso na Bibala, uma situação que deixa o seu administrador municipal desconfortado. e foi isso que disse numa conversa com O PAÍS.

“Não sei quem deu esta ordem para que fosse encerrado o Instituto de Educação que o município tinha e que facilitava a vida dos estudantes Agora são obrigados a deslocaremse de uma região para outra para dar continuidade aos seus estudos”, resumiu João Guerra Freitas, o “homem forte” desta região desértica do Namibe.

ADMINISTRADOR RECONHECE SITUAÇÃO
João Ernesto dos Santos, administrador municipal da Bibala, reconheceu que a deslocação das populações de uma região para outra poderá complicara participação dos eleitores nas eleições de Agosto. Segundo o responsável, “a Bibala é a segunda praça eleitoral da província e com a saída dessas pessoas, a situação do voto poderá ser alterada, porque terão de votar noutras localidadesque não escolheram inicialmente para exercer o seu direito de cidadania”.

Preocupado com a situação, o responsável está de mãos atadas porque não encontra solução para contornarestequadro,já que a seca é uma obra da natureza e com a chegada do cacimbo tudo parece mais complicado.

“Infelizmente não depende de nós, se assim fosse já poderíamos alternar o cenário com os meios que nos fossem disponíveis, aliás, como sempre fizemos em termos de acudir as pessoas quando há calamidades naturais”, disse o administrador.

Acrescentou também que face à situação,a transumância do gado alterou significativamente, o que, nas sua opinião, poderá comprometer o pasto normal durante os meses da época seca. “As chimpacas estão secas, os detentores das manadas fazem o esforço de levá-las para um outro sítio, mas tambémnem tudo está a correr bem, porque toda a região Sul está a sofrer o mesmo problema”, lamentou.

Ernesto dos Santos mostra-se também apreensivo com esta realidade angustiante que a sua área de jurisdição está a viver.“A deslocação de uma área para outra do gado, ou seja, em território vizinho provoca conflitos, e ao nível do município temos o receio de que esta situação possa ocorrer, já que os nossos munícipes estão a atingir localidades alheias, embora tenham lá familiares”, afirmou.

Com uma rede comercial e hoteleiro-turística pouco significativa, a Bibala, à semelhança do vizinho Camucuio, está a enfrentar uma forte penúria alimentar que poderá afugentar mais populares, caso a situação não seja contornada, o que poderá provocar a dispersão de votos no deserto. “Se não for superada a situação teremos problemas na contagem de votos depois das eleições, porque as pessoas votarão em lugares não programados por si”, reconhece o administrador.

Com a excepção deste clima, o resto vai de “vento em popa” numa zona cujo desenvolvimento depende do aproveitamento das potencialidades agro-pecuárias e turísticas da região, que é feito em pequena escala devido à sua localização geográfica,agravada pelafalta de vias de acesso à sede do município, assim como nas suas três comunas, Caitou, Lola e Kapangombe.

Com uma superfície de 7.612 quilómetros quadrados, representando13, 3 porcento do Namibe, Bibala dista 168 quilómetros da capital da província. Tem um clima temperado médio semi-desértico, com duas estações: uma chuvosa ( de Outubro a Abril) e outra seca (Maio e Setembro).

FONTE: O País

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