InicioMundo LusófonoBrasilManifestações artísticas e culturais no Dia da Língua Portuguesa

Manifestações artísticas e culturais no Dia da Língua Portuguesa

Um encontro promovido pelos países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, serviu para marcar, sábado (5), no Instituto Camões, na Embaixada de Portugal em Brasília, a passagem do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP.

Representantes dos oito países participaram do evento, com curtos discursos, porque o que falou mais alto foram as atividades culturais desses países, mostrando a variedade das vertentes culturais de cada um, assim como traços em comum, que vão além do idioma.

O anfitrião da festa, o embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Ribeiro Telles, comemorou seu primeiro ato oficial naquela embaixada, lembrando que a língua portuguesa está em franca expansão.

“Hoje foi um dia de grande satisfação, por ser meu primeiro ato oficial, aqui na Embaixada, e que ele tenha sido realizado no Centro Cultural (Camões), com a colaboração de todas as embaixadas da CPLP”, explicou.

Entre as manifestações artísticas foram mostradas no palco poesia, dança e música. O estudante angolano Afonso Daniel deu início às apresentações, recitando uma poesia, seguido de outros estudantes e até de diplomatas, como Joaquim Comboio, Patrícia Cadeiras e Domingos de Sousa. Todos os poemas apresentados fazem parte do livro que está sendo preparado pela Fundação Palmares – “Antologia Literária dos Países de Língua Portuguesa”, que deverá ser publicado ainda este ano.

Depois, foi a vez de dois jovens angolanos darem mostras da dança que está revolucionando os brasileiros, pelo seu ritmo contagiante: o kuduro. Por último, foi a vez da música de Moçambique encantar os presentes, com a Marrabenta de Faney Mfumo, e depois o repertório diversificado da cantora Monica Ramos, mostrando parte do show “Luz Afro Brasil”, que ela está apresentando em Brasília.

O presidente da Fundação Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, em Brasília, Eloi Ferreira de Araújo, falou da instituição como ponte cultural com a África. “Esse encontro é oportuno, especialmente, porque apresentamos aqui o projeto ‘Antologia Literária dos Países de Língua Portuguesa’, que reúne não só a antologia literária do Brasil, mas também de todos os países da língua portuguesa. Será mais um traço de união entre esses países”, garante Eloi, reforçando que o livro vai estimular que a língua portuguesa ganhe mais força em todo o mundo.

Quanto à importância do livro para os países lusófonos, Eloi não tem dúvida. “A Antologia dos países da língua portuguesa que a Fundação Palmares está empenhada em organizar, com autores e autoras dos países da CPLP, da poesia e da prosa, vai ao encontro desse desafio de fazer com que esse idioma, que hoje já é falado por mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo, alcance, ainda, essa pujança de juntar sentimentos que são bons”, disse o presidente da instituição.

O secretário de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira da Silva, destacou o encontro como um momento em que nos reunimos sob a base que nos unifica, que é a língua portuguesa. “Vivemos aqui, com esse evento, um momento muito singular e muito rico, porque tivemos essa percepção da unidade da língua e da diversidade cultural, assim como a capacidade que a língua tem de ser flexível, e de dar harmonia e possibilidade de comunicação. Estou muito feliz com o que vi aqui”, afirmou o secretário.

Encontro de embaixadores

Para o embaixador de Portugal, Francisco Ribeiro Telles, foi muito importante a apresentação do projeto da Fundação Palmares, que deve ser bastante acarinhado, pelo fato de estar fazendo um papel que até então não havia sido ocupado. “Afinal de contas, é a riqueza cultural de cada um, em nível da escrita, da prosa e da poesia. A Fundação Palmares cobre, de fato, esse vazio. Esse projeto é muito interessante porque permite que possamos ter conhecimento das especificidades de cada país em prol de um objetivo comum. Esse é o grande mérito desse projeto”, disse o embaixador.

Para o embaixador de Angola, Nelson Cosme, a comemoração da data foi mais um passo para o reencontrar da história, de uma vivência singular, e de reunir o que nós partilhamos durante vários séculos. “Acho que esse dia também nos permite refletir e perspectivar o futuro desta nossa comunidade, destas nossas conexões lusófonas e conexões atlânticas”, comentou o angolano.

Murade Isaac Miguigy Murargy, embaixador de Moçambique, falou na mesma linha. “Esse momento é importante para nós porque solidifica a união e a solidariedade dos povos que falam a mesma língua”, disse.

O diplomata moçambicano foi mais longe. “A língua é um elemento que procura transmitir muitos sentimentos e através desses sentimentos a gente se encontra inclusive na poesia. Esse evento nos marcou muito, foi muito emotivo, porque houve uma pequena expressão cultural de cada um de nós que viu que em muitos elementos somos iguais ou parecidos. Temos muita coisa em comum e temos de explorar essas coisas em comum, deixando as diferenças de lado, mas ressaltando tudo que é bom, tudo que é cultural”, explicou.

A embaixadora da Guiné-Bissau, Eugênia Pereira Saldanha Araújo, disse que o encontro dos países lusófonos, nessa data, foi muito significativo para a cultura portuguesa, porque um dos princípios da CPLP é a divulgação da língua portuguesa. “Acho que os nossos países, como todos sabem, têm trabalhado imensamente para cada vez mais estreitar os laços da cooperação e cada vez mais trabalhamos a nossa própria língua que também nos une. Ela é o veículo fundamental que nos proporciona uma melhor forma de comunicação e de exteriorizarmos todos os nossos sentimentos”. A embaixadora não esqueceu o acordo ortográfico. “Ele também é um instrumento muito importante para uniformizarmos, de fato, a linguagem. Em alguns países já foi aprovado. Na Guiné-Bissau já foi aprovado no parlamento, mas ainda não entrou em vigor”.

Para o embaixador de Cabo Verde, Daniel Pereira, essa comemoração é uma forma forte de conferir visibilidade à CPLP no Brasil. “Pouca gente conhece a CPLP. Se perguntarmos a um brasileiro ele não sabe o que é a CPLP. Então, precisamos dar mais visibilidade a essa organização que fala português em quatro continentes”, declarou.

O embaixador de Timor-Leste, Domingos de Sousa, exaltou as apresentações da cultura dos países lusófonos, como uma oportunidade de mostrar que a cultura portuguesa modificou muito esses países. “Espero que continuemos a trabalhar nesta interação e este ano a comemoração teve um significado muito especial, porque foi muito bem organizada. Em pouco tempo tivemos uma apresentação muito substancial”, comentou.

FONTE: África XXI

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