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Instituto de Estradas de Angola prevê reabilitar vias terciárias em todo o território nacional

O Instituto de Estradas de Angola prevê reabilitar vias terciárias em todo o território nacional formado pelo conjunto de itinerários

Autoridades locais e tradicionais, moradores e camponeses do Icolo e Bengo e da Quissama, saudaram com entusiasmo a iniciativa do Executivo angolano de lançar o Programa Nacional de Reabilitação e Manutenção das principais vias terciárias dos respectivos municípios. Dentro de três meses, as deslocações entre todas as localidades vão tornar-se uma realidade.
O soba grande da Quissama, Paulo Kiculo, foi o primeiro a expressar a sua satisfação. Visivelmente emocionado, disse à reportagem do Jornal de Angola que a reabilitação da estrada do Demba Chio, que liga as comunas de Mumbondo e Quixinge, vai fazer com que as populações que residem nessa circunscrição conheçam outros níveis de desenvolvimento.
“Essa estrada vai ajudar muito. Só quero que as obras não demoram. Já esperámos muito, mas também entendemos que o Executivo tem muito que fazer, porque ainda só temos dez anos de paz e o país é grande”, disse a autoridade tradicional.
“As enxurradas que caíram este ano na região estragaram a via e os camponeses para irem às lavras tinham muitos problemas. Muita gente abandonou a comuna. Mas com a reparação vão voltar e as nossas comunas vão ficar bonitas, porque muitos vão vir aqui fazer negócio e abrir empresas”, relatou o soba.
Para chegarem às comunas de Mumbondo e Quixinge, as pessoas que saíam do Icolo e Bengo e da Quissama tinham de percorrer longas distâncias, às vezes durante dois dias. “Devido aos buracos e às lamas, só viaturas Kamaz é que conseguiam passar aqui”, disse um jovem que, também emocionado, acompanhava a consignação do referido troço, no passado dia 28 de Abril.
Cristóvão Ibiana, secretário-geral do Clube dos Naturais e Amigos dos Luandos (CNAL), disse que a reabilitação dos troços do município da Quissama vem contribuir para o desenvolvimento socioeconómico das populações que residem nas zonas rurais.
“Vai ser um valor acrescentado para os camponeses que, até hoje, vêem os seus produtos a estragar-se no campo por falta de transporte para o escoamento”, realçou. Com as estradas terciárias reabilitadas, os responsáveis da província de Luanda vão passar a poder verificar de perto as principais dificuldades com que se debatem as populações destes municípios e resolvê-los de acordo com os programas estabelecidos. A administradora municipal em exercício do Icolo e Bengo, Margarida Pedro, reconheceu existirem grandes dificuldades por parte da população para se deslocar a outras localidades do município. No entanto, com a conclusão das obras vai haver uma certa fluidez no escoamento dos produtos do campo para a sede do município, acrescentou.

Satisfação das autoridades

“Estamos agradecidos com a escolha do município do Icolo e Bengo, recém enquadrado na província de Luanda, para testemunhar o lançamento do Programa Nacional de Reabilitação e Manutenção das Estradas Terciárias”, disse Margarida Pedro, que recordou uma das frases célebres do saudoso Presidente Neto: “o mais importante é resolver os problemas do povo”.
Também Ana Maria Silva, administradora municipal da Quissama, se congratulou, sublinhando que, “depois de alcançada a paz definitiva, o Executivo está em condições de erguer e reabilitar obras sociais, muitas delas destruídas durante o conflito armado, de Cabinda ao Cunene”.
“Circular nas comunas é um sacrifício, principalmente neste período das chuvas. As autoridades administrativas não conseguem visitar essas localidades por causa das péssimas condições das vias. Para se chegar à comuna do Quixinge, as pessoas têm de entrar no território das províncias do Kwanza-Norte e Sul. Mas isso vai acabar para o bem de todos nós. É um dos frutos da paz conquistada há dez anos”, salientou a administradora.
Para ela, não há dúvidas de que esta reabilitação das vias vai possibilitar aos responsáveis municipais de todos os sectores interagirem mais com a população e os problemas que os afectam vão ser resolvidos sem muita demora.
Aos empreiteiros encarregues da reabilitação pediu encarecidamente para cumprirem os prazos de conclusão das obras e garantiu-lhes que “podem contar com o apoio da Administração”.

Vias consignadas

À empresa Mecanagro, foram adjudicados os troços Maria Teresa /Calomboloca, Caquengue /Muxima, Cassoneca /Kionzo, num percurso de 110 quilómetros, no município do Icolo e Bengo.
Os troços Barraca/Tonhaxiri, Cambembeia/Zenza do Golungo, Botomona /Baixa Mugia, Quingongo/ Fotosacala, EN 110/Dungo, Ramal da Quiminha mais o acesso a Lalama e EN 110/Camuteba, Cabiri/Fazenda Santa Helena, num percurso de 119 quilómetros, vão ser executados pela empresa ENCIB.
As vias terciárias da EN 110/Km 44 (EN230), Catete/Guimbe, Camassa/Lagoas (Porto fluvial) e Calumbo/Bom Jesus, numa extensão de 53 quilómetros, vão ser intervencionadas pela brigada do Instituto Nacional de Estradas de Angola. Estão também a cargo da Mecanagro os troços Muxima/Demba Chio, Demba Chio/Mumbondo e Mumbondo/Quixinge, numa extensão de 162 quilómetros, no município da Quissama.
Os troços EN 100/Pousada da Quissama, Pousada da Quissama/Mucolo, Km 28 da EN110/Mucolo Mienga, numa extensão de 127 quilómetros, foram adjudicados à empresa Fabricon. Dois dos três empreiteiros envolvidos nesta grande reabilitação e manutenção dos 571 quilómetros de vias terciárias dos dois municípios garantiram estar tudo preparado para o arranque das obras.
Pedro Samuel, director da Empresa Nacional de Construção de Infra-estruturas Básicas (ENCIB), prometeu entregar as estradas completamente reabilitadas e em perfeitas condições para o tráfego dos utentes, com segurança e conforto, no prazo estabelecido de três meses.
“Temos tudo preparado para o arranque das obras: equipamentos e trabalhadores mobilizados para o início desta grande batalha”, concluiu. O presidente do Conselho de Administração da Macanagro, Carlos Jaime, considerou que um dos objectivos é manter e agregar qualidade às vias terciárias dos municípios, o relançamento da actividade agrícola da zona e servir o melhor interesse das populações da região. Assegurou, ainda, que a sua empresa já tem mobilizados alguns equipamentos para dar início à empreitada, embora do ponto de vista logístico seja necessário adquirir algumas tendas e alimentos para os operadores, além de elaborar um plano de assistência técnica dos equipamentos, com vista à durabilidade dos mesmos.

Importância destas estradas

O Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) prevê reabilitar 17.500 quilómetros de estradas terciárias em todo o território nacional formado pelo conjunto de itinerários que, com alguma relevância, complementam a rede fundamental de estradas, na sua função social e económica, na administração, defesa e satisfação das necessidades essenciais das populações.
O coordenador da comissão de gestão do INEA, Molares D’Abril, disse que a rede de estradas secundárias e terciárias constituem cerca de 67,5 por cento da rede geral de todo território nacional.
As estradas terciárias, explicou, têm como função a extensão de benefícios da administração a lugares recônditos, sendo um factor de promoção socioeconómica das populações rurais em zonas não servidas pelas redes principais ou secundárias e terciárias.
O programa vai contar com a participação das brigadas militares, do INEA, empresas públicas e particulares, do sector rodoviário devidamente apetrechadas com meios técnicos indispensáveis ao tipo de actividade que se pretende.
“É o fruto da paz”, disse a administradora da Quissama.

FONTE: JA

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