InicioMundo LusófonoGuiné-BissauGuineenses lembram medo na fuga há 14 anos para Portugal

Guineenses lembram medo na fuga há 14 anos para Portugal

Guineenses que fugiram para Portugal refugiados da guerra civil no seu país recordam que temeram pelas suas vidas na eclosão do golpe de Estado de 1998, feito por militares que tentavam derrubar o Presidente Nino Vieira.
“Todos nós tememos pelas nossas vidas”, disse à agência Lusa Eduardo Monteiro, guineense que viajou com a sua família para Portugal em 1998 na fragata portuguesa Vasco da Gama, um dos navios militares deslocados à Guiné-Bissau para resgatar cidadãos portugueses no início da guerra civil guineense.
Segundo Monteiro, a sua família (mulher e dois filhos pequenos) e outras dezenas de pessoas, entre portugueses e cidadãos de outras nacionalidades, foram levadas pela fragata portuguesa para Cabo Verde, de onde apanharam um avião para Portugal.
A guerra civil na Guiné-Bissau começou a 07 de junho de 1998, quando o exército formado pelo brigadeiro Ansumane Mané fez um golpe militar contra o Presidente João Bernardo “Nino” Vieira. O conflito causou milhares de mortos e dezenas de milhares de deslocados.
Eduardo Monteiro fez seus estudos universitários em História e Antropologia em Portugal na década de 1980 e permaneceu depois no país, onde abriu uma empresa de importação/exportação de frutos tropicais.
“Eu retornei de vez à Guiné-Bissau cerca de um ano e meio antes do início da guerra civil”, indicou, tendo criado anos antes uma empresa do ramo do mobiliário no seu país.
Monteiro declarou que teve de esconder-se com o filho “debaixo de um cajuzeiro”, pois não tinha mais onde se abrigar”, durante um forte ataque a Bissau das forças militares senegalesas e da Guiné Conacri, apoiantes do governo de Nino Vieira.
“(Em Portugal) fomos acolhidos num quartel, na Pontinha, que foi transformado em campo de refugiados de guerra vindos da Guiné-Bissau, no qual ficaram os técnicos e quadros qualificados guineenses, como magistrados, professores, empresários”, lembrou, dizendo que permaneceram naquele local durante nove meses.
Eduardo Monteiro disse que o “tratamento foi cauteloso e cuidadoso” e o acolhimento fornecido pelo governo português “foi excelente”.
“O meu filho de cinco anos veio primeiro para Portugal com um casal amigo, junto com outros portugueses, no navio Ponta de Sagres,” referiu Juvêncio Sá, outro guineense que viajou para Portugal em 1998.
O cargueiro Ponta de Sagres foi a primeira embarcação a chegar a Guiné-Bissau e retirou mais de 2.000 pessoas, entre portugueses e pessoas de outras nacionalidades.
Juvêncio Sá, que trabalhava na pesca industrial na Guiné-Bissau, a mulher e filha (de dois anos e meio) caminharam cerca de 180 quilómetros, passando pelas regiões guineenses de Bissorã e Gabu, antes de atravessar a fronteira para o Senegal.
“Psicologicamente foi muito duro, muito complicado porque nós vimos pessoas a morrer em Bissorã, a tiros ou por causa de bombas”, recordou.
“No Senegal, contactei por telefone os meus amigos portugueses. Eles avisaram a embaixada portuguesa em Dacar, que cuidou da nossa documentação para poder viajar para Portugal. Esses mesmos amigos pagaram as nossas passagens e acolheram-nos”, afirmou Sá.
Atualmente, Eduardo Monteiro tem um escritório de regularização de documentação e Juvêncio Sá é dono de uma churrasqueira, estando os dois negócios na região de Lisboa.
Monteiro e Sá mostraram-se contra o recente golpe de Estado, feito por militares na Guiné-Bissau a 12 de abril.
“Honestamente não concordo, porque o golpe de Estado não traz nada de bom para o país”, referiu Sá, acrescentando que os dois golpes são diferentes, sobretudo pelo alto grau de violência que houve em 1998 e que não há, até agora, neste mais recente.
De acordo com Monteiro, “apesar de considerar inconstitucional a candidatura do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior às presidenciais” de abril, revelou que o considerou um bom governante.
Eduardo Monteiro acredita que deve haver um período de transição, um recenseamento eleitoral de raiz e a realização de novas eleições no país.

FONTE: DN

Siga-nos

0FansCurti
0SeguidoresSeguir
0InscritosSe inscrever

Últimas notícias

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.