InicioAngolaRegiõesCrédito agrícola reduz a pobreza

Crédito agrícola reduz a pobreza

Os incentivos ao sector agrícola estão a ajudar as famílias do meio rural de Benguela a sair da pobreza, graças à aposta do Executivo no crescimento da produção agrícola, através da disponibilização do crédito de campanha. Muitas famílias, que viviam nas grandes cidades fugidas da guerra, voltam para as suas terras de origem com filhos já adultos, e que tiveram poucas oportunidades de enquadramento laboral.
De regresso ao meio rural, muitas recuperaram as suas terras abandonadas e estão a fazer delas o ponto de partida para o seu sustento e para a criação de rendimento, disse à reportagem do Jornal de Angola Simão Januário, presidente da União Nacional dos Camponeses de Angola (UNACA) em Benguela. A produção agrícola emprega pessoal a tempo inteiro, devido às melhorias do sistema de produção, tanto a nível de métodos manuais como mecanizados.
Simão Januário considera que o sector pode absorver mão-de-obra desempregada, dado que “as condições de trabalho no campo são agora incomparavelmente melhores”. Ao mesmo tempo, é essencial que se atinja o objectivo da auto-suficiência em valor. “Queremos a todo o custo que a produção nacional cubra o consumo e se compensem os produtos que forçosamente o país tem de importar”, salientou.

Empréstimo abrange milhares

O Crédito Agrícola de campanha já beneficiou 3.274 camponeses organizados em cooperativas  agropecuárias e associações de camponeses. O montante disponibilizado foi de 490 milhões de kwanzas.
Simão Januário referiu que os bancos BCI, BPC e SOL são as instituições que lidam com os processos dos camponeses e têm disponibilizado os valores em função das facturas pró-forma apresentadas. “Oportunamente, o BAI vai juntar-se aos restantes operadores do Crédito Agrícola”, esclareceu.
O responsável da UNACA explicou que os camponeses não recebem os valores monetários disponibilizados em mão. A operação é feita pelos respectivos bancos junto dos fornecedores, que depois lhes entregam os inputs agrícolas e outros materiais para aumentarem os níveis de produção.
O ano agrícola estava bem encaminhado, com os camponeses satisfeitos com o progresso do plantio e a aguardarem grandes resultados, mas a estiagem pôs em causa as culturas.
Com uma certa tristeza, Simão Januário sublinhou que “os camponeses que mais sofreram foram aqueles que têm as suas  parcelas  de terra longe do rio ou de vales, uma vez que ficaram com a produção comprometida”. Dadas as circunstâncias, as autoridades estão a estudar modalidades para compensar os bancos credores, para que ninguém saia prejudicado.
A UNACA possui um programa destinado a ensinar os camponeses a estimular o processo de modernização da lavoura, abandonando as práticas tradicionais de produção no campo, que exigem muito esforço. “O programa procura, essencialmente, conduzir os camponeses a novas formas de actuação no campo, para evitar que, de futuro, o caso particular da estiagem seja um grande quebra-cabeças. Existem rios e lagos nas proximidades dos campos. Agora que muitos agricultores vão dispor de motobomba para facilitar o regadio em tempo de estiagem, o processo de produção passa a ser menos sofrido”, sublinhou.

Água e terra

Existe, em Benguela, muito trabalho para se fazer no campo. Empenhado no crescimento do sector agrícola, o Executivo está a reabilitar as estações zootécnicas do Cubal e Ganda, e a construir o centro de formação profissional, com vista à qualificação das novas gerações de agricultores.
“A minha esperança é que haja novos agricultores e novas gerações a apostarem no sector. É o maior desafio que temos pela frente. A profissão de agricultor tem de ser multifuncional”, salientou.
Dadas as características do meio rural em Benguela, a agricultura pode criar multifuncionalidades com o turismo rural, o ecoturismo, a exploração de espécies cinegéticas, as envolventes, como a gastronomia ou o artesanato.

Feira no Balombo e Caibambo

O município do Balombo realizou a denominada feira do feijão, por ser o produto que resultou da safra agrícola na localidade em quantidade considerável, enquanto o Caibambo apresentou a feira da galinha. Estas iniciativas ajudam a promover mais actividades semelhantes nos restantes municípios.
As feiras são um importante canal para a comercialização dos produtos do campo que, muitas vezes, encontram entraves ao escoamento para as grandes cidades, onde o poder de compra é maior. O objectivo principal é a promoção das trocas comerciais, estimular a produção e o consumo.
A Administração Municipal, na qualidade de organizador, define os regulamentos do certame, datas de realização, horário de funcionamento, perfil dos expositores e estabelece as regras do evento. Dentro das regras estabelecidas, compete aos expositores tirarem o máximo aproveitamento do espaço disponível, divulgar os seus produtos, equipamentos, maquinaria, inovações e serviços.
Os agricultores enfrentam sérias dificuldades com o escoamento dos produtos e para evitar a deterioração dos mesmos começaram a ser realizadas na província de Benguela feiras rurais, certames que estão a ter algum sucesso, principalmente na agricultura familiar, por estar a atrair consumidores das cidades de Benguela, Lobito, Baía Farta e mesmo do Huambo e Huíla.
“As feiras não vieram substituir os mercados informais de venda de produtos hortícolas. Às vezes, possuem alguns problemas de infra-estrutura, como a falta de arborização, de estacionamento, principalmente quando há trânsito “irritante” nas vias onde as mesmas são realizadas”, concluiu o presidente da UNACA, em Benguela.

Fonte: JA

Siga-nos

0FansCurti
0SeguidoresSeguir
0InscritosSe inscrever

Últimas notícias

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.