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Catoca dá a volta à crise

A Sociedade Mineira de Catoca sofreu os efeitos da crise internacional, mas este ano vai duplicar a facturação com a exploração de diamantes. Localizada na Lunda Sul, em Angola, tem o 4.º maior ‘kimberlito’ a céu aberto do mundo.

A Catoca sobreviveu à crise e dá sinais de crescimento. Com mostras de vigor após a avassaladora crise económica e financeira que assolou o mercado internacional, a Sociedade Mineira de Catoca facturou 611 milhões de dólares em 2011. Mas as boas notícias não ficam por aqui. Segundo o director-geral, Ganga Júnior, que falava no Dia do Mineiro, a 27 de Abril, a facturação «deverá duplicar no presente ano económico».

A Sociedade Mineira de Catoca é uma empresa angolana de prospecção, exploração, recuperação e comercialização de diamantes, localizada na Lunda Sul, a 35 quilómetros de Saurimo, capital da província. Ocupa uma área estimada em 64 hectares, o que faz do complexo o quarto maior ‘kimberlito’ do mundo a céu aberto. A empresa sofreu com a crise económica e financeira que afectou os mercados em todo o mundo, com grande incidência no sector dos diamantes, que levou a uma redução de até 50% dos preços em 2008.

A crise levou também os bancos internacionais a diminuírem os créditos para a compra e venda de diamantes que, não constituindo bens de primeira necessidade, acabaram por ser um dos sectores mais lesados. A ‘ameaça’ levou a Catoca a adoptar uma acção estratégica para sobreviver à crise. A empresa reorganizou-se de forma a reduzir despesas e investimentos, e foram terceirizados – a favor de parceiros – os serviços de apoio às actividades da companhia.

Stocks reforçados

Tendo em vista a previsível estabilização dos preços e a salvaguarda do emprego dos seus trabalhadores, a Catoca suspendeu a comercialização de diamantes, reforçando os stocks. Para suportar os custos operacionais, recorreu a financiamentos de curto prazo, na ordem dos 50 milhões de dólares. E, com esta estratégia, sobreviveu à crise, dando agora sinais de crescimento. «Foram adoptadas uma série de estratégias que permitiram à Catoca sobreviver à crise, não pondo em nenhum momento em causa o emprego dos seus trabalhadores», disse Ganga Júnior. A facturação de 611 milhões de dólares de 2011 gerou um lucro de 141 milhões de dólares e serviu para entregar, entre contribuições e impostos, 170 milhões de dólares aos cofres do Estado.

Novas minas

Com os níveis de exploração que a companhia regista, a Vila Mineira de Catoca poderá ser explorada até ao ano de 2034. Para diversificar a actuação, a empresa detém participações no Projecto Luemba, situado na Lunda Sul, que tem como data prevista de arranque o ano de 2014, após o estudo, em curso, de implantação da mina. O ‘kimberlito’ do Tchiuso, no Projecto Luemba, possui uma área de 15 hectares e uma reserva estimada em 30 milhões de quilates.

À semelhança da participação no Projecto Luemba, a Catoca possui mais sete concessões mineiras nas províncias da Lunda Norte, Kwanza Sul e Bié, estando em curso programas de investigação geológica-mineira. Segundo Ganga Júnior, os dados recolhidos apontam para a existência de um elevado potencial de ‘kimberlitos’, ficando apenas por serem feitas as sondagens nestas zonas.

Depois dos anos de 2008 e 2009, a Catoca voltou a ‘abanar’ em 2011, à ‘boleia’ dos desequilíbrios nas economias dos tradicionais clientes. Com a redução da procura no mercado internacional, os preços dos diamantes baixaram até 20% face ao actual, ou seja, 85 dólares por quilate.

Os tradicionais mercados dos EUA e Europa

Apesar de a empresa ter hoje 80% da sua produção destinada à Índia e à China, Ganga Júnior explica que os maiores consumidores finais ainda são os mercados norte-americano e europeu, pois os minérios lapidados na Índia e na China ainda têm como destino os próprios mercados internos.

A Catoca produz actualmente 6,5 milhões de quilates por ano, um número que vai ao encontro à capacidade instalada naquela mina. Com este nível de exploração – e tendo como base os dados actualmente disponíveis –, a Vila Mineira de Catoca poderá ser explorada até 2034.

A Catoca constitui a maior empresa a desenvolver actividade na Lunda Sul, ‘pesando’ sobre ela a responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento daquela parcela de terra de Angola. Neste âmbito, a Catoca tem desenvolvido uma série de projectos com destaque para os apoios aos sectores educativo e da saúde.

Responsabilidade Social

A empresa também tem promovido a construção de infra-estruturas para servir a Catoca e a sua população. Neste momento, um posto de saúde, com as especialidades mais solicitadas, está em fase de acabamento, servindo para atender os trabalhadores, seus familiares e as populações vizinhas.

Em parceria com o Governo da Província da Lunda Sul, a Catoca tem ainda desenvolvido programas que visam a construção e reabilitação de escolas. Para melhorar as condições de habitabilidade dos seus trabalhadores, está igualmente em vista a construção de uma vila residencial, que contará, numa primeira fase com 1.500 casas.

Mas há mais acções de responsabilidade social na envolvente do projecto: a Catoca ajudou a criar cooperativas que visam o desenvolvimento da agricultura e pecuária. No âmbito da preservação ambiental, Ganga Júnior garantiu que têm sido desenvolvidos programas no sentido de mitigar os resultados que advêm desta actividade, que o responsável reconhece ser hostil ao meio ambiente.

Fonte: SOL

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