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Aumentam os assaltos em Luanda

As ruas de Luanda continuam a transportar  perigo. Quer nos acidentes quer nos assaltos à mão armada, que vão sendo relatados pela imprensa e pela observação popular, que lamenta a ausência da acção policial.

“A polícia não age com prontidão aos casos e isso permite que alguns marginais actuem, impunemente, com armas de fogo nos estabelecimentos comerciais, de forma rápida, como nos filmes”, lamenta o proprietário de uma cantina, no bairro da Samba.

O cidadão guineense diz ter sido assaltado este ano, pela quarta vez consecutiva, pelos mesmos indivíduos, que se fazem habitualmente transportar  numa scooter, as motas rápidas que “fintam” o trânsito em Luanda.

“Sinto-me aterrorizado.Cada vez que vejo a porta da loja a abrir-se,  penso logo no que me pode acontecer, caso tenha a caixa sem dinheiro”, desabafa o comerciante, que estuda com a vizinhança, uma forma de defesa contra os meliantes.

Residente há quatro anos em Luanda, Diallo é um jovem de 32 anos, que acreditou no sonho da emigração, ao conseguir, através de familiares, estabelecer-se em Angola, com um pequeno negócio. Muçulmano pela religião e africano pelo coração, o jovem cumpre o ritual diário da vida, trabalhando na sua cantina, habilmente decorada pelo seu bom gosto. A clientela deixa-se levar pela sua simpatia e é no estabelecimento de Diallo que encontra os produtos mais procurados.

Os amigos do alheio, não se fizeram esperar. Encontraram ali, a fonte dos seus prazeres e volta e meia tomam de assalto a cantina, para se apoderarem da receita em caixa.

“Da primeira vez, em Dezembro tinha a loja cheia de gente e entrou um dos bandidos que me apontou ao peito uma kalashnikov que trazia dentro do blusão”, relatou-nos, “exigindo todo o dinheiro em meu poder”. Diallo não teve tempo de se defender e preferiu ceder aos intentos do meliante. Evitara um derrame de sangue, salvando a sua vida e a dos seus clientes.

Da segunda vez, conta-nos, o mesmo grupo de dois indivíduos protagoniza novo assalto no maior à vontade deste mundo. Dirigiram-se à arca onde conserva as bebidas, e num gesto rápido aponta a arma ao comerciante, que mal tem tempo para reagir. A acção precipitada deu para identificar um dos ladrões, pela série de brincos cravados numa das orelhas.

Diallo não se controla e investe contra o larápio. Desta vez os disparos aconteceram e no final da contenda ganhou duas valentes coronhadas na cabeça, espalhando  sangue pelo estabelecimento. A vizinhança alarmada pelos disparos assistiu impotente à acção e nem ousou chamar a polícia, permitindo que os ladrões se escapassem rapidamente.

Na terceira operação inverteram-se os papéis. O ladrão de piercing resolve aguardar na scooter a intervenção do seu “colega”, que logrou os seus objectivos, subtraindo de Diallo, todo o dinheiro em caixa.

O quarto assalto foi realizado pelo primeiro assaltante,  sob disfarce conseguindo uma vez mais levar por diante a  acção criminosa.

Diallo confessa-se saturado e pensa trocar Angola pelos Estados Unidos, a conselho de familiares.

A história deste imigrante africano ilustra a passividade com que muitas vezes reage a nossa polícia, perante casos de criminalidade, que voltam a tomar conta das ruas e  outros lugares comuns de Luanda.

Ultimamente têm ocorrido crimes de assalto à mão armada na zona da Samba, vulgo NZamba II, Coréia, Cassenda e outros bairros periféricos de Luanda, a coberto da escuridão, resultante das constantes falhas de energia eléctrica, na capital do país.

As unidades móveis da polícia parecem não ter acção concertada com as brigadas motorizadas de acção preventiva, para fazerem face ao  surto de criminalidade que ultimamente tem assolado a cidade de Luanda. Normalmente não conseguem atender as inúmeras queixas dos cidadãos lesados, facto que tem levantado alguma apreensão.

As armas de fogo utilizadas nos assaltos provam que o processo de desarmamento da população  não devia ser  encerrado, carecendo de maior sensibilização e intervenção das autoridades policiais do país, sobretudo, com a aplicação de medidas enérgicas  aos infractores.

A paz social que todos pretendemos exige acção contínua, designadamente na garantia da segurança de pessoas e bens.

Fonte: Portal de Angola/A. Santos

 

 

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