InicioAngolaRegiõesCasa no morro torna água potável difícil

Casa no morro torna água potável difícil

As populações das encostas do Morro do Tchizo e do bairro Comandante Gika, em Cabinda, têm dificuldade em obter água potável. As donas de casa são obrigadas a percorrer distâncias. Mas o secretário provincial em exercício da Energia e Água, Filipe Barros, diz explica porquê: “As casas foram construídas em zona de risco. Há um projecto de asfaltagem da estrada que dá acesso ao bairro. Só quando a estrada estiver concluída vamos instalar a conduta de água”.
Cristina Simba, 39 anos, moradora no Morro do Tchizo, diz que há mais de dez anos que as torneiras deixaram de jorrar água. Mãe de seis filhos, Cristina perde a esperança de voltar a ter água corrente em casa e a partir dos fontanários públicos. “Todos os dias, compramos água nos camiões cisterna. A situação agrava-se quando não temos dinheiro para comprar”, diz Cristina Simba.
Teresa Simba, outra moradora há quatro anos na zona montanhosa do Tchizo, também junta a sua voz para também pedir para se resolver a situação. Com um parto fresco, Teresa Simba vive sozinha e diariamente é obrigada a transportar na cabeça um bidão de 25 litros de água, comprado a 50 kwanzas.
“Os meus filhos são pequenos, não tenho ninguém que possa ajudar-me acarretar água, atendendo ao estado que me encontro”, diz Teresa Simba, frisando que é difícil enfrentar esta situação, para quem vive no ponto mais alto da montanha.
“Peço ao governo para ajudar-nos a ultrapassar a situação da carência de água”, diz, dirigindo-se ao governo provincial liderado por Mawete João Baptista.
Situação semelhante vive o Bairro Chiueca, onde quatro mil habitantes precisam de aceder à água em melhores condições. A alternativa dos moradores é utilizar água tirada das cacimbas para outras tarefas domésticas.

Conclusão da estrada

O secretário provincial em exercício da Energia e Águas, Filipe Barros, diz estar ao corrente da situação, mas acrescenta que primeiro é preciso concluir a asfaltagem da estrada, infra-estrutura que inclui a conduta principal de passagem da água para o interior do bairro.
“Trata-se de um projecto combinado que envolve a integração de infra-estruturas para vários serviços sociais, água, telefonia fixa e móvel e electricidade”, esclarece Filipe Barros, acrescentando não ser possível a realização de qualquer intervenção nos bairros sem a conclusão dos trabalhos da asfaltagem.
Apesar disso, Filipe Barros explica que a secretaria provincial da Energia e Águas, no interesse de minimizar a situação, tentou recuperar um pequeno sistema de captação de água (poço) deixado pelos cubanos que construíram o Bairro Uneca, com seis chafarizes que abastecem a área, mas devido ao êxodo populacional ele já não é suficiente para a procura.
A dificuldade no abastecimento de água potável às populações que residem nas encostas do Morro de Tchizo reside na localização do bairro, que está num local bastante inclinado, tornando complicado o bombeamento do precioso líquido para as zonas elevadas mais esforços estam a ser feitos para melhorar a situação.

Estações elevatórias

Para Filipe Barros, a situação só é ultrapassada com a conclusão das obras de recuperação do sistema da Fortaleza, empreendimento que permite a instalação de algumas estações elevatórias.
“Nas estações elevatórias serão instaladas bombas na zona de baixa altitude e tanques a montante, para que a água que vem do sistema da Fortaleza seja acumulada num depósito e através do sistema de gravidade abastecer-se os moradores”.
Filipe Barros anunciou que actualmente estão a ser produzidos 420 metros cúbicos de água por hora, dos quais 120 a partir da estação de tratamento de água (ETA 1) e 300 na (ETA2).
A par da recuperação do sistema de produção e tratamento de água da Fortaleza, estão a ser construídos quatro sistemas de produção e abastecimento de água potável às populações avaliados em quatro milhões de dólares, inseridas no Programa de Investimentos Públicos (PIP) de 2012. As obras são realizadas na zona sul da cidade de Cabinda e nas Comunas de Dinge e Necuto.
O sistema de produção e tratamento da Fortaleza produz, actualmente, 45 mil metros cúbicos de água por hora e com a conclusão da reabilitação passa a produzir 110 mil metros cúbicos por hora, garantindo a distribuição do precioso líquido às localidades de Fortaleza, Ngoyo, Sende, Santa Catarina, Povo Grande e aos moradores das encostas do Morro do Tchizo.
“O aumento dos níveis de produção do sistema de produção e tratamento da Fortaleza permite melhorar a distribuição de água. o volume de água produzido hoje não satisfaz as necessidades”, refere Filipe Barros.
Se as populações do morro de Tchizo e as do bairro Comandante Gika podem em breve ver solucionado o problema de água potável, o mesmo não acontece com as da Comuna de Dinge. Filipe Barros salienta que a localidade se depara com falta de rios e o único furo artesiano que produzia água secou devido às poucas chuvas. A solução é instalar na sede comunal do Dinge uma estação de produção e tratamento com capacidade de 25 metros cúbicos por hora, sistema sustentado com o rio que atravessa a aldeia da Beira Nova.

Vandalização dos chafarizes

A secretaria provincial de Energia e Águas pretende acabar com a construção de chafarizes devido à vandalização dos equipamentos. Os chafarizes são um serviço não rentável e as torneiras são roubadas para o fabrico de brincos e pulseiras.
“A população consome a água a custo zero, sem pagar nada. Isso não pode continuar assim, porque o sector fica sem recursos financeiros para suportar as avarias ou para mais investimentos”, afirma, anunciando a instalação de contadores ou medidores de caudal nos domicílios para determinar o volume de água gasto pelo consumidor.
A instalação de contadores domiciliários permite arrecadar receitas, rentabiliza o investimento feito e evitar o desperdício de água.

FONTE: JA

Siga-nos

0FansCurti
0SeguidoresSeguir
0InscritosSe inscrever

Últimas notícias

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.