InicioAngolaPolíticaAplicação do acordo ortográfico carece de correções ao documento

Aplicação do acordo ortográfico carece de correções ao documento

O Ministro da Educação, Pinda Simão, afirmou ontem, em Luanda, que foram identificadas “algumas insuficiências” susceptíveis de originar “implicações negativas” na aplicação dos instrumentos do Acordo Ortográfico.
Pinda Simão, que falava na Assembleia Nacional num encontro de esclarecimentos sobre a situação do Acordo Ortográfico de 1990, defendeu a necessidade de se proceder a “algumas correcções”, para que o acordo seja adoptado e aplicado no ensino, cultura, e função pública do país.
O ministro da Educação explicou que o encontro com os deputados da Assembleia Nacional serviu para informar o Parlamento sobre o que foi desenvolvido nos últimos anos em termos de preparação de Angola no que diz respeito a posição do país em relação à ratificação do acordo ortográfico.
O ministro acrescentou ainda que foram identificados problemas, que foram discutidos com os membros da CPLP, assunto este que foi levado inclusive ao Conselho de Ministros da CPLP, que recomendou um estudo por parte dos ministros da Educação e da Cultura, dos respectivos países.
“O objectivo estabelecido por Angola foi alcançado, e o assunto sobre o acordo foi reaberto, o que significa que há uma discussão entre os países membros, para em conjunto construirmos os elementos de correcção, onde Angola vai assumir a posição que lhe cabe no que concerne ao papel de membro integrante e líder da CPLP”, disse.
O ministro declarou que o acordo ortográfico não teve em conta a realidade das línguas nacionais africanas, e que a representação gráfica de determinadas palavras não tem em conta a realidade sócio linguística dos povos africanos, o que, no seu entender, pode criar dificuldades no ensino. “Nesse sentido não haveria critérios para escolher a grafia, porque em termos de transmissão e rigor pode constituir problemas para as crianças, em especial as que ingressam no sistema de ensino primário”, defendeu.
Pinda Simão recordou que o acordo ortográfico tem 21 bases. “Foram encontrados constrangimentos em 20 bases, que requerem correcções, porque só assim tornará o acordo um instrumento a ser aplicado sem conflito”, disse.

O ministro reconheceu também que existem algumas dificuldades quer a nível cultural e linguístico, mas também se colocam inquietações em relação a recursos financeiros. O ministro referiu-se aos manuais, realçando que nos últimos dois anos, foram produzidos mais de 70 milhões de manuais escolares que estão no mercado, cuja execução custou mais de 200 milhões de dólares. “Qualquer alteração decorrente da aplicação do acordo vai implicar a retirada de circulação destes manuais e a sua substituição por outros”, adiantou.
O deputado parlamentar João Melo disse que o objectivo do encontro é de inteirar os deputados sobre o ponto de situação dos trabalhos e de reflexão sobre a atitude que a Assembleia deve tomar em relação ao assunto. Trata-se, segundo disse, de um “trabalho de reflexão e de estudo abrangente” coordenado por uma delegação multissectorial do Executivo.

FONTE: JA

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