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Unicargas de olhos postos no mundo

A Empresa Pública de Transportes de Cargas (Unicargas) lança o olhar ao mercado internacional, com realce para países como a Namíbia e África do Sul, numa altura em que prepara as condições para cobrir todo o território nacional.
Com o advento da paz, as alternativas para o transporte de mercadorias para todas as províncias e regiões do território nacional deixaram de estar confinadas aos aviões de carga e navios. Hoje, as opções para os agentes económicos são diversas e concorrem no mercado nacional várias empresas de transporte rodoviário. “Estamos neste mercado mas pretendemos alargar o nosso raio de acção para os países vizinhos, com realce para a Namíbia e a África do Sul. Queremos fazê-lo para cobrir toda esta necessidade de transporte. Não vamos fazer concorrência desleal, mas sim representar mais uma opção para os agentes económicos”, afirmou o director-geral da Unicargas, Abel Cosme.
A empresa está a consolidar a sua presença em algumas províncias do país, com destaque para as de Cabinda e Cunene, onde existe ainda um acentuado défice de transportes rodoviários. “Vamos estender os nossos serviços a Cabinda para apoiar o seu desenvolvimento”, salientou. No Cunene, a intenção é cobrir toda a região da província, mas também a zona fronteiriça, uma vez que faz fronteira com a Namíbia e esta, por sua vez, com África do Sul. “Toda essa área é dominada pelos sul-africanos neste negócio. Parte da carga que é importada ou exportada por Angola é, em grande medida, transportada por meios rodoviários. E este mercado tem sido dominado, até agora, por empresas sul-africanas e namibianas”, reconheceu, expressando a intenção de a Unicargas entrar, a breve trecho, nesse mercado.
“Apercebemo-nos disso e achamos que a Unicargas deve participar também neste mercado e, quem sabe, ir buscar carga ou mercadorias à África do Sul. Estamos a preparar-nos para começar a transportar carga da Santa Clara para os países circunvizinhos”, sublinhou.
Para dar corpo a esta intenção de expansão, modernização e uma possível internacionalização da empresa, pelo menos em países como a Namíbia e África do Sul, a Unicargas realizou um investimento global de 35 milhões de dólares, numa altura em que perspectiva aumentar o valor do investimento em 70 milhões de dólares.
Abel Cosme disse que o aumento do investimento reside no facto de só a reabilitação do cais e a aquisição de equipamento requererem investimentos avultados. “Vamos procurar concretizar todos esses projectos. Temos de cobrir o país todo”, realçou, reconhecendo que, fruto destes investimentos, a empresa melhorou as suas performances.
Se, anteriormente, apenas era possível fazer seis movimentos, actualmente passou a fazer 15 ou 18 por hora, um claro indicador da boa performance dos terminais de carga. A influenciar o bom desempenho está o facto de os anteriores congestionamentos no recinto do terminal terem acabado, o que se reflectiu numa significativa melhoria da sua relação com o cliente. “Já não tem de esperar muito tempo para receber a sua carga”, sublinhou.

Com os softwares específicos para gestão do terminal, passou a haver mais facilidade para a actividade da empresa, que era feita manualmente. “Mas tudo está a ser possível porque houve uma aposta no capital humano com formação contínua”, realçou.

Plataformas logísticas e frotas

A Unicargas pretende construir centros logísticos nas províncias de Benguela, Cabinda, Cunene e Malange. Abel Cosme diz que os investimentos já foram feitos desde o início de 2009 e devem continuar até 2014.
O ministro dos Transportes Augusto Tomás acredita que com a execução do programa de modernização do Ministério dos Transportes ficam criadas as condições para implantação das plataformas logísticas portuárias, urbanas, regionais, transfronteiriças e aéreas junto dos aeroportos internacionais de Luanda, Catumbela e no Lubango, o que abre espaço para ampliar a actividade da Unicargas e das demais empresas públicas de transportes.
Também operadora portuária, a Unicargas fez investimentos na recuperação de um parque de 3,5 hectares para armazenagem de contentores cheios e está a recuperar uma área de 1,5 hectares para contentores vazios e equipamentos. Paralelamente, está a equipar os cais com gruas modernas no Porto de Luanda.
Relativamente ao transporte rodoviário, a Unicargas tinha, em 2008, cerca de 55 camiões. Hoje, conta com cerca de 375 viaturas, tendo sido ampliada em 200 por cento, na altura em que se melhoraram os níveis de produtividade com a introdução de novos instrumentos de gestão tecnológica no terminal polivalente da empresa e foi incrementado o sistema de monitorização de frotas.
O director-geral da empresa acredita que, com a actual frota, fica facilitada a expansão da empresa. Antes, apenas em Luanda, agora já no Lobito, sendo que está para breve a sua instalação na província de Cabinda e, ainda antes de Agosto, deve instalar-se em Santa Clara, no Cunene. Em Cabinda, explicou, a implantação da empresa justifica-se pelo facto de haver um défice de transportes rodoviários face à imensa e gritante procura de transporte de mercadorias por parte dos agentes económicos, geralmente angolanos. Estas mercadorias são descarregadas em Ponta-Negra, Congo Brazzaville, e são sempre transferidas para Cabinda para fins de consumo.

Produtividade e estabilização dos preços

A melhoria dos indicadores de produtividade e o aumento do resultado líquido em mais de mil por cento foram factores de destaque em 2009. A Unicargas quer contribuir para o desenvolvimento do país prestando um serviço de máxima qualidade, promovendo uma contenção de custos de transporte em Angola.
A produtividade da empresa conheceu significativos incrementos demonstrados pelo volume de cargas manuseadas nos últimos anos. Em média, a empresa movimenta 1,9 milhões de toneladas de mercadorias diversas.
Em relação à carga em contentor, foram manuseadas, em média, cerca de 197 mil, enquanto o transporte rodoviário cifrou a sua média em 947 mil toneladas em todo território nacional. Abel Cosme disse que a empresa tem consciência do seu papel na estabilização dos preços e custos dos transportes no mercado nacional. Por isso, explicou, foram concluídos projectos como o parque de contentores do terminal polivalente, a abertura de centros logísticos na Catumbela, Cabinda, Santa Clara, Luanda e Malange.

Empresas felizes

“Hoje é dia de aprendermos coisas novas, é dia de aprofundarmos os laços de amor no local de trabalho. Todos juntos, vamos continuar a trabalhar para o desenvolvimento do nosso país para que o nosso povo seja cada vez mais feliz e tenha cada vez mais bem-estar. É por isso que o sector decidiu promover este ciclo”, salientou Augusto Tomás, ministro dos Transportes.
Com as palavras positividade e felicidade estava lançado o mote para o início de um ciclo de 12 seminários, que deve estender-se até dia 30. As empresas do sector dos transportes vivem, desde o passado dia 26 de Abril, uma experiência que apela à necessidade de fortalecimento da dimensão espiritual, a par de aspectos relacionados com a necessidade de crescimento da empresa.
Os seminários, além de Luanda, também vão ser realizados nas cidades de Cabinda, Soyo, Lubango e Namibe. O primeiro, realizado na capital do país, foi dirigido aos trabalhadores das empresas TCUL, ABAMAT e Caminhos-de-Ferro de Luanda (CFL). Espera-se que o “exército” de 16 mil trabalhadores participe da construção de um sector que olhe para o trabalhador com humanidade, respeito e amor.
“Normalmente, os seminários são dirigidos a funcionários de topo. Não é comum organizar um para os trabalhadores de base. Decidimos fazê-lo por considerarmos que sem vocês, trabalhadores, nada é possível. Só convosco Angola pode crescer”, disse o ministro Augusto Tomás ao proceder à abertura do seminário dedicado à Unicargas. São os trabalhadores, prosseguiu, que fazem as empresas andar.
“Se é verdade que os camiões, autocarros, comboios, navios e aviões não andam sem combustível, também é verdade que não andam sem o empenho da mente, do corpo e do coração”, realçou, numa intervenção pautada pela positividade que, como disse, “deve tocar e abrir os nossos corações”.

FONTE: JA

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