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Salas superlotadas no Cazenga complicam aprendizagem

É conhecida como escola grande do Cazenga e pequena não é a quantidade de alunos que as salas de aula registam, neste ano lectivo de 2012, segundo constatou O PAÍS no princípio da tarde de Quarta-feira, 25, numa reportagem efectuada no estabelecimento de ensino registado com o número 7043, onde se leccionam classes entre a 10ª e 12ª do nível secundário do II Cíclo, de acordo com os padrões da Reforma Educativa.

Importa referir que a denominação actual é apenas a nova cara do anteriormente considerado ensino pré-universitário, abreviado em PUNIV.

Quando a nossa reportagem chegou à entrada da escola, o ponteiro pequeno do relógio percorria o espaço que separa as horas 12 e 13, tempo oportuno para abordar alunos dos períodos da manhã e da tarde, já que aqueles saem enquanto estes entram.

Chico-dass, estudante da 11ª Classe, na opção ciências humanas, foi o primeiro a manifestar a sua preocupação com a superlotação da sala onde estuda.

“Na minha sala, somos 80 e tal alunos que frequentamos as aulas diariamente, isso para não falar daqueles que vêm de vez em quando e dos que, mesmo não assistindo as lições se consideram estudantes activos da turma, com a agravante de nos assegurarem que vão ficar aprovados”, lamentou, tendo revelado que a maior parte dos discentes dessa categoria são taxistas ou candongueiros.

Preocupado com o fraco aproveitamento que avalia de si e dos seus colegas, ele considera a situação como sendo bastante vergonhosa, já que, repetidas vezes, alguns alunos, como já foi o seu caso, têm de se sentar de qualquer jeito.

Chico-dass não entende como os professores da “escola grande” vivem impávidos perante esse quadro desolador, já que, a seu ver, o cenário acaba por afectar também o desempenho dos docentes, e, por efeito, o seu rendimento como profissionais do ensino.

Por causa disso, o estudante da 11ª classe apela à direcção da instituição para dar à volta ao problema.

“A escola grande é mesmo grande e a nossa direcção deveria erguer aqui no quintal mais algumas salas, ainda que fossem construídas de madeira ou de outro material de construção facilmente removível”, opinou, explicando que, desta forma, se poderiam separar «as duas turmas» que estão consignadas em cada sala. Vale lembrar que, em tempos não muito longínquos, no espaço deste PUNIV do Cazenga, que anteriormente funcionava como ensino do terceiro nível albergando a 7ª e 8ª classes, foram construídas mais duas escolas do ensino primário.

Na verdade, quando a Reforma Educativa começou a ser implementada, por volta do ano 2003, defendeu-se a regra de cada turma possuir 35 alunos, sendo que mais dez tolerar-se-iam, para o caso de considerar uma turma excessivamente lotada.

A política de tal enquadramento discente por cada sala justificou-se, em inúmeras ocasiões, para que o professor e os alunos tivessem e estivessem em condições adequadas ao melhor andamento do processo de ensino-aprendizagem, rigorosamente no âmbito da reforma educativa.

Aliás, foi a isso que se cingiu um aluno da 12ª classe, que preferiu o anonimato, ao ponto de desabafar que “os homens do Governo conceberam e aprovaram regras que eles próprios se apressaram a atropelar, colocando professores e alunos sem muitos recursos de, respectivamente, ensinar e aprender.

O entrevistado deste jornal salientou ainda outro pormenor que o preocupa, desde que ouviu falar da reforma educativa.

“Eu acho que o Executivo já deu conta das gritantes insuficiências que esse sistema causou na educação, mas não tem coragem de renunciar ao mesmo”, referiu, acrescentando que avalia mais isso a partir do descontentamento denunciado dos professores, que se queixam de um cansaço constante, por terem de observar 24 tempos lectivos.

ENCARREGADOS OPTAM POR MUDANÇA DE ESCOLA
Dois encarregados de educação, que falaram à nossa reportagem disseram que estão a esforçar-se para tirar seus filhos da escola do II Cíclo número 7043, porque estão a notar um decréscimo dos miúdos, no que ao aproveitamento escolar diz respeito.

“Não acreditamos que, a continuar com cerca de 100 alunos, os professores consigam superar e orientar positivamente os nossos filhos, a fim de os preparar para enfrentarem os desafios da vida futura”, sentenciaram, recusando-se em avançar mais pormenores.

Desculpa dos que (co)mandam

A direcção da escola não aceitou falar sobre o fenómeno das salas cheias. Entretanto, alguns professores encontrados à saída do estabelecimento de ensino de nível médio admitiram as situações desagradáveis por que passam diariamente, devido à superlotação das salas, acrescentando que não têm muitas saídas para fazer discípulos nas diversas especialidades.

Informaram, igualmente, que a direcção da escola não tem culpas largas, porque eles recebem pedidos incontáveis dos seus superiores hierárquicos para a inserção deste ou daquele aluno.

“Estas solicitações acontecem antes e durante o ano lectivo”, declararam, para dar a entender que o número de alunos por turma”, na escola grande do Cazenga, ainda não parou por aí.

Finalmente, os professores disseram ter domínio de depoimentos de alívio criados pelos solicitantes, superiores hierárquicos de seus directores, segundo os quais parte dos alunos passará para a recémconstituída escola 7049, nas imediações da Frescangol, quando uma fonte desta instituição de ensino médio contraria essa possibilidade, alegando que a sua escola projecta o regresso dos seus alunos, actualmente afunilados na escola 7029, localizada próximo da Administração Municipal do Cazenga.

FONTE: O País

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