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Melhorias no trânsito do Cacuaco à Refinaria

As obras na Via Expresso Kifangondo/Luanda estão numa fase adiantada. De Cacuaco às imediações da Petrangol, o tráfego rodoviário é feito com tranquilidade e comodidade. Hoje quem passa por aquela estrada pela primeira vez nem faz ideia dos sacrifícios, antes consentidos, para se chegar a Cacuaco.

A ponte das salinas, destruída pela chuva em 2007, foi construída de raiz e as faixas de rodagem alargadas para três em cada sentido. A comodidade dos automobilistas e passageiros já não é a mesma de quem pretende atravessar a estrada de um lado para o outro. A falta de pontes ou passadeiras áreas, em todo o troço já reabilitado, preocupa os peões e condutores.

O perigo está sempre à espreita. Por isso, os peões, para atravessarem a estrada, devem prestar toda a atenção.
Caso contrário, correm o risco de ser atropelados, devido à velocidade excessiva dos automobilistas. Perante a ausência de passadeiras aéreas, os espaços deixados no separador central para a colocação de postos de iluminação pública têm servido de principal refúgio de quem quer atravessar a estrada, com a mínima segurança. Outros mais ousados pulam o separador, com todos os riscos que ai advém.

Voltar a ser criança

Madalena dos Santos Sebastião, 26 anos, moradora no bairro da Induve, considera a situação extremamente grave, na medida em que a estrada foi reabilitada sem se ter em conta o número de carros e de pessoas que nela circulam todos os dias.
“Quando chego aqui, torno-me uma criança, todo o cuidado é pouco. Normalmente, procuro atravessar onde estiver um agente de trânsito”, disse, acrescentando que a falta de passadeiras aéreas põe em risco muitas vidas humanas.
As pessoas ouvidas pela reportagem do Jornal de Angola foram todas unânimes em afirmar que a falta de passadeiras aéreas para os peões provoca muitos acidentes na via, todos os dias. A situação ganha contornos alarmantes devido aumento dos acidentes e assaltos a mão armada por falha constante da iluminação pública.
“Há muita insegurança, por falta de passadeiras aéreas, mas também os assaltantes aproveitam-se da situação”, diz Alberto Manuel.

Para contemplarmos bem o fluxo do trânsito subimos ao terraço de um edifício novo construído nas imediações de uma unidade hoteleira. A partir de cima, as imagens captadas pelo repórter de imagem Paulo Mulaza mostram a fluidez na circulação rodoviária e o perigo a que estão sujeito os peões.

Todo o cuidado é pouco. A estrada não tem quebra-molas e os automobilistas deslizam, sem obstáculos. Adélia Kapuakata, que todos os dias passa por aquela estrada, para ir para a escola, lamenta a falta de passadeiras ao longo da via e da velocidade dos automobilistas e dos moto-táxis. A jovem aponta os candongueiros e camionistas como os que mais põem em risco a vida dos peões. A mesma opinião é partilhada pela amiga, Adriana Chitula, 16 anos, que apesar de estar feliz pela reabilitação da estrada, lamenta as vidas perdidas de centenas de pessoas por causa da irresponsabilidade de muitos automobilistas. Para Adriana atravessar a estrada é um grande desafio. Por isso, sempre que pode, aproxima-se de um agente regulador de trânsito para atravessar a estrada com segurança. As ultrapassagens dos taxistas e camionistas não dão tréguas a ninguém.

A versão dos automobilistas

O camionista Angelino Tito, 35 anos, refuta as acusações dos peões e considera que se tem uma imagem dos camionistas que não corresponde com a realidade. “Um camião tem muitos pneus, por isso, mesmo que esteja a andar a 40 quilómetros por hora, pode dar a impressão de estar a circular a alta velocidade”, justificou.
Angelino Tito reconhece as melhorias na circulação na Via Expresso Kifangondo/Luanda, uma vez que já não enfrenta as longas filas de engarrafamentos de três anos atrás para chegar a Cacucao. Camionista há 14 anos, Angelino Tito usa a estrada do Cacucao para transportar material de uma empresa de construção civil que realiza obras na província do Huambo.

Elias Armando, 39 anos, é moto-táxi e exerce a actividade há 15 anos, com o transporte de pessoas e bens. Morador de Viana, Elias, antes da reabilitação da estrada, levava mais de uma hora de sua casa até ao Cacuaco, onde exerce a actividade de moto-táxi. Hoje, esse trajecto é feito em apenas 15 minutos.
A carta de condução de Elias Armando, da SADC, garante confiança e segurança aos passageiros que todos os dias usam os seus serviços – diz ele. Ima Domingos, residente em Cacuaco há 25 anos, uma das passageiras, reconhece que, entre todos os moto-taxistas daquela zona, Elias Armando é o mais responsável.

Realojamento

A reportagem do Jornal de Angola observou a demolição de várias casas no Bairro São Pedro da Barra. Henriques Pedro Muai, proprietário de três casas demolidas, vivia no local há 19 anos com duas esposas e doze filhos. Além das três casas, Henriques Pedro Muai perdeu também uma tabacaria.
Motorista de profissão, Henrique não ficou nada satisfeito quando lhe foi informado que seriam realojados no bairro Zango, na medida me que os filhos mais novos correm o risco de perder o ano lectivo devido à distância entre o novo bairro e São Pedro da Barra, onde estão a estudar. Os filhos mais velhos, que já trabalham e frequentam o ensino superior, têm de passar a viver sozinhos, sem os pais.
Henriques Pedro Muai disse que recebeu garantias do Instituto de Estradas de Angola (INEA) de que ia ser contemplado com três casas, mas sem a tabacaria.

No momento da nossa reportagem, um caminhão estava a ser carregado com cadeirões, camas, colchões e outros utensílios domésticos, pronto para transportar a família para o Zango. Apesar desta realidade, Henriques Pedro Muai, está consciente dos benefícios públicos que vêm do alargamento da estrada principal do Cacuaco.

Outra dificuldade que os técnicos encontram no terreno tem a ver com a existência de águas paradas, que não permitem o andamento normal dos trabalhos. Nos locais em que sai água, os técnicos colocam pedras, areia, terraplanam e põem uma base que suporta o asfalto. Manuel Bernardo Balanga, técnico de terraplanagem da empresa responsável pelas obras de reabilitação da Via Expresso Kifangondo-Luanda, disse que a demora na conclusão do troço deve-se às tubagens de água, colocação dos cabos eléctricos que estão enterrados ao longo da via e demolição de muitas casas para o alargamento da estrada.

Manuel Bernardo Balanga explicou que o processo da demolição das casas e o realojamento das famílias é da responsabilidade do Instituto de Estradas de Angola (INEA), que está a negociar com os proprietários dos imóveis ao longo da via para a respectiva indemnização.

De acordo com o técnico da Odebrecht, o prazo previsto para a conclusão das obras no troço que liga a Petrangol à rotunda da Boavista é de um ano e oito meses, e tudo é pago pelo Executivo. Manuel Bernardo Balanga disse ao Jornal de Angola que a sua empresa não construiu passadeiras aéreas para os peões por não estar previsto no contrato da obra. No contrato, explicou, só está previsto a pavimentação, asfaltagem, drenagem, iluminação pública e a colocação de passeios. Apesar de existirem postos de iluminação pública ao longo da via, às noites nem sempre há luz. O técnico justificou que a energia é da responsabilidade da Empresa Distribuição de Electricidade de Luanda (EDEL).

A Via Expresso tem um sistema de drenagem que permite escoar as águas para o mar, através de duas condutas colocadas nas bermas da estrada. As águas que saem do bairro da Induve passam por uma tubagem que desemboca na vala do bairro esperança, para que vai ao Balumuca. As águas que saem da Petrangol desaguam na vala que se encontra na Comarca Central de Luanda.

O troço da Petrangol a rotunda da Boavista

A paz e a tranquilidade que se vive no troço que liga Ngoma ao Cacucaco contrasta com o sofrimento infernal de quem circula na via que começa do Ngoma, passando pela Comarca Central de Luanda à rotunda da Boavista. Os buracos, o estreitamento da via, a poeira e a condução irresponsável de alguns automobilistas são os principais factores do sofrimento dos transeuntes da via. Transitar naquele troço é um calvário. A falta de vias alternativas dificulta mais o trânsito. A via que dá acesso ao bairro São Pedro da Barra também está em más condições, sobretudo nas imediações dos Tanques de Combustível até ao enchimento de gás.

As autoridades locais, mesmo com a ENCIBE ao lado, nem buracos conseguem tapar. Às noites, o perigo aumenta, os marginais aproveitam os engarrafamentos para assaltarem as pessoas que fazem a procissão diária, sobretudo quando saem do centro da cidade de regresso a casa. Os agentes reguladores de trânsito nem sempre conseguem pôr ordem no local. A directora provincial do Instituto de Estradas de Angola, Rosária Kiala, garantiu ao Jornal de Angola que as obras que começaram em 2007, na Via Expresso Kifangondo/ Luanda terminam já no mês de Julho deste ano e que estão dentro do prazo. Rosária Kiala garantiu que o projecto prevê passadeiras aéreas, que devem ser construídas dentro de alguns dias. O INEA, disse, só faz as demolições das casas depois de as famílias serem contempladas com novas residências no Zango para o seu realojamento. Rosária Kiala disse que a manutenção da via vai ser garantida pelo Departamento de Conservação de Estradas Nacionais do INEA. Em função da requalificação do Sambizanga, disse, os troços que ligam a Rotunda da Boavista ao São Paulo e ao Porto Comercial de Luanda não foram integradas no programa das vias que estão a ser reabilitadas.

“O Objectivo do INEA é melhorar de forma geral a Via Expresso Kifangondo/Luanda. Já se veem melhorias nos troços reabilitados. Por exemplo, o troço que vai do Cacuaco até à Refinaria. Neste troço só estamos a verificar transtornos nas zonas em que ainda fazemos alguns serviços”, afirma, confiante, Rosária Kiala.

FONTE: JA

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