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Danças populares estão em extinção

O director provincial da Cultura do Kwanza-Norte, David João Buba, disse ontem, em Ndalantando, que o desaparecimento paulatino das danças tradicionais locais, como a rebita, kaquilo, catonge, caboquele, dibungu, machambi, cacoxi, kissaca, cassanda e kissangi, está a preocupar o seu pelouro.
O responsável disse que muitas destas danças têm desaparecido devido à falta de apoios financeiros da maioria dos grupos da província. “É um erro que temos de resolver o mais depressa possível, porque as danças tradicionais têm um papel preponderante na transmissão e preservação dos valores culturais, visto antes serem praticadas em diversos rituais, além de usadas como mecanismo de socialização e divulgação da sabedoria popular”, disse David João Buba.
Outro entrave ao desenvolvimento desta arte é o facto da maioria dos especialistas as considerarem danças locais. “A ausência de estudos científicos sobre certas danças tradicionais, quase sempre delimitados por regiões, e o seu papel no mosaico sócio cultural da província é outro dos grandes entraves”, explicou.
Num estudo realizado pela direcção da Cultura, por via do método de observação, constatou-se que, exceptuando os óbitos, as danças tradicionais são cada vez menos usadas nos bairros e municípios do Kwanza-Norte. “Este tipo de situação piorou com a movimentação de certas comunidades para outras paragens, devido à guerra que assolou o país, e actualmente ocorre devido à ausência de estratégias de promoção”, explicou.
David João Buba realçou que a aculturação é outro aspecto a ter em conta no plano de preservação e divulgação das danças tradicionais da direcção da Cultura, visto que em determinadas actividades, como os óbitos, o estilo predominante é a dança manhara, proveniente de países como a Zâmbia e Namíbia. “É preciso que os jovens e a sociedade se interessem mais por estilos típicos do país e não por outros de fora, para o legado das próximas gerações estar assegurado”, disse.

O problema dos grupos

Há mais de 40 anos ligado à dança, João Torino disse que o catonge, estilo originário da comuna de Zavula, tinha como vanguarda o grupo “Havemos de Voltar”, por si dirigido, que deixou de se exibir há mais de seis anos, por falta de meios como harmónica, peles para o batuque e sobretudo viola.
O artista mostrou-se igualmente preocupado com a introdução de novos estilos, como a manhara, ou a lodi e a nambuangongo, provenientes de outros países, assim com o facto de nos óbitos o recurso constante aos aparelhos de som, com gravações de temas tradicionais, estar a tirar protagonismo aos grupos locais. O chefe de secção de massificação cultural na direcção provincial da Cultura do Kwanza-Norte, Gabriel António, destacou, por sua vez, o facto de alguns artistas locais, como Caló Januário, Desbunda e Irmãos Cudy, que dançam a cassanda nas suas actuações, estarem a dar um grande contributo à valorização da tradição local.
“Hoje, a maior parte das pessoas, principalmente os jovens, preferem as danças modernas em detrimento das tradicionais. É um erro, porque é até possível fazer uma fusão entre os dois estilos. Aqui já existe um ou outro grupo que tem apostado na mistura de estilos, como o kiamba maluco, que é uma junção de rebita, massemba e cazucuta”, frisou.
O estilo kiamba maluco, esclareceu, tem como referência principal, nos últimos 35 anos, o grupo Kala Ngafu, liderado há mais de cinco décadas por Félix António Xavier, de 74 anos.
Gabriel António destacou que uma das soluções para o problema da falta de promoção da música tradicional é a realização periódica de espectáculos locais, a gravação de discos com temas ligados a este estilo e a valorização daqueles que a produzem.
Informou ainda que a direcção provincial da Cultura do Kwanza-Norte vai realizar, no próximo mês de Junho, em Ndalatando, um festival de danças tradicionais locais, no qual vão ser apresentados os 24 estilos locais.

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