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Petróleo atinge máximos com diferendo iraniano

A 3 de Julho de 2008 o barril de petróleo atingia o seu valor mais elevado de sempre: USD 140,73 (barril Opep). A 16 de Setembro desse ano já se quedava nos USD 86,27.

O que se sucedeu é conhecido – soaram os sinais de alarme e a Opep reduziu, no início do ano seguinte, a sua produção conjunta. No conjunto do ano de 2008, o preço médio do barril Opep situou-se nos USD 94,45, mesmo assim o valor mais alto de sempre. Foi preciso esperar pelo último ano para ver esse valor superado. Em 2011 o preço médio do barril Opep elevou-se a USD 107,46. Um recorde que todavia, já foi superado, no escasso mês e

meio que o corrente ano leva. Não há dia em que não se atinjam novos máximos. O valor médio do preço do barril Opep em 2012 já vai em USD 113,24. A escalada do preço do barril de petróleo é evidente.

Fica-se a dever a quê? De imediato ao imbróglio desencadeado pelo programa militar iraniano, até porque a capacidade de oferta da Opep aumentou, mercê, em larga medida, da retomada da produção líbia.

Todavia há sinais que apontam no sentido da moderação dos preços.

Tanto a Agência Internacional de Energia (AIE) como a Opep vão revendo sucessivamente em baixa as suas previsões para o aumento da procura. E, embora se estime (de acordo com as projecções da Opep) que a procura mundial de petróleo cresça este ano para 88,8 milhões de barris diários (mbd), contra os 87,8 mbd registados em 2011, o crescimento mundial deverá desacelerar, passando de 3,6% no último ano para 3,4% em 2012. E, o que é mais significativo, tanto os países da OCDE, responsáveis pela absorção de mais de metade da oferta da oferta petrolífera total, como a China verão os respectivos ritmos de crescimento abrandar – de 1,7% em 2011 para 1,5% em 2012 e de 9% em 2011 para 8,2% em 2012, respectivamente. Também as condições particularmente severas do Inverno europeu e a desvalorização do euro não explicam a alta nos preços do crude a que se vem assistindo.

A explicação

Tudo leva pois a crer que os preços estão a ser insuflados pelo diferendo entre o Ocidente e o Irão, o segundo produtor da Opep, cuja produção habitual anda em torno dos 3,5 milhões de barris diários (em Janeiro já se situou abaixo disso, fixandose em 3,478 mbd). A resposta das autoridades iranianas ao anunciado embargo ocidental é o anúncio de cortes nos seus fornecimentos aos países europeus, responsáveis por 20% das exportações de petróleo iraniano. Terça-feira, enquanto o barril de brent cotava, no fecho da sessão, a USD 120,05, o nível mais alto desde Maio do ano passado, quando a guerra civil na Líbia conduziu a uma escalada nos preços, o governo iraniano avisou estar a ponderar ampliar o leque dos países visados pelos cortes no fornecimento de petróleo, para além da França e do Reino Unido. Também na terça-feira era divulgada a notícia de que a China, a Índia e o Japão, que, em conjunto, compram cerca de 45% das exportações iranianas de petróleo, planeiam um corte de, pelo menos, 10% nas importações de petróleo do Irão, na sequência da imposição de sanções ao país pelos Estados Unidos, as quais dificultam que os compradores asiáticos continuem a fazer negócios com o país.

Segundo um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ramin Mehmanparast, Teerão colocou novas condições para continuar a vender petróleo aos embaixadores de seis países europeus na capital iraniana. Essas condições incluem garantias de pagamento, contratos de longo prazo e a proibição do cancelamento unilateral dos contratos pelos compradores. Por outro lado, se o embargo da União Europeia vier a concretizar-se a partir do próximo dia 1 de Julho, o Irão deverá passar a contar com um excedente de 600 mil barris por dia, disponíveis para venda e Teerão estará já à procura de compradores alternativos para o seu petróleo.

Quem ganha e quem perde

Se a diplomata europeia Catherine Ashton assegura que a União Europeia está preparada para enfrentar uma ruptura do abastecimento de petróleo, encontrando-se em condições de garantir a segurança imediata dos stocks em caso de uma eventual ruptura. Ian Taylor, presidente-executivo da Vitol, a trading que é líder global em negociações de petróleo, afirmou, terça-feira, que o aumento nos preços do petróleo mais do que compensou o Irão pelas receitas perdidas com a queda nas exportações após as sanções impostas pelo Ocidente. Para tal também contribui, segundo Taylor, o declínio no valor do euro face ao dólar, que aumentou os custos das vendas denominadas na moeda americana para a União Europeia. “Os iranianos agora querem o preço tão alto quanto possível, uma vez que conseguem vender volumes menores.

Calculo que estão bem perto de ganhar com base nos números. Isso é o que toda a gente na indústria sempre pensou que poderia ser o resultado provável”, disse Taylor. “Os políticos estão todos a evitar o assunto neste momento mas, como vocês sabem, o petróleo está extremamente caro, especialmente em euros”, acrescentou. Se verá quem mais perde e quem mais ganha no que se assemelha, para já, a um ‘bluff’ colossal.

Fonte: O País

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