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Parceria fortalecida entre Angola e ONU

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, deu uma entrevista ao Jornal de Angola, durante a sua visita ao nosso país. Falou da reconstrução nacional, dos avanços na área da saúde e revelou que as forças de manutenção de paz das Nações Unidas precisam do apoio angolano em meios aéreos. Na sua entrevista falou igualmente dos problemas que afectam África e manifestou esperança de que o Executivo angolano ajude a resolver os problemas regionais e continentais, a exemplo do que acontece na Guiné-Bissau.

Como é que a ONU vê Angola?

Angola é um membro muito importante da ONU. Agora é ainda mais importante como presidente da SADC e da CPLP. O país joga um papel fundamental no continente africano, no sentido de juntar a comunidade africana. Estou muito satisfeito pelo facto de Angola ter alcançado a paz e a reconciliação nacional, pelo desenvolvimento socioeconómico que tem vindo a conhecer. Estou feliz por visitar Angola precisamente no décimo aniversário da paz sob a liderança do Presidente José Eduardo dos Santos. Há agora a grande possibilidade de fortalecermos a cooperação entre a ONU e Angola. Vamos fazer tudo para melhor cooperar com o governo angolano.

O que lhe diz o décimo aniversário da paz em Angola?

A guerra foi muito destrutiva, mas há dez anos que os angolanos e o governo de Angola têm conseguido a reconciliação nacional, e o desenvolvimento socio-económico e político. Isto é encorajador, e como membro importante da ONU e líder da região, acreditamos que Angola está em condições de fazer muito mais, em termos de fornecimento dos seus meios e capacidades na manutenção paz e segurança regionais, e também para o desenvolvimento do próprio país. Esta era a melhor forma de promovermos os direitos humanos e o bem do povo.

Como vê a situação na Guiné-Bissau?

Tenho tido algumas conversações com os líderes regionais a propósito da Guiné-Bissau. Falei com outros estados membros da União Africana, falei também com líderes do Brasil e Portugal, principalmente com os países lusófonos. Discuti com o presidente da Guiné-Bissau sobre os problemas do país e como eles podem ser solucionados. Conversámos sobre as formas de alcançar o progresso económico. A Guiné Bissau é um dos países mais pobres neste momento. O país precisa de estabilidade política e o apoio regional, principalmente de países como Angola. discuti estas matérias com a liderança angolana e quando tiver oportunidade tenciono visitar a Guiné-Bissau e ver como podemos ajudar a melhorar a situação.

Quais são os seus planos para mais um mandato na ONU?

Estou a cumprir um segundo mandato e agradeço ao governo de Angola pelo forte apoio para a minha reeleição. Pretendo neste mandato introduzir algumas reformas principalmente no que diz respeito ao apoio aos direitos humanos em todo mundo. Tenho tentado fazer com que a ONU se torne mais eficaz e também mais responsável. E o que esperamos é que os Estados membros consigam cumprir as suas obrigações, e alcancem os resultados esperados. É nesse sentido que tenho visitado alguns países como faço em Angola. E tenho visitado outros países no continente.

Neste segundo mandato vai estar voltado para o continente africano?

É prioritário resolvermos as questões africanas. Temos que encontrar soluções para reduzir a pobreza e garantir educação primária. É obrigatório ajudar as pessoas mais afectadas pela pobreza. Essas são questões pertinentes que fazem parte da agenda dos grandes desafios globais. São estas as grandes questões que assolam o continente africano. É por isso que vou reunindo com os líderes africanos.

Qual o papel de Angola nessa agenda para resgatar o continente africano?

Eu discuti sinceramente com o Presidente José Eduardo dos Santos sobre como Angola pode contribuir, com a sua liderança, para ajudar a resolver os problemas do continente. E ao mesmo tempo ver como é que Angola pode ajudar na manutenção da paz e segurança. Gostava de ver Angola fazer muito mais pela força de manutenção da paz das Nações Unidas, pois temos muitas operações no continente africano. E o que nós necessitamos neste momento é de capacidade aérea para apoiar essas nossas operações. Sei que Angola pode ajudar as Nações Unidas em termos de capacidade aérea, com aviões e helicópteros.

Como vê a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas?

A reforma do Conselho de Segurança tem sido um assunto debatido nos últimos 20 anos. Existem muitos debates à volta do tema e têm existido muitas negociações. Nos últimos três anos, os estados membros têm estado a acelerar as suas negociações sobre como reestruturar o Conselho de Segurança, indo de encontro as mudanças que ocorrem no mundo. Os Estados membros concordam em que o Conselho de Segurança seja reformado de modo a torna-lo mais representativo, democrático e transparente. E não há nenhuma dúvida sobre isso. Mas quando se vai ao fundo duma maneira detalhada sobre como alargar o órgão, como determinar os poder estados membros, com ou sem poder veto, não conseguiram chegar a um consenso. Espero que os estados membros acelerem as negociações, tendo em conta que o mundo mudou e o Conselho de Segurança deve ser reformado de maneira que lhe permita resolver os desafios globais de forma mais eficaz, particularmente as questões de paz e segurança.

Está satisfeito com a igualdade de género em Angola?

Angola tem alcançado alguns progressos e um dos pilares tem sido efectivamente a igualdade de género. Angola em África é um dos países modernos no que diz respeito à representatividade das mulheres. Basta ver que 38 por cento dos parlamentares são mulheres. Mas no que diz respeito à redução da pobreza eu espero que Angola faça mais. O país tem muitos recursos e tem capacidade para tal. Portanto, todos os recursos devem ser aproveitadas da melhor forma para reduzir a pobreza.

Tem elementos sobre os avanços na saúde em Angola?

Também estou satisfeito com os avanços verificados neste sector. Mas é preciso tirar o máximo proveito da educação, para que possamos reduzir a taxa de mortalidade, que é uma grande preocupação do Executivo de Angola. Temos de fazer mais para evitar as mortes causadas por doenças que podem ser prevenidas.

Como vê a campanha nacional para erradicar a poliomielite?

É muito importante e eu participei numa acção de vacinação. Angola já foi considerado livre da pólio mas, infelizmente, muito recentemente o país foi assolado, mais uma vez, pela doença. Existem outras áreas que devem ser atacadas, como a protecção do ambiente e eu estou pronto a cooperar com Angola de forma aberta em todas essas áreas, para que o país também esteja em condições de cumprir as Metas de Desenvolvimento do Milénio até 2015.

Angola está em condições de atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio?

Angola tem estado a alcançar resultados rápidos nalguns dos pilares fundamentais dos Objectiveis de Desenvolvimento do Milénio. No que diz respeito às questões de género, Angola é dos países modelos, não apenas em África, mas a nível global. Pelo menos 38 por cento dos parlamentares são mulheres, isto é muito significativo. No que diz respeito à redução da pobreza, esperava que Angola fizesse mais. O país tem recursos naturais e capacidades. E todos estes devem ser bem usados para a redução da pobreza, educação primária para as crianças. E também em matéria de VIH/SIDA, as taxas de mortalidade são ainda muito altas, é preciso reduzi-las significativamente. Há outras áreas em que precisamos de fazer mais. Estou pronto a cooperar de uma forma aberta com o Executivo de Angola na busca e realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015.

Fonte: Jornal de Angola

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