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washington investiga operações da cobalt e halliburton em angola

A Comissão de Merca dos de Capitais SEC e o Departamento de Justiça dos EUA, DOJ, decidiram converter em investigações as averiguações que tinham aberto relativamente às operações da Cobalt em Angola.

Obrigada por lei a notificar os seus accionistas sobre o risco da empresa vir a ser sancionada, a Cobalt fez saber na última terça-feira, em Luanda e em Houston, que depois de discussões informais a SEC decidiu abrir investigações.

“Nós temos estado a colaborar com o Departamento de Justiça que trata de processos criminais, e com a SEC que se dedica a questões do foro cívico, sobre se as nossas actividades em Angola estão em consonância com as leis americanas, particularmente sobre a corrupção de agentes estrangeiros”, divulgou a empresa.

As investigações em que a Cobalt se viu envolvida partiram de uma denúncia de Rafael Marques, que acusa aquela companhia de ter beneficiado dignitários angolanos na obtenção de licenças para exploração de petróleo. Os dignitários citados por Rafael Marques estariam ligados à Nazaki Oil e à Alper, empresas que juntamente com a Cobalt participam na exploração de vários blocos, sendo que a participação
destas teria sido custeada pela Cobalt.

Rafael Marques acusava aquela companhia de ter fechado negócio com empresas que violaram a lei da probidade administrativa em vigor em Angola, e de ter violado a lei sobre corrupção de agentes estrangeiros.

Actualmente nos Estados Unidos a convite da Universidade John Hopkins, Rafael Marques foi também o autor de uma investigação que levou
a Daimler Mercedes Benz a romper a associação com a Auto-Star.

Num press release distribuído em Março passado, a Cobalt admitia que estava a ser objecto de uma averiguação e citava a Nazaki Oil como tendo negado qualquer associação
a altos dirigentes angolanos.

Na nota de imprensa que distribuiu na terça-feira a Cobalt defendeu a mesma posição. “Nunca trabalhámos com a Nazaki pelo que o nosso entendimento a seu respeito é muito
limitado”.

Pouco tempo após a apresentação da queixa a Cobalt chegou a ensaiar a sua retirada de Angola.

Um incidente no bloco 21 do présal angolano parecia ser o ponto de partida para a sua retirada de Angola. Sem o dizer textualmente, a Cobalt sugeriu estar a ponderar a sua
condição de operadora do bloco 21, licitado em Janeiro de 2011, juntamente com os blocos 19, 20, 22, 24 e 25, e entregues à Cobalt a 3 Maio
passado.

Detentora de uma quota de 40 por cento, aquela multinacional anunciou na altura a decisão de se retirar do campo Bicuar 1 onde durante
testes realizados a 210 metros de profundidade, encontrou “fortes pressões de águas e areia”.

O press-release distribuído simultâneamente em Luanda e em Houston, sede da empresa, dizia que “perante as particularidades existentes no solo angolano, a Cobalt concordou com a Sonangol em reexaminar
a probabilidade de continuar no campo Bicuar 1, assim como no Campo Cameia, parte do mesmo bloco”.

O anúncio da reavaliação das operações no bloco 21 resultou numa queda de 9 por cento das acções da empresa na bolsa de Nova Iorque.

De lá para cá, as coisas mudaram substancialmente. A Cobalt obteve concessões adicionais no pré-sal angolano e como consequência as cotações na bolsa de valores de Nova Iorque valorizaram 38 por cento, estando
a companhia a valer agora 13 biliões de dólares.

HALLIBURTON

A SEC investiga também se existe alguma relação entre a entrada da Nazaki a custo zero no bloco 21 e a participação da Sonangol numa empreitada lançada pela Cobalt no golfo do México. Em Novembro de 2010,
o Departamento de Justiça dos EUA multou a Panalpina em cerca de 80 milhões por prática de corrupção em vários mercados, incluíndo Angola.

A troco da anulação do processo, a Panalpina prescindiu igualmente de um lucro de 11 milhões de dólares.

Actualmente, a Halliburton, empresa de prestação de serviços para a indústria petrolífera responde a um inquérito da SEC e a outro do Departamento
de Justiça a propósito das suas actividades em Angola. De acordo com uma nota da Halliburton, um dos seus funcionários foi intimado a prestar declarações. Em 2009, a Halliburton pagou uma multa de 579 milhões de dólares por ter subornado executivos nigerianos no montante de 180 milhões de dólares, uma operação que lhe valeu
contratos de 6 biliões de dólares.

Fonte: Novo Jornal

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