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Líder da UNITA diz que partido ultrapassou “trauma do desaparecimento físico” de Savimbi

A UNITA ultrapassou o “trauma” da morte há 10 anos de Jonas Savimbi, fundador e primeiro líder do principal partido da oposição angolana, garantiu à Lusa o atual presidente desta força partidária.

“Podemos dizer, sem receio de errar, que dez anos depois (da morte de Jonas Savimbi), a UNITA conseguiu ultrapassar o trauma resultante do desaparecimento físico do seu líder e conseguiu manter-se viva em torno dos seus ideais”, disse Isaías Samakuva, que sucedeu a Jonas Savimbi no congresso reunido em 2003.

Savimbi, fundador da UNITA em 1966, morreu em combate faz na quarta-feira 10 anos, e o seu desaparecimento conduziu ao fim de uma guerra civil que se prolongou a longo de 27 anos, que provocou mais de dois milhões de vítimas, 4,3 milhões de deslocados e mais de um milhão de mutilados.

A morte do fundador permitiu ao partido abraçar um “processo de democratização interna”, disse Isaías Samakuva, que sublinhou o facto de o partido ter sido pioneiro em Angola na organização de processos eleitorais internos, com a realização de três congressos ordinários.

Quanto ao processo de reconciliação nacional, Samakuva considera que a UNITA “cumpriu” com todas as suas tarefas do processo de paz, “apesar da perseguição e da intimidação de que são alvos os seus membros”.

“Há dez atrás, o futuro da UNITA sem o dr. Savimbi era, para muitos, uma incógnita. Hoje, embora ainda haja os que buscam ou insinuam uma eventual extinção da UNITA, todos sabem que isso não passa de propaganda dos que, através de fraudes eleitorais, continuam a ter como seu objetivo principal extingui-la por via administrativa”, acrescentou.

Um dos processos em aberto com a morte de Jonas Savimbi é o da trasladação dos seus restos mortais para a província do Bié, onde repousam os pais, sepultados no cemitério de Luena, província do Moxico, e que aguarda autorização do Governo de Luanda.

“Este processo manteve-se parado, durante vários anos, obedecendo aos requisitos impostos pela lei que regula os processos de trasladação de restos mortais. Ultrapassados estes requisitos, o processo está a conhecer agora a sua segunda etapa”, afirmou.

“Creio que do ponto de vista político já não há mais obstáculos. Porém, há ainda questões técnicas que temos de ultrapassar como, por exemplo, a desminagem da área onde se encontra o cemitério para onde serão trasladados os referidos restos mortais. A execução desta tarefa é imperativa a fim de que seja garantida a segurança de todos os que vierem a presenciar o ato”, defendeu.

A morte de Jonas Savimbi abriu caminho ao fim das hostilidades, ato formalizado cerca de dois meses depois com a assinatura em Luena do chamado Memorando de Entendimento Anexo ao Protocolo de Lusaca, que previa a criação de um exército unificado e a desmobilização dos antigos guerrilheiros.

Acerca da desmobilização dos antigos quadros militares da UNITA, Samakuva considerou que tem sido marcado por “altos e baixos”.

“Há os que foram desmobilizados e que estão com a sua situação regularizada, mas há ainda milhares de ex-militares que continuam à espera de serem desmobilizados ou que lhes sejam entregues os seus documentos de desmobilização, porquanto há os que já fizeram a desmobilização mas ainda não receberam os respetivos documentos que lhes permitam provar que já foram desmobilizados”

Por outro lado, persiste o caso das viúvas que continuam a aguardar que a sua situação também seja solucionada, adiantou.

“A maioria dos ex-militares sente-se excluída e discriminada pelo regime. As promessas de formação profissional que lhes tinham sido feitas para a sua reinserção social não foram cumpridas, pelo que não conseguem empregos para puderem sustentar as suas famílias”, criticou.

“Temos procurado abordar esta questão com o Governo, na esperança de que cumpra os acordos de Lusaca e do Luena, pois o processo de reinserção social é uma das dimensões práticas e concretas do processo de reconciliação nacional”, acrescentou.

A reconciliação nacional “não se fará enquanto existirem os que se sentem discriminados, abandonados e, por conseguinte, excluídos”, concluiu.

Fonte: Lusa

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