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Sem “piadas”, desfile da Classe B gera equilíbrio

Longe das tradicionais piadas populares, que dão valor acrescentado à festa do Carnaval de Luanda, desde 1978, 16 grupos da Classe B apresentaram-se hoje na Nova Marginal, com cânticos, enredos e alegorias diversificadas, numa tarde/noite de luz, equilíbrio e mais de seis horas de folia.

Sob olhar de eminentes dirigentes do Ministério da Cultura e do Governo Provincial de Luanda, os concorrentes brindaram o júri e a plateia com as habituais danças semba, kabetula e kazukuta, mas foi a katutula que despertou maior atenção.

Pela passerelle da Nova Marginal desfilou uma mescla de jovens, adolescentes, adultos, crianças e mais velhos, que se esmeraram, na condição de bailarinos ou meros foliões, para ajudar a garantir aos seus representantes um dos cinco passes de acesso à Classe A, no desfile de 2013.

À semelhança de outros anos, a festa do Entrudo voltou a contagiar até aqueles que, à primeira avaliação (deficientes físicos), teriam hipóteses remotas de suportar o ardente sol e enfrentar os 400 metros da longa Nova Marginal.

Sem grande visibilidade de máscaras e fantasias, quer nos integrantes dos grupos, quer nos foliões que preenchiam a atenta plateia, a festa da Classe B iniciou-se com uma formação habituada nessas andanças: União Café de Angola.

Fundado a 2 de Janeiro de 1986, o grupo exibiu-se com a dança semba e teve como tema a nova centralidade do Kilamba, cuja primeira fase foi inaugurada em 2011.

O segundo protagonista, União 54, saiu do Bairro Prenda e alinhou no mesmo estilo de dança, mas com uma marcante diferença em termos alegóricos e de enredo.

A colectividade que dança o Carnaval há 33 anos, desde 1954, retratou o ritual fúnebre dos vários povos de Angola, com a canção “Tambi Mua Ngola (Óbito em Angola)”.

A melódica e riqueza do semba continuou presente na terceira e quarta actuações, protagonizadas pelo União Tueza Kià e pelo União Giza, que também retrataram dois espaços de grande notoriedade em Luanda.

Os primeiros falaram da Cidade do Kilamba, marcada desde cedo com a alegoria e comissão de frente, que se misturou, ao cair do desfile, com uma mensagem e faceta alegórica totalmente diferente: a importância do consumo da água potável.

Já o União Giza falou da realidade dos velhos acolhidos no lar de terceira idade Beiral, antes de ceder espaço ao União 28 de Agosto, que homenageou a mulher angolana e o Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos.

O grupo procurou sensibilizar a assistência sobre a necessidade de valorizar a mulher e desencorajou qualquer acto de violência doméstica, com a canção “Mana Mena”, de Jorge Manuel.

O União Etu Mu Dietu teve a honra de abrir o segundo bloco de participantes, igualmente com dança semba, com uma coreografia e canção que espelharam a sua ainda inconsistência, no ano de estreia na festa do Entrudo “Este ano estamos a experimentar”.

Seguiu-se-lhe o União Estrela do Povo, fundado em 1968, que manteve a melódica e, com semba no pé, retratou o urbanismo e habitação, antes do União Twabixila fazer-se à passerelle, para abordar a igualdade no género.

O grupo a seguir foi outro estreante. O União Juventude Unida do Kapalanga, fundado em 2010, que teve o mérito de “romper” com o ritmo até dominante e, ao som da ritmada kazukuta, levou os presentes à reflexão sobre a importância da educação escolar.

Era chegada a vez do União 17 de Setembro, que vai na sua sexta participação. O grupo voltou a rebuscar o semba e retratou o tema amizade ingrata, tendo como “mascote” um deficiente dos membros inferiores, cuja performance fez vibrar a assistência.

O clima da festa já ia em tom crescente, quando chegou diante do júri o União Estrela do Pita, que até 2010 competia no Carnaval da província do Bengo.

Inserido no Entrudo de Luanda devido às mudanças administrativas feitas na capital do país, o grupo centralizou as atenções dos membros do corpo de jurado, que assistiam desde então a uma dança pouco comum em Luanda: katutula.

Foi um dos momentos marcantes do dia, que levou alguns membros do júri a conferenciarem com pareceres técnicos sobre a dança e darem passos básicos desse ritmo, trazido como pano de fundo à temática da Mama Muxima.

O terceiro e derradeiro bloco, tal como o primeiro, privilegiou o semba. O União Jovens do Mukuaxi, União Juventude do Kilamba Kiaxi, União Dimba Dya Ngola e o União Tunesa exibiram-se ao som desse ritmo, que domina há largos anos os desfiles de Carnaval na capital do país.

Apenas o União Kwanza, nesse bloco, exibiu-se em kabetula.

Temas como reconstrução nacional e ganhos da paz fizeram “eco” nos respectivos desfiles, feitos já sob efeito de luzes artificias, que se prolongaram até perto das 22:00, num dia em que os luandenses evidenciaram, na passerelle e nas bancadas, crença, entusiasmo, voluntarismo e amor ao Carnaval.

Fonte: Angop

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