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Eleições Gerais: Atentos à lista

Como se os outros partidos políticos não tivessem, também eles, listas nominais a preparar para as eleições gerais a caminho, o MPLA “rouba” nesse quesito todo o protagonismo. Todos militantes, opositores e indiferentes querem saber quem serão, afinal, os integrantes da relação de homens e mulheres com maiores probabilidades de virem a ser poder na próxima legislatura em Angola.

Quando há uma semana o Comité Central do MPLA se reuniu em Luanda, o seu Presidente, José Eduardo dos Santos, deixou ditas no acto de abertura do fórum partidário palavras de um alcance doutrinal e metodológico que, em política, têm o condão de afastar equívocos mostrando o caminho certo. São as que se referiam, nomeadamente, aos princípios e critérios para a elaboração da lista de candidatos a deputados à Assembleia Nacional nas eleições que vão decorrer este ano.

José Eduardo dos Santos, num único período do seu discurso, indicou o caminho do qual os militantes com responsabilidades na preparação dessa lista sensível não se poderão afastar, sob pena de embaraçarem a própria performance do partido na captação das simpatias do eleitorado. “(…)da justeza com que for elaborada a referida lista depende em grande medida o reforço da credibilidade do nosso Partido e a confiança dos eleitores naqueles que se vão responsabilizar pela aprovação das leis e pela execução do futuro programa de governação”, disse.

É certo que o MPLA tem a sua própria aura, alicerçada em mais de cinquenta anos a consolidar mística e confluências no seio dos angolanos. São de tal ordem as cumplicidades estabelecidas entre a formação política e as amplas massas, reforçadas quase de modo espontâneo em todos os momentos que a nação pareceu soçobrar frente a conspirações diversas, que uma leitura mais romântica do seu percurso pode conduzir à tentação de se considerar o MPLA um corpo imune a nomes e pessoas, bastando-se a si mesmo para garantir triunfos.

Não se pode nem deve dizer que a observação seja certa ou errada em termos absolutos, mas antes funciona como a filosófica teoria do copo meio cheio ou meio vazio. Depende sempre do ângulo que se pretenda valorizar.

Profundo valor interno

A elaboração da lista, voltando às palavras do líder do MPLA, tem uma implicação directa sobre os factores de mobilização ou desmobilização de quem vai votar. E esse estado de ânimo começa nas próprias hostes do partido, onde, como se sabe, se move aquela que pode ser assumida como a mais relevante das oposições ao seu modo de actuar no contexto da política doméstica, muito por culpa da qualidade sofrível que campeia pelas trincheiras adversárias.

Não é segredo para ninguém, com efeito, que o debate mais elaborado e mais consistente sobre o que tenda a afastar-se do consensual no país, em qualquer domínio da vida, acontece invariavelmente no seio do MPLA, feito pelos próprios quadros e militantes que lhe dão alma e vida.

Os abanões produzidos fora daquelas fileiras são pontuais e, no fundo, fazem apenas a excepção que confirma a regra.

Assim sendo, uma lista que não respeite a tal “justeza” defendida pelo Presidente começa por fazer estragos internamente, acumulando desânimos e desilusões, antes que o seu efeito escape, por osmose, para o lado de fora. Aí entrariam em jogo os factores de proximidade afectiva que em política nunca devem ser tomados como risco periférico. Ou seja, os militantes eventualmente descontentes com o formato da lista trariam para o seio das famílias e dos círculos de amigos o seu estado de inconformidade, e estes, numa atitude solidária, juntar-se-iam ao coro entristecido, o que, em contexto eleitoral, pode traduzir-se na prática em votos de sentido diferente ou em abstenção, esta última, como se sabe, a prática que se usa quando não se quer violentar em demasia a consciência individual.

A reserva da emoção

Sendo certo que o MPLA não pode descuidar da necessidade de reforçar a sua credibilidade junto do eleitorado, o que no caso passa muito pela existência de uma lista não problemática elaborada segundo critérios transparentes e aceites pela maioria, há, contudo, uma forte reserva emotiva à qual sempre poderá recorrer para elevar as probabilidades de sucesso na disputa que vem aí.

A ela recorreu serenamente José Eduardo dos Santos na sua intervenção de sexta-feira passada, 10 de Fevereiro, o que tem de ser interpretado como o aceno hábil de um partido que, no fundo, vive em campanha permanente. “Nós estamos convencidos de que o nosso povo vai continuar a depositar a sua confiança no MPLA, porque esta é a força política que conduziu a luta pela conquista da Independência nacional, que resistiu às invasões e agressões estrangeiras e manteve a integridade do território nacional, que iniciou a construção e está a consolidar o Estado Democrático de Direito e que instaurou o clima de paz e de reconciliação nacional”, afirmou.

Um capital acumulado que mais ninguém, dos quase duzentos outros partidos teoricamente com interesse em apear do poder o MPLA, pode reivindicar para si, porque a História o consagrou e nem mesmo a teoria peregrina sobre a memória curta dos povos parece constituir ameaça real.

Na verdade, o trunfo com que o MPLA parte para cada acto eleitoral é muito difícil de se lhe contrapor, pelo menos enquanto continuarem vivos os homens e mulheres que fizeram parte da sua epopeia. O caminho que percorreu foi quase sempre o de suplantar o dilema entre a vida e a morte, decisivos desafios em que o povo o teve invariavelmente no papel de força salvadora. Está longe de ser, pois, um partido medido apenas pelas características e perfil dos partidos que se desenvolvem no calor das democracias tradicionais, para situar-se paredes meias entre a lenda e a crença definitiva.

Fonte: OPAÍS

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