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Irão estaria expandindo produção nuclear subterrânea, diz diplomata

O Irão está aparentemente programando uma expansão de seu programa nuclear utilizando instalações subterrâneas, disse à BBC um diplomata ligado à agência de energia nuclear da ONU.

Segundo a correspondente da BBC em Viena Bethany Bell, o diplomata da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) – sediada na capital austríaca – afirma que o governo de Teerão parece ter preparado a usina de Fordow, próxima à cidade de Qom, para instalar milhares de centrífugas usadas para enriquecer urânio.

Essas máquinas, de última geração, teriam a capacidade de acelerar fortemente a produção de material atômico, que poderia ser usado na fabricação de armas nucleares, diz a correspondente da BBC, citando o diplomata.

As instalações de Fordow são altamente fortificadas e ficam sob a terra.

Países ocidentais temem que o Irão esteja, em segredo, a tentar desenvolver armas atômicas. Devido a esses temores, o regime de Teerão já foi alvo de inúmeras sanções internacionais. O governo iraniano, no entanto, insiste que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

Controle da produção

Na última quarta-feira, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, conduziu uma cerimônia na qual foi, pela primeira vez, inserido combustível nuclear próprio em um reator do Irão. As imagens foram mostradas ao vivo pela TV estatal do país.

O procedimento foi celebrado como uma conquista tecnológica, já que, com isso, o país agora aparentemente controla todas as etapas do ciclo de produção de energia nuclear.

Na próxima semana, inspetores da AIEA vão a Teerão para dialogar com autoridades iranianas e expressar sua preocupação sobre o polêmico programa.

O Oriente Médio vive um momento de tensões renovadas, com Israel acusando o Irão de planejar ataques contra suas embaixadas na Índia, na Tailândia e na Geórgia.

O Irão nega as alegações, e acusa Israel e os Estados Unidos pelo assassinato de diversos cientistas nucleares iranianos nos últimos anos, o que os dois países negam.

William Hague (Reuters)Chanceler britânico vê risco de ‘nova Guerra Fria’ no Médio Oriente

Neste mês, o presidente americano, Barack Obama, disse que seu país estava a trabalhar “em uníssono” com Israel para conter o Irão.

‘Nova Guerra Fria’

Em entrevista publicada neste sábado pelo jornal Daily Telegraph, o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, afirmou que as ambições nucleares iranianas podem levar o Médio Oriente  a uma “nova Guerra Fria”.

Hague afirmou que outros países da região podem querer desenvolver armas nucleares, caso o Irão o consiga.

“Assim, a mais grave rodada de proliferação nuclear desde que as armas nucleares foram inventadas teria começado, com todos os efeitos desestabilizadores no “Médio Oriente “, afirmou o chanceler.

No entanto, o especialista Shashank Joshi, do Royal United Services Institute, disse à BBC que os temores ocidentais quanto ao programa nuclear iraniano podem ser infundados.

“Se nós pudemos viver com armas nucleares nas mãos de Estados totalitários e genocidas como a Rússia de Stalin ou a China de Mao, o Irão é, em contraste – mesmo com sua política interna repulsiva e seu espírito aventureiro no exterior – muito mais racional”, afirma.

Fonte: BBC

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