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“Semba de lá que eu sambo de cá” – Angola é estrela do Carnaval do Brasil

Angola está representada no Carnaval do Rio deste ano, através de um samba-enredo da Escola de Samba de Vila Isabel, que celebra a música angolana semba, como origem do samba brasileiro.

Cerca de 4,500 figurantes vão desfilar no sambódromo, ao som de “Semba de lá que eu sambo de cá – O Canto Livre de Angola”, inspirado pelo lendário músico brasileiro, Martinho da Vila.

 

Martinho da Vila

Martinho da Vila

Ele próprio disse à Voz da América que “eu me sinto um pouco angolano” e que a história deste carnaval começou em 1988 quando Martinho da Vila compôs um enredo chamado “Kizomba, a festa da raça”. Nessa altura, disse, “todo o mundo ficou pensando que era sobre Angola, mas não foi. Angola estava muito preseinte, mas o enredo era mais abrangente.”

No ano passado, surgiu a ideia de criar um enredo sobre Angola parta este Carnaval. “Eu dei umas dicas, umas linhas”, disse Martinho à VOA, explicando que não é o autor deste samba-enredo, mas “sou o idealizador”.

Segundo o artista, este “vai ser um desfile muito alegre. Não vamos falar de miséria, guerra, ou escravidão. É obvio que isso está embutido porque faz parte da história. Mas o enredo é mais sobre a música, uma celebração dos 10 anos paz. É uma coisa bem para a frente, mostrando uma Angola bem pujante… É para falar da força de Angola; é um trabalho muito importante para o nosso país, porque me considero um pouco angolano”, disse o artista brasileiro à Voz da América.

 

Desfile da Escola de Samba Vila Isabel, no ano passado.

Desfile da Escola de Samba Vila Isabel, no ano passado.

A competição para a escolha do enredo para o desfile da Escola de Samba de Vila Isabel foi renhida. De acordo com Wilson Alves, o seu presidente, “houveram mais de 30 sambas inscritos” e “a inspiração foi o Martinho da Vila”, um amigo de Angola que visitou o país várias vezes e organizou, há anos, o primeiro “canto livre” de artistas angolanos no Brasil.

Wilson Alves disse à Voz da América que “nas escolas de samba temos que escolher enredos que retratam cultura” e daí a ideia de celebrar o semba como origem do samba.

Alves que visitou Angola no ano passado, disse que os angolanos são “pessoas muito parecidas com o povo brasileiro. Os nossos ppaíses estão ligados pela questão racial e pela cultura que veio de Angola para cá.”

Por isso, o enredo vai retratar toda a história de angola, o seu territorio, fauna e flora, ” e depois passamos pela cultura de Angola já formada. fazemos uma homenagem ao imbondeiro, às palancas negras, vamos demonstrar como a cultura angolana gerou festas populares que existem aqui no Brasil… E principalmente, como o semba angolano se transformou no nosso samba de hoje em dia”, explicou Wilson Alves à Vopz da América

Para ele, “essa ligaçao entre o semba e o samba não era bem cionhecida, mas agora a gente fala disso. Estamos a transmitir cultura e a lembrar que o nosso samba é o vosso semba. Todo o mundo já está ciente disso, que o samba não é uma coisa carioca, é uma coisa angolana”.

No desfile, no sambódromo, cerca 4500 figurantes, organizados em 32 alas, mais de 20 destaques e 8 carros alegoricos, criados por uma equipa de por 500 pessoas “a trabalhar sem parar desde Junho” vão, segundo Martinho da Vila, tentar ser vencedores da competição entre as escolas de samba.

Vila Isabel, é um bairro boémio e tradicional do Rio de Janeiro que, segundo Wilson Alves, remete para a “época do Império, da princesa Isabel, filha de Dom Pedro II… E foi ela que aboliu a escravidão do Brasil”.

A Escola de Samba de Vila Isabel existe há seis décadas e desfila no Carnaval do Rio há 40 anos. Clique na linha abaixo para ouvir a música.

Enredo: “Semba De Lá… Que Eu Sambo De Cá… O Canto Livre de Angola”
Autores: Evandro Bocão, Arlindo Cruz, André Diniz, Leonel e Artur das Ferragens

Semba de lá, que eu sambo de cá
Já clareou o dia de paz (
bis)
Vai ressoar o canto livre
Nos meus tambores, o sonho vive

Vibra, oh, minha Vila
A sua alma tem negra vocação
Somos a pura raiz do samba
Bate meu peito à sua pulsação
Incorpora outra vez Kizomba e segue na missão
Tambor africano ecoando, solo feiticeiro
Na cor da pele, o negro
Fogo aos olhos que invadem
Pra quem é de lá
Forja o orgulho, chama pra lutar

Reina Ginga ê Matamba, vem ver a lua de Luanda nos guiar
Reina Ginga ê Matamba, negra de Zambi, sua terra é seu altar

Somos cultura que embarca
Navio negreiro, correntes da escravidão
Temos o sangue de Angola
Correndo na veia, luta e libertação
A saga de ancestrais
Que por aqui perpetuou
A fé, os rituais, um elo de amor
Pelos terreiros (dança, jongo, capoeira)
Nascia o samba (ao sabor de um chorinho)
Tia Ciata embalou
Com braços de violões e cavaquinhos a tocar
Nesse cortejo (a herança verdadeira)
A nossa Vila (agradece com carinho)
Viva o povo de Angola e o negro Rei Martinho

Semba de lá, que eu sambo de cá
Já clareou o dia de paz (
bis)
Vai ressoar o canto livre
Nos meus tambores, o sonho vive

Fonte: VOA

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