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Mercado do Panguila com os espaços vazios

O mercado do Panguila, no município do Dande, província do Bengo, está a registar, há já algum tempo, fraca afluência de clientes, o que causa o abandono do local por parte dos vendedores.
A escassez de clientes no maior recinto de vendas do Bengo causa a deterioração de várias quantidades de produtos, em especial horto-frutícolas.
O mercado do Panguila tem capacidade para 15.000 vendedores, distribuídos em 5.376 bancadas, 200 armazéns, 144 lojas, 36 câmaras frigoríficas e 48 restaurantes.
O grosso de vendedores foi transferido do antigo mercado Roque Santeiro, no Sambizanga.
Os vendedores dizem que as coisas, em termos de vendas e lucros, não são as mesmas. Por exemplo, o Jornal de Angola constatou que vários espaços e bancadas se encontram vazios, um ambiente bastante diferente do “falecido” Roque Santeiro.

Preços acessíveis

No Panguila, os preços continuam a ser bastante convidativos, mas a distância que separa o mercado da capital do país, de onde provém a maior dos compradores, tem afugentado os clientes.
O balde de tomate maduro, por exemplo, custa 700 kwanzas, a batata rena vende-se a 800 kwanzas e uma porção de banana pão é vendida a 100 kwanzas.
A vendedora Susana António queixa-se da falta de clientes, porque o investimento feito não produz lucros. Susana afirmou que vive distante do mercado do Panguila e que gasta muito dinheiro em  táxis.
“Nós procuramos sair tarde do mercado para ver se vendemos qualquer coisa, uma vez que é constrangedor chegar a casa sem levar nada para a família”, resmunga.
Maria de Fátima, vendedora há mais de 20 anos, disse que a concorrência dos outros mercados, como o Kicolo e os Kwanzas, tem prejudicado as vendas no Panguila, pois muitas pessoas preferem aqueles espaços por causa da distância.
A vendedora argumentou que a reversão do quadro passa pelo encerramento dos mercados do Kicolo e dos Kwanzas, o que obrigava os clientes a recorrer ao Panguila.

Pagar mesmo sem vender

Maria de Fátima lamentou o comportamento dos fiscais, insensíveis, às vezes, na cobrança da ficha da quota diária. “A pessoa é obrigada a pagar, mesmo sem vender absolutamente nada, o que é mau”, disse.
A vendedora alega também que quando os comerciantes se mostram incapazes de pagar a quota diária, os fiscais do mercado levam os produtos, aos quais dão um destino incerto.
Joaquim Ventura, vendedor de calças, também lamenta a atitude dos fiscais. Apesar das vendas não correrem bem, ele e os colegas são obrigados a pagar a ficha diária.
O vendedor afirma que o mercado tem boas condições e com a tomada de medidas sérias ele apresenta um cenário menos desolador. “Muitos que vendiam aqui preferiram o negócio ambulante ou partir para outros mercados de Luanda”, refere.

Mercado oferece segurança

O mercado do Panguila, ao contrário dos outros, oferece muita segurança aos vendedores e visitantes. Não há registo de casos de delinquência nem problemas com a higiene.
Os vendedores e clientes dizem que se não fosse a questão da distância, o mercado era o melhor do país. “O espaço não se compara ao Kicolo, São Paulo ou Asa Branca, que têm muita delinquência e sujidade”, referiu Rebeca Gomes Adão, residente em Cacuaco.
“Não suporto o mercado do Kicolo. Cada dia está mais cheio, com muita gente num espaço pequeno, quando aqui o Panguila oferece todas as condições para se realizar um bom comércio com a maior segurança de quem o visita”, diz Rebeca Gomes.

Administração satisfeita

O administrador do mercado do Panguila, Vitorino Kiteculo,  apesar de lamentar a falta de clientes, disse ontem que a prestação de serviço dos técnicos e dos fiscais tem sido boa, uma vez que cumprem as exigências e normas estabelecidas.
O responsável reconheceu que, muitas vezes, há vendedores que não têm tido o rendimento esperado, mas adiantou que a ocupação do espaço por parte destes para realizar quaisquer actividades comerciais carece de pagamento de uma taxa diária.
O valor pago pelos vendedores que ocupam os espaços no mercado permite que a administração pague ao pessoal da limpeza e outros serviços, salientou Vitorino Kiteculo.“Pagar a taxa é uma obrigação dos vendedores”, disse, para adiantar que esta e o respeito pelo trabalho dos fiscais são requisitos exigidos para não se comprometer a gestão eficaz do mercado.
O responsável lamentou também o facto de existirem vendedoras, em regra as mais novas, que faltam ao respeito aos fiscais, abandonam as bancadas para vender no chão e, muitas vezes, no exterior do recinto.

Fonte: Jornal de Angola

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