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Russos dizem ter perfurado pela primeira vez lago isolado da Antárctida

Um dos ambientes mais isolados da Terra foi finalmente penetrado. Uma equipa russa disse nesta quarta-feira ter conseguido pela primeira vez perfurar quase quatro quilómetros de gelo para alcançar o lago Vostok, na Antárctida, para retirar amostras.


A análise da água só vai acontecer no final deste ano, mas se existirem seres vivos na amostra, o que é esperado pelos investigadores, então a ciência vai ter uma relíquia na mão. O lago subglaciar está por baixo de 3,7 quilómetros de gelo, na completa escuridão, em condições tão extremas como as que existem em certas luas do Sistema Solar. Se aqui houver microrganismos então a probabilidade de haver vida em Europa, lua de Júpiter, e em Enceladus, lua de Saturno, aumentam consideravelmente.

“Esta descoberta preenche o meu coração de alegria”, disse Valery Lukin, do Instituto de Investigação Árctico e Antárctico em São Petersburgo, que tem estado a coordenar a investigação. “Isto vai dar-nos a possibilidade de avaliar a nível biológico a evolução dos organismos vivos… porque estes organismos passaram muito tempo sem contacto com a atmosfera e a luz”, disse o investigador, citado pela BBC News.

“Há um interesse muito forte dos biólogos em estudar formas de vida que podem existir nestas condições extremas, que estiveram separados do resto do ambiente do mundo durante vários milhões de anos”, disse por sua vez Martin Siegert, director da Escola de Geociências da Universidade de Edimburgo, à AFP. O cientista não faz parte da equipa.

Um mundo isolado

No Hemisfério Sul é Verão, mas na estação de Vostok, que fica a 1350 quilómetros a Este do Pólo Sul, o Outono aproxima-se com uma intensidade impressionante. A estação ficou conhecida por ser o lugar com os registos mais frio da Terra: em Julho de 1983 a temperatura alcançou os -89 graus célsius.

Por isso, a missão foi uma corrida contra o tempo. Esta era a última semana que a equipa russa podia ficar no local. Agora, as temperaturas já caíram para os -45 graus e a partir dos -50 graus passa a ser perigoso o transporte aéreo ir até ali. Caso não tivessem conseguido perfurar o gelo, seria necessário adiar a experiência.

O lago Vostok tem cerca de 250 quilómetros de comprimento e em alguns pontos 50 quilómetros de largura, chega a ter uma profundidade de 500 metros. O gelo mais antigo que cobre a massa de água tem pelo menos 400.000 anos, e pensa-se que o lago esteja isolado há 15 milhões de anos. A água mantém-se acima da temperatura de congelação devido à pressão dos gelos e talvez pelo calor geotérmico vindo das rochas que estão por baixo.

Objectivo difícil

Este é apenas um dos cerca de 300 lagos subglaciares que existem no continente mais frio da Terra. Em muitos, a água comunica-se entre si. Pensa-se, no entanto, que o Vostok se mantenha isolado.

Embora a suspeita da existência do lago venha do início da década de 1960, a sua confirmação só aconteceu em 1993 e a geografia do lago só ficou delineada três anos depois. A partir daí começou o esforço russo para chegar lá.

A primeira dificuldade foi ultrapassar o risco da contaminação do lago. Depois, a própria temperatura do gelo dificulta a perfuração. Foi necessário utilizar querosene para não deixar a ponta do tubo de perfuração congelar.

Até ao último momento a equipa russa não sabia se conseguia alcançar o lago. Fê-lo dia 5 de Fevereiro, mas só agora conseguiu confirmar. Depois de a broca chegar ao lago, esperava-se que a água, devido à pressão, subisse. Foi exactamente o que aconteceu. A equipa russa deixou, no entanto, esta água congelar no espaço perfurado e quando o próximo Inverno acabar volta à estação para recolher as amostras.

A comunidade científica internacional tem congratulado a equipa russa pelo feito. “Se é verdade e se tiverem sucesso, então é um marco que foi alcançado. Isto é um feito enorme para os russos porque têm trabalhado neste projecto durante anos”, disse Siegert.

Uma equipa de cientistas do Reino Unido e outra dos Estados Unidos também vão tentar a sua sorte noutros lagos subglaciares do continente.

Fonte: Publico

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