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Mostra na Siexpo sobre o Carnaval

Além do habitual desfile central e das homenagens aos grupos União Angola Independente, de Luanda, e União Surpresa, do Bié, a Comissão Nacional Preparatória do Carnaval prevê o lançamento da Revista do Carnaval e a realização de uma exposição de instrumentos musicais próprias do Entrudo.
A exposição de instrumentos musicais do Carnaval pretende realçar a importância dos funileiros e outros artífices responsáveis pela confecção e enaltecer a importância dos instrumentistas, figuras que, normalmente, confeccionam o seu próprio instrumento, sendo raros os casos em que o executante não intervém no fabrico.
De produção artesanal, os instrumentos musicais do Carnaval têm uma estrutura característica, com sonoridade muito peculiar, e são de importância fundamental na definição rítmica e no acompanhamento das canções do Carnaval.
A chapa, a madeira, cordas de “mateba”, fios metálicos, cornos e peles de animais são os principais materiais que intervêm na construção dos instrumentos musicais utilizados  no Carnaval.
A exposição tem como um dos objectivos dar a conhecer a classe dos instrumentos musicais, salvaguardando a sua preservação e transmissão para as gerações vindouras, e enaltecer a função e importância dos funileiros.
É curioso notar que a influência dos instrumentos musicais do Carnaval, na Música Popular Angolana. Ajuda-nos a compreender a configuração estilística e essencialmente rítmica de algumas variantes do semba, enquanto estilo canónico da região de Luanda, e pode constituir um atalho de análise do tema das canções, sobretudo as que evocam situações de conflitos entre os grupos carnavalescos, cuja génese e formato espacial se projectam nos “musseques”- espaço natural de criação e manifestação do Carnaval luandense.

Classe dos instrumentos

Na classificação dos instrumentos musicais, encontramos os aerofones, instrumentos em que o ar, accionado pelo executante, é o elemento vibratório. São constituídos por cordas esticadas que vibram através do impulso do executante e que podem ser monocórdicos.
O hungo é um exemplo de instrumento monocórdico. Há ainda a classe dos idiofones, em que o elemento vibratório é o próprio corpo do instrumento, e, por último, os membrafones, em que o elemento vibratório é uma membrana, normalmente de pele esticada.
O tambor e a ngoma, de forte intervenção no seio do Carnaval angolano, são exemplos clássicos de membrafones.

Membrafones

Ngoma é um instrumento da classe dos membrafones,  que teve suma importância na origem e formação da Música Popular Angolana. Espécie de tambor cilíndrico ou de formato cónico, revestido com pele, preferencialmente de cabra, numa ou nas duas faces, é o instrumento de Amadeu Amorim, a célebre figura do conjunto Ngola Ritmos.
O “Dibalelo”, também designada caixa, é uma pequena caçarola em que lhe são aplicadas peles nos dois lados onde é extraído o som pela batida das baquetas. Por último, integramos a puita na classe dos membrafones. É constituído por uma caixa cilíndrica com pele num dos lados, ostentando, no interior e ao centro da pele, um caniço para, à base da fricção com os dedos húmidos, se lhe extrair o som.

Idiofones

Estão na classe dos idiofones, a dikanza, também designado reco-reco, de  forte presença no carnaval. Trata-se de um instrumento nobre de acompanhamento que, garante José Oliveira de Fontes Pereira, fora do Carnaval, dialoga, ritmicamente, com a concertina, a viola, o kibabelo e a percussão.
José Oliveira de Fontes Pereira insurge-se contra os que chamam à dikanza de reco-reco, onomatopeia que associa o som do instrumento, quando friccionado pelo kixikilu, a vara rítmica de fricção. “Ó hihi a i xana dikanza” é uma frase de Maria Martins Dias dos Santos (Mutúri Marica), mãe de José Oliveira de Fontes Pereira e do compositor Fontinhas, do Ngola Ritmos,   pronunciada em 1947.
Fontes Pereira, que além de executante é um exímio construtor de dikanzas, afirma que existe um modelo construtivo, assente em 18 passos, para se obter uma perfeita dikanza.
A dilonga (prato), também denominada alguidar, é um vaso de lata de formato cónico, fechado na parte inferior de onde é extraído o som. O mukindu, também designado “bate-bate”, é um pedaço de bambu, no qual se bate com um pau sobre a prancha, de maneira a que se extraia o som. O mbuetete, formado por uma caixa de ressonância extraído de um pedaço de madeira, com uma abertura no meio, é constituído por varetas metálicas, para a extracção do som.

Aerofones

Da classe dos aerofones, fazem parte o pungue, espécie de buzina de chifre de boi ou de qualquer outro animal, que também se designa, vulgarmente, por trombeta, o mbungo, menor em dimensão que o pungue, é uma espécie de corneta e o musengo, vulgarmente conhecido como apito, em língua portuguesa, de fácil transporte  e largamente utilizado pelos grupos.

Cordofones

Embora não seja utilizado no Carnaval, o hungo é um instrumento monocórdico com formato de arco, com uma corda presa nos dois extremos do arco, tendo uma cabaça na base que serve de caixa de ressonância. Esse instrumento pertence à classe dos cordofones e está presente nas cerimónias e rituais restritos das comunidades.

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