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Sarkozy admite erros sobre revoltas árabes em entrevista à revista

Há três meses do final de seu mandato e apontado como derrotado nas eleições presidenciais, o chefe de estado francês, Nicolas Sarkozy, reconheceu diversos erros, especialmente em relação ao mundo árabe, em uma entrevista concedida a uma revista política. Ele, no entanto, afirmou ter tido o mérito de querer “agir”.

Eleito em 2007 com a promessa de uma ruptura, Sarkozy fez da defesa dos direitos humanos um dos principais eixos de sua política externa. Mas, rapidemente, interesses econômicos e a dinâmica dos equilíbrios geoestratégicos levaram o seu governo a uma ação mais “tradicional”, o que desencadeou uma avalanche de críticas dos opositores aos regimes autoritários na África e no mundo árabe.

O presidente francês recebeu sucessivamente em Paris, com todas honras, os dirigentes líbio Muammar Kadafi e o sírio Bashar al-Assad. Sarkozy também posou para fotos com o ex-ditador Hosni Mubarak, que co-presidiu a Cúpula França-África, e também defendeu até o fim o regime de Ben Ali, na Tunísia.

Na entrevista à revista Politique Internationale (Política Internacional, em francês), o presidente tentou relativizar os erros evocando “as circunstâncias”.

Sobre a polêmica visita de Kadafi a Paris no final de 2007, o presidente francês se defendeu: “havia um consenso internacional para considerar que era preciso dialogar com a Líbia”, e “isto não impediu a França de ser a primeira a enviar seus aviões parar (seus) tanques”.

Mesma linha adotada ao se referir à mão estendida, em 2008, ao presidente sírio Bashar al-Assad, acusado hoje de promover massacres contra seus opositores. “Poderíamos ter colocado um fim à crise política libanesa se não tivéssemos promovido esse diálogo ? Estou convencido que não”, argumentou Sarkozy, apesar de vários analistas dizerem que a crise no Líbano está longe de ser resolvida.

Nicolas Sarkozy reconheceu ter “subestimado a exasperação” dos povos árabes. “Nós demos provas de muita complacência em relação a esses regimes opressivos e corrompidos? Sem dúvida”, afirmou o presidente francês, lembrando, no entanto, que as revoluções “surpreenderam todo mundo”.

Ao final da entrevista, o presidente admitiu que poderia ter feito “melhor ou diferente”, mas também ressalta o mérito de “ter tido a vontade de agir” e de “recusar submeter-se à História”.

De todas as iniciativas, Nicolas Sarkozy destacou o salvamento “in extremis” da população de Benghazi do banho de sangue que Kadafi teria prometido em 2011 e comentou que sua visita em setembro à cidade, onde foi recebido como herói, foi o “momento mais emocionante” de seu mandato.

Fonte: RFI

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