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Renasce a esperança de futuro para os alfaiates

Com a industrialização dos têxteis e a produção em série de peças de roupa a preços mais convidativos, o chamado pronto-a-vestir que provocou alterações no modo de encararmos a roupa, a procura de alfaiates é cada vez menor. São poucas as pessoas que  procuram  “roupa por medida”, por preferirem ir à loja ver, experimentar e comprar. Com  a recuperação da unidade fabril África Têxtil renasce, no entanto, a esperança da continuação da profissão de alfaiate. A unidade vai relançar no mercado nacional uma gama luxuosa de tecidos modernos e incorporada às novas tecnologias.
O anúncio recente, feito pelo Executivo, sobre a produção de algodão e recuperação das unidades de produção de têxteis, surge a tempo. Trata-se de uma oportunidade  para que não seja posto um ponto final na profissão de alfaiate.
A alfaiataria é uma actividade que vai desaparecendo e os profissionais que ainda persistem na arte de costurar  roupas fazem-no por uma questão de sobrevivência, numa altura em que os jovens demonstram pouco interesse em apreender a arte, e os “mestres” que ainda se dedicam a esta actividade são usualmente mais velhos.
Distantes vão os tempos festivos em que as pessoas tinham habilidades no traje, roupa nova costurada ao seu critério. Agora, basta ir ao fardo, a uma boutique ou a uma loja de pronto-a-vestir.
Actualmente, toda a gente veste quase igual, sem o requinte de outrora. A profissão de alfaiate constitui um importante segmento de negócios, como ferramenta de uma área que pode contribuir para a diminuição do desemprego, precisa resgatar a personalização perdida, fazer com que as pessoas que dominam a arte voltem a fazer da costura o sonho das suas vidas.
Simão Lusungo, 36 anos de carreira, tornou-se alfaiate na província de Cabinda. Há 13 anos que vive na cidade de Benguela, onde desenvolve a actividade com brio. Por falta de instalações condignas, montou uma barraca improvisada no mercado informal da Caponte, onde mantém a esperança de nos próximos tempos edificar uma propriedade para dar continuidade à arte de transformar as roupas dos clientes. Agora que o Executivo tem fortes pretensões de apoiar os micro e pequenos empresários, por via de créditos bancários, ainda acredita na possibilidade de o seu negócio voltar a prosperar.
Trabalhar sobre tecido é, para ele, uma obra de arte que só pode ser feita por pessoas competentes. “A procura de alfaiates esteve, nos últimos quatros anos, em maré muito baixa. Mas agora, que os salários da Função Pública tiveram algum acréscimo, já recomeçamos a ter clientes que mandam fazer roupas com rigor, em particular as senhoras”, disse, acrescentando que “ainda sou procurado por jovens que pretendem um fato de cerimónia, alguns executivos que normalmente usam fato no dia-a-dia, nos quais noto algum requinte. Até dá gosto vê-los vestidos”.

Fonte: Jornal de Angola

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