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Uma arma para combater a morte materna e infantil

Planeamento familiar é uma responsabilidade do casal e não apenas da mulher. O uso de contraceptivos, para além de prevenir a gravidez não desejada ou planificada, ajuda também na redução das infecções transmitidas sexualmente incluindo o VIH/Sida.
Para a directora provincial da Saúde de Luanda, Isabel Massocolo, uma mulher que tenha uma gravidez planeada, tem uma assistência adequada que garante um estado saudável para mãe e filho.
Filomena João tem seis filhos, situação que a levou a mudar de casa. Na altura, além de não ter quem cuidasse das crianças, já que cresceram um atrás do outro (dois anos de diferença), não tinha o apoio do marido, pelo facto deste estar a cumprir serviço militar.
Neste período, conta, foi das   piores fases da sua vida. “Na minha quinta gravidez tive gémeos. Nesta fase todos os meus filhos eram muito pequenos e sempre que um ficasse doente era caminho para que os outros quatro também caíssem doentes. A minha casa parecia uma enfermaria”, disse.
Uma ginecologista da Maternidade Lucrécia Paim cuidava de Filomena João. Descobriu que aos quatro meses de gestação, e um dos gémeos estar morto.
“Foi uma situação bastante conturbada para a minha família, porque quando tentava trabalhar alguém caía doente e eram patologias que levavam meses a curar”, sublinhou Filomena João.
Devido ao número de filhos, as dificuldades financeiras da família aumentaram, razão pela qual teve de se desdobrar em tarefas para conseguir o seu sustento.

Filomena João nunca pensou fazer planeamento familiar: “infelizmente não tinha esta noção, porque mesmo para minha mãe uma mulher com marido não precisava de planeamento familiar. Hoje aconselho as minhas filhas e noras a fazerem planeamento familiar”.
A situação de Nádia foi diferente da de sua mãe. Apesar de ter o primeiro filho aos 17 anos, ainda na adolescência, a jovem, hoje com 27 anos, faz planeamento familiar desde o primeiro ano de nascimento do seu filho.
A primeira vez que se submeteu ao planeamento familiar foi por intermédio da família para que não voltasse a ter outra gravidez indesejada. “Valeu apenas ter feito o planeamento familiar, porque desta forma evitei gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis”, disse Nádia. Hoje ela já não precisa do auxílio dos pais: “sei o que quero e por isso acho que não devo atrapalhar a minha vida com filhos”, disse a jovem mãe.
Paula Joaquim é mãe de quatro filhos de pais diferentes e nunca fez planeamento familiar. A jovem de 24 anos começou a fazer filhos aos 16. Nunca foi a um centro ou maternidade fazer planeamento familiar, por vergonha: “às vezes quero mesmo ir mas tenho medo que me ralhem”, disse envergonhada.

Morte materna

O aumento de unidades sanitárias em Luanda vai tornar os serviços de saúde mais próximo das populações e assegurar a assistência médica e medicamentosa das mulheres e crianças, garantiu ao Jornal de Angola, a directora provincial da Saúde de Luanda. Isabel Massocolo recordou que, em 2011, foram inauguradas em Luanda seis novas unidades sanitárias, os hospitais municipais do Cazenga, Viana, Capalanga, Cacuaco, Centro Materno e Infantil dos Ramiros e o Grupo de Urgências do Hospital Geral de Luanda.
Todas estas unidades,explicou Isabel Massocolo, contam com serviços de planeamento familiar.A directora provincial da Saúde de Luanda acrescentou que o planeamento familiar é um instrumento que ajuda e beneficia a mulher, as famílias e a sociedade. Sublinhou que é cada vez mais importante que as famílias participem na saúde reprodutiva. “O homem tem de estar sempre ao lado da mulher, por ser uma situação de interesse comum”.
Isabel Massocolo acrescentou que a saúde sexual e reprodutiva pertence ao casal e não só à  mulher. “A mulher carrega a gravidez e suporta todos os problemas que daí advêm, por isso o casal deve preocupar-se com a saúde sexual e reprodutiva”, disse. O planeamento familiar é o processo de planificação de filhos e o intervalo entre cada gravidez. Não é a ausência da procriação.  Para planificar, disse Isabel Massocolo, são necessários métodos contraceptivos. “Além dos métodos contraceptivos que previnem gravidezes não desejadas ou planificadas, é preciso associar os preservativos para de facto diminuirmos as infecções transmitidas sexualmente, incluindo o VIH/sida”, afirmou.

Contraceptivos gratuitos

O médico Francisco Neto disse não existir um modelo definido para o casal se submeter ao planeamento familiar. O especialista da Maternidade Lucrécia Paim defende que antes de se optar por um método contraceptivo específico, é importante consultar um ginecologista, capaz de avaliar o caso, já que nem todas as mulheres podem usar todos os métodos disponíveis. O médico alertou ainda para a necessidade da informação, para que mais mulheres possam procurar os serviços.
“O serviço reprodutivo sempre existiu até nas unidades comunais, mas ainda há pouca informação sobre as vantagens e desvantagens de se utilizarem estes métodos”, disse, frisando que esta falta de informação faz com que muitas mulheres deixem de aderir ao programa.
O ginecologista Gaspar Araújo da Silva, da Maternidade Augusto Ngangula, disse que o uso inadequando dos contraceptivos pode provocar transtornos e infertilidade e levar a mulher a necessitar de outras intervenções médicas para voltar ao quadro normal.
“Muitas mulheres vão às consultas e passado muito tempo utilizam o mesmo método em situações de emergência, como o caso das pílulas do dia seguinte, sem qualquer orientação médica”, disse. O médico pediu às mulheres para se dirigirem a uma unidade hospitalar mais próxima da sua residência a fim de receberem as orientações devidas sobre os procedimentos do uso de um contraceptivo. “Nas nossas unidades existe pessoal técnico formado e qualificado para dar assistência a esta área específica”, disse o ginecologista para quem existem no mercado métodos modernos que qualquer mulher pode utilizar.
“Hoje já estamos a utilizar os chips, um método moderno e com inúmeras vantagens por ser eficaz durante cinco anos e possibilitar assim que a mulher o retire quando pretender dar continuidade à sua procriação”, explicou.
Gaspar Araújo da Silva recordou que os implantes ou simplesmente os chips estão a ser utilizadas nas Maternidades Lucrécia Paim e Augusto Ngangula numa primeira fase de forma gratuita.
A vice-ministra da Saúde, Evelize Frestar, realçou que a implementação de medidas de planeamento familiar vai reduzir significativamente a taxa de mortes maternas (610 mortes por cada mil nados vivos).

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