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Massacre em estádio no Egito pode precipitar queda dos militares

O massacre de 74 pessoas em Port-Saïd, no Egito, depois de uma partida de futebol entre as equipes do Al-Masry e do Al-Ahly, time do Cairo, esconde uma rivalidade que vai além dos campos. A tragédia reforça a crise política no país e pode precipitar a queda dos militares, já que entre os torcedores do Al-Ahly estão diversos revolucionários da praça Tahir.

Nesta quinta-feira estão previstas diversas manifestações em frente à assembleia do povo, em comemoração à chamada “batalha dos camelos”, uma das mais sangrentas antes da queda do regime de Mubarak. Em sua página do Facebook, os torcedores do Al-Ahly, conhecidos como ultras, pedem a cabeça do marechal Hussein Tantoui, ex-ministro da Defesa de Mubarak, e chefe do Conselho de Transição. “Você poderia ter inscrito seu nome na História, mas foi arrogante e acreditou que o Egito e seu povo poderiam voltar atrás e esquecer a revolução.” A catástrofe reforça a pressão dos militantes sobre os parlamentares, que exigem a saída dos militares do poder e uma reestruturação da segurança no país.

Nesta quinta-feira, o diretor do clube egípcio Al-Masry, Mohamed Sein, disse que havia pistoleiros infiltrados entre os torcedores. O cunho político da batalha travada entre os torcedores dos dois times não passou despercebido pelos jogadores. Logo após a tragédia, no vestiário, os membros da equipe do Cairo acusaram as forças de segurança de inércia. Os policiais não teriam agido para evitar o ataque, deixando os torcedores do Al-Masry subirem nas grades e invadir a arquibancada do rival.

Para o médico da equipe, Ehab Ali, trata-se de uma “guerra programada.” Uma tese refutada pelo diretor do estádio, Mohamed Yunis, que alega que a polícia teve “medo” da violência. A torcida do Al-Ahly questiona porque os adversários reagiram, já que estavam ganhando o jogo por 3 a 1.

A questão é que muitos dos torcedores da equipe do Cairo participaram ativamente das manifestações que culminaram na queda do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011. Na linha de frente nos protestos da praça Tahir, os ultras recentemente voltaram às ruas para pedir a saída do de Tantoui.Os manifestantes alegam que os militares se mantém no poder e os acusam de golpe.

Muitos vêem, desta forma, na tragédia desta quarta-feira, uma vingança velada dos membros do Conselho Supremo das Forças Armadas, que deixou a confusão tomar conta do campo, resultado na morte de 74 pessoas, a grande parte pisoteadas. Esta é a opinião do candidato às eleições presidenciais, Hamdeen Sabahy, que acredita em uma vingança, “em razão da importância dos ultras na Revolução.” Alguns habitantes de Port-Saïd também corroboram essa tese. Os torcedores do Al-Ahly são respeitados entre os revolucionários, e a confusão teria sido uma “armação”, muitos dizem.

Em um comunicado divulgado pela Internet, a Irmandade Muçulmana, principal partido do novo Parlamento, recentemente eleito, diz que alguns policiais puniram o povo pela “revolução que os privou de alguns privilégios. As autoridades foram negligentes”, diz o texto. O Parlamento está reunido em sessão extraordinária nesta quinta-feira. O governo provisório decretou três dias de luto no país.
Fonte: RFI

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