- Publicidade-
Smooth Jazz Rádio Calema
Inicio Ciências e Tecnologia Mark Zuckerberg: o jovem milionário que gosta de “revoluções”

Mark Zuckerberg: o jovem milionário que gosta de “revoluções”

A primeira parte do poema épico que Mark Zuckerberg anda a escrever, desde 2004, está a chegar ao fim. Com a entrada em bolsa do Facebook, a maior rede social do planeta, o jovem prodígio que na meninice antecipou as mensagens instantâneas da AOL e criou os seus próprios jogos de computador passa a prestar contas ao mercado. Acabou o “show do Mark”.

É assim que os colaboradores mais próximos apelidam o Facebook, como o espectáculo a solo do mais conhecido dos seus fundadores (legalmente, é necessário dizer que há mais: Dustin Moskovitz, Eduardo Saverin e Chris Hughes). A inconfidência foi feita por um amigo à The New Yorker, que em Setembro de 2010 publicou um extenso perfil sobre Zuckerberg.

O texto antecipava a estreia de A Rede Social, filme de David Fincher que desde então serve de bitola ao grande público para ajuizar sobre a forma como nasceu o Facebook e sobre o carácter de Zuckerberg. Mas nem tudo é verdade: Ben Mezrich, autor do livro que serve de base ao argumento de Aaron Sorkin (a adaptação valeu-lhe um Óscar), é o próprio a admitir que a história é contada com recurso a elementos de ficção e ao estilo de um thriller.

O filme centra-se sobretudo no período que Zuckerberg passou na Universidade de Harvard, onde desenvolveu três projectos dignos de referência. O primeiro, logo na primeira semana enquanto estudante, foi o CourseMatch. Era um programa que permitia aos alunos escolher disciplinas com base nas opções tomadas anteriormente por outros estudantes. O segundo foi o polémico Facemash, no qual se dispunham as fotografias de dois estudantes lado-a-lado e se elegia um vencedor com base nas suas características físicas. O terceiro, o Facebook.

Esta capacidade produtiva não surgiu do nada. O talento de Mark para programar era notório desde cedo. Os computadores eram instrumentos vulgares em casa – em Dobbs Ferry, Nova Iorque, onde nasceu, em 1984 – e no consultório do pai, dentista. Edward Zuckerberg foi, aliás, quem deu as primeiras luzes de programação a Mark, em Basic, e o promotor do seu primeiro grande feito informático quando, em 1996, o incitou a ligar em rede os computadores do escritório. Mark arquitectou então a ZuckNet, que funcionava de forma idêntica ao serviço de mensagens instantâneas que a AOL apresentou no ano seguinte. Tinha 12 anos.

No último ano do ensino secundário, voltou a antecipar-se à indústria e desenvolveu, com um amigo, o Synapse Media Player, um leitor de música “inteligente” que conseguia aprender os hábitos de audição dos seus utilizadores. Um conceito que o Pandora aprimorou e explorou mais tarde. Nessa altura, a AOL e a Microsoft tentaram, não só comprar o produto, como recrutar o jovem programador. Mark recusou e decidiu ir para Harvard, aonde chegou já com reputação de jovem estrela e começou a estudar Psicologia e Ciências da Computação.

Foi em Harvard que conheceu Divya Narendra e os gémeos Winklevoss, Cameron e Tyler, que estavam a trabalhar numa rede social para a comunidade universitária e o convidaram para assegurar a programação. Mark aceitou e os novos parceiros ficaram à espera para avançar – e à espera continuaram. Zuckerberg abandonou o projecto sem aviso e empenhou-se na construção do Facebook, estreado online a 4 de Fevereiro de 2004. Os Winklevoss e Narendra não gostaram e acusaram-no de roubar a ideia e atrasar deliberadamente o lançamento do seu site, o Harvard Connection. Processaram-no.

O filme de David Fincher também dedica muito do seu tempo ao processo judicial, que acabou com um acordo no valor de 65 milhões de dólares (49,5 milhões de euros, ao câmbio actual). O resto é a história de sucesso de um espaço que, em oito anos, viria a ser central no quotidiano de mais de 800 milhões de cibernautas. O Facebook tornou-se num sítio de encontro, reencontro, promoção, discussão, indignação e acção. É a plataforma em que se forma um “mundo mais aberto”, como Zuckerberg lhe chama. A rede social começou por confinar-se a Harvard, expandiu-se para o resto da Ivy League e depois para outras universidades, dentro e fora dos EUA. No início de 2006, abriu-se aos alunos do secundário e, uns meses mais tarde, a 11 de Setembro, a qualquer utilizador com mais de 13 anos. E explodiu.

Mark Zuckerberg tornou-se assim num dos mais jovens milionários do mundo. A Forbes estimou, em 2011, o valor da sua fortuna em 17,5 mil milhões de dólares (13,3 mil milhões de euros). Apesar de todo esse dinheiro, Zuckerberg arrenda casa em Palo Alto, perto da sede do Facebook, comprou um carro “seguro, confortável e não ostentoso” e usa diariamente calças de ganga, t-shirts e sapatilhas. É um comportamento atípico para um milionário, que está mais apaixonado com o seu produto do que com o dinheiro que, de forma imediata, consegue obter com ele. Zuckerberg, aos 22 anos, recusou uma proposta de mil milhões de dólares para vender o Facebook. “Não é pelo preço. Isto é o meu bebé e quero continuar a dirigi-lo”, foi a resposta que deu ao então presidente executivo da Yahoo!, Terry Semel, autor da proposta.

O entusiasmo proporcionado pela entrada em bolsa do Facebook só é travado pelo receio de que esteja em marcha uma nova bolha tecnológica e pelo incómodo que a postura heterodoxa de Zuckerberg proporciona em Wall Street. Zuckerberg está pronto a recusar propostas milionárias por produtos que não sabe se vão render o mesmo dinheiro ou não. “Nunca conheci ninguém que dissesse que não a mil milhões de dólares”, declarou Terry Semel, citado no mesmo artigo da The New Yorker. Essa proposta foi feita em 2006 e o Facebook só se afirmou plenamente como o gigante que agora é em 2010, ano em que ultrapassou os 500 milhões de utilizadores e Mark foi eleito a pessoa do ano para a Time. Zuckerberg decidiu arriscar e, dessa vez, ganhou.

Abrir a empresa a investidores em bolsa, o que o obriga a apresentar resultados e a estudar bem cada decisão empresarial que toma, sempre motivou renitência em Zuckerberg, que se vê nesse processo a perder a independência que tanto aprecia na gestão do Facebook. Mas a quantidade de dinheiro que a empresa vai encaixar – e, em particular, os seus sócios – acabou por falar mais alto. Zuckerberg terá de se habituar à nova realidade, ao anonimato imprevisível dos mercados. Mas os investidores também terão de se adaptar a Zuckerberg, que trabalha mais como o presidente de uma startup do que como líder de uma grande corporação.

A segunda parte da epopeia Facebook começa no dia em que a empresa passar a estar cotada em bolsa. É o grande salto. Mas, como o próprio Zuckerberg gosta de lembrar, “a sorte favorece os audazes”. É uma das citações que publicou no seu perfil no Facebook – através do qual 11,2 milhões de subscritores acompanham cada passo partilhado na rede – e uma das que costuma usar em entrevistas, retirada da Eneida, de Virgílio. Antigo aluno de arte e cultura clássica, Zuckerberg é um apaixonado pela Antiguidade e leitor dedicado dos épicos. Aprendeu latim no liceu. Recentemente, para uma viagem à China com a namorada, Priscilla Chan – relação que mantém desde a universidade –, aprendeu mandarim. Mas as surpresas biográficas de Zuckerberg, capitão de esgrima no preparatório, não se ficam por aqui: este empreendedor no coração do capitalismo gosta de “revoluções”. Diz no Facebook.

Fonte: Publico

- Publicidade -
- Publicidade -

Banca portuguesa ensombrada com novos despedimentos

A Agência de 'rating' Fitch, no final de Julho, considerava que, face à nova ameaça para o sector bancário português que representa a crise...
- Publicidade -

Mãe é acusada de matar filha ao desligar dispositivo de oxigénio

Elise C. Nelson, de Paynesville, nos EUA, foi acusada de homicídio depois de, supostamente, ter desligado o alarme do dispositivo de monitoramento de oxigénio...

Guiné-Conacri: Vítimas de massacre de 150 pessoas exigem justiça 11 anos depois

Seis organizações dos direitos humanos exigiram hoje justiça contra os autores do homicídio de mais de 150 manifestantes, violações e outros crimes cometidos há...

Grávida, Chrissy Teigen é hospitalizada devido a forte sangramento

Grávida do terceiro filho, Chrissy Teigen foi hospitalizada devido a um forte sangramento. A modelo, de 34 anos, que já se encontrava de repouso...

Notícias relacionadas

Banca portuguesa ensombrada com novos despedimentos

A Agência de 'rating' Fitch, no final de Julho, considerava que, face à nova ameaça para o sector bancário português que representa a crise...

Mãe é acusada de matar filha ao desligar dispositivo de oxigénio

Elise C. Nelson, de Paynesville, nos EUA, foi acusada de homicídio depois de, supostamente, ter desligado o alarme do dispositivo de monitoramento de oxigénio...

Guiné-Conacri: Vítimas de massacre de 150 pessoas exigem justiça 11 anos depois

Seis organizações dos direitos humanos exigiram hoje justiça contra os autores do homicídio de mais de 150 manifestantes, violações e outros crimes cometidos há...

Grávida, Chrissy Teigen é hospitalizada devido a forte sangramento

Grávida do terceiro filho, Chrissy Teigen foi hospitalizada devido a um forte sangramento. A modelo, de 34 anos, que já se encontrava de repouso...

Polidesporto: Federações renovam mandatos

As federações de xadrez, voleibol e ténis de mesa realizaram sábado as respectivas renovações de mandatos, resultando em voto de confiança para dois presidentes...
- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.