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Factos que marcaram a comunidade internacional

O ano de 2011 marcou o fim de alguns regimes no mundo árabe e o fim do período áureo da União Europeia. A Primavera Árabe, desencadeada após a auto-imolação do tunisino Mohammed Bouazizi, e aproveitada por alguns países e sectores do Ocidente, provocou a queda de quatro regimes (Tunísia, Egipto, Líbia e Iémen), o assassinato pela OTAN de um estadista (Muammar Kadhafi) e manifestações em vários países de África e do Médio Oriente.
As revoltas também demonstraram que as redes sociais são poderosas ferramentas para disseminar ideias e organizar manifestações.
O desastre humanitário no Corno de África, com especial relevância para a Somália, matou centenas de milhares de seres humanos e ameaça mais de dez milhões de pessoas.
Na Europa, a crise das dívidas soberanas e as medidas de austeridade provocaram o “Inverno Europeu” e o derrube de vários governos: José Luiz Zapatero, em Espanha, Brian Cowen, na Irlanda, José Sócrates, em Portugal, Giorgos Papandreu, na Grécia, e Sílvio Berlusconi, em Itália.
O ano de 2011 também marcou o declínio da “esquerda” e a ascensão da “direita” na Europa.
A primeira grande crise da União Europeia conduziu igualmente a uma discussão que há pouco tempo era impensável: o debate sobre o fim da moeda europeia, o euro.
Os Estados Unidos assassinaram Osama Bin Laden. Barack Obama ordenou a retirada total das tropas norte-americanas do Iraque, oito anos após a invasão dos Estados Unidos àquele país do Médio Oriente.

Na Ásia, o acidente de Fukushima trouxe à ribalta o fantasma da destruição nuclear e discussões sobre os riscos da energia atómica, no ano que assinalou 25 anos desde o acidente nuclear em Chernobyl.
A morte do líder norte coreano Kim Jong Il, também no continente asiático, lançou a incerteza na península coreana e na Ásia.

Principais acontecimentos

JANEIRO
Ben Ali e Dilma Roussef
Depois de 23 anos de reinado, o presidente da Tunísia, Zine Abdine Ben Ali, foge para a Arábia Saudita após uma revolta popular e torna-se na primeira vítima da chamada Primavera Árabe.
No Brasil, Dilma Roussef substitui Lula da Silva e é a primeira mulher a ser eleita para a Presidência da República. Exige ser tratada por Presidenta.

FEVEREIRO
Primavera Árabe
O presidente egípcio Hosni Mubarak, no poder desde 1981, renuncia ao cargo e transfere os poderes para o Exército após 18 dias de manifestações. Mubarak é a segunda vítima da Primavera Árabe. Ondas de revoltas populares atingem o Bahrein, Líbia e Marrocos.
O primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, é o primeiro chefe de governo europeu vítima da crise das dívidas soberanas na Europa.

MARÇO
Sócrates e Fukushima
O primeiro-ministro português, José Sócrates, renuncia ao cargo. No Japão, um tsunami provocado por um terramoto afecta a central de Fukushima e provoca a catástrofe nuclear mais grave dos últimos 25 anos. O saldo do terramoto e do tsunami é de 20.000 mortos.
Início dos protestos contra o regime de Bashar al-Assad, na Síria.
Mahmadou Issoufou é eleito presidente da República no Níger.

ABRIL
Gbagbo e Ouattara
O Presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, é detido pelo exército francês e entregue ao líder da oposição Alassane Ouattara, que se torna no novo chefe de Estado. Milhares de marfinenses protestam em Paris e denunciam a interferência da França naquele país africano.

MAIO
Bin Laden e “indignados”
Depois de dez anos de perseguição, Osama bin Laden é assassinado numa operação das forças especiais norte-americanas no Paquistão, desencadeando uma crise diplomática entre o Governo de Islamabad e de Washington.
Um movimento de “indignados” em Espanha, que expressam descontentamentos sociais, políticos e económicos contra o sistema capitalista, espalha-se por todo o mundo.

JUNHO
Hugo Chávez
O chefe de Estado da Venezuela, Hugo Chávez, anuncia ao mundo que tem cancro e inicia um tratamento de quimioterapia. Depois denuncia que outros estadistas da região, que não alinham com Washington, sofrem de cancro.

JULHO
Assassino de Oslo
As Nações Unidas declaram crise de fome em várias regiões da Somália. A região do Corno de África sofre uma das piores crises de fome da sua história, que matou milhares de pessoas.  O Sudão do Sul torna-se no país mais jovem do mundo.
Um atentado à bomba perpetrado por um fundamentalista cristão norueguês em Oslo mata 77 pessoas. O ataque põe fim a dez anos de existência do paradigma da “islamofobia” e demonstra que o radicalismo pode vir de todos os lados.
Em Espanha, o primeiro-ministro José Luiz Rodriguez Zapatero renuncia ao cargo. No Peru, Ollanta Humala é eleito presidente.

SETEMBRO
Palestina na ONU
O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmmoud Abbas, pede oficialmente às Nações Unidas o reconhecimento da Palestina como Estado de pleno direito da ONU, com base nas fronteiras anteriores à “guerra dos seis dias” (1967) e com Jerusalém oriental como capital.
O líder da oposição da Zâmbia, Michael Sata, é eleito presidente da República após as eleições presidenciais naquele país da África Austral. A eleição de Michael Sata como Chefe de Estado é a segunda grande alternância do país, após a independência.

OUTUBRO
Kadhafi e Palestina
O presidente da Líbia, Muammar Kadhafi, é capturado e brutalmente assassinado na sua terra natal, Sirte, oito meses depois do início da guerra da Aliança Atl|antica contra o seu governo.  Barack Obama confirma a retirada total dos soldados americanos do Iraque para antes do fim do ano.
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e o presidente dos Camarões, Paul Bya, são reeleitos.
A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, vence o prémio Nobel da paz com a compatriota Leyman Gbowee e a activista iemenita da primavera árabe, Tawakkul Karman.
A Autoridade Nacional da Palestina é admitida como membro de pleno direito da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. A população mundial chega a sete mil milhões.

NOVEMBRO
Renúncia e contestação
Os primeiros-ministros da Grécia e da Itália, Giorgos Papandreu e Sívio Berlusconi, renunciam ao cargo.
O presidente do Iémen, Abdulah Saleh, abandona o poder depois de 11 meses de revolta popular.
Daniel Ortega é eleito presidente da Nicarágua e Joseph Kabila da República Democrática do Congo e na Libéria a presidente Ellen Johnson Sirleaf também é reeleita, após disputar sozinha a segunda volta das presidenciais no país.

DEZEMBRO
Zona Euro e Kim Jong-il
Nicolas Sarkozy e Angela Merkel anunciam, em Paris, um acordo para salvar o euro e um projecto de revisão dos tratados da União Europeia.
O presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-il, 69 anos, morre vítima de um enfarte. Kim Jong-un, o seu filho mais novo, é eleito “grande sucessor do sistema revolucionário” da Coreia do Norte. O falecimento de Kim Jong-il e a inexperiência de Kim Jong-un trazem incerteza na Península coreana e no mundo, devido ao poderio militar de Pyongyang.

 

 

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: AFP

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