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“Clínicas” para reparar avarias de telemóveis

Adão Paulo tem 18 anos e levou o seu telemóvel ao Mercado dos Congolenses porque o visor não estava a funcionar. Recebia chamadas, mas não conseguia identificar os números, nem ler mensagens. Numa “clínica” de rua encontrou quem lhe fizesse a troca do visor. Mas teve de pagar cinco mil kwanzas. O serviço é feito na hora e de forma rápida.
O jovem ficou contente porque não teve que comprar um aparelho novo, muito mais caro do que aquilo que pagou pela reparação. O técnico da “clínica” foi tão rápido, tão seguro, tão profissional que não teve dúvidas de que foi bem servido.
Filipe Sebastião tem outra opinião: “hoje mandar reparar um telemóvel nas clínicas de rua é um grande perigo. Muitas vezes os funcionários agem de má fé”. E contou um caso:  “um amigo meu levou o seu telemóvel à reparação e passado algum tempo foi-lhe dito que o aparelho tinha desaparecido”. Felipe Sebastião alerta todos os que precisarem de reparar telemóveis para se informarem primeiro sobre a honestidade dos técnicos das “clínicas”. Muitas vezes os clientes ficam sem os aparelhos e sem o dinheiro.
Eduardo Celestino é técnico numa “clínica” do Mercado dos Congolenses. Disse à nossa reportagem que repara os telemóveis dos clientes com peças e sobressalentes retiradas de telemóveis fora de uso que compra aos clientes. “ Mas há casos em que somos obrigados a comprar o material em lojas que representam as marcas”, disse
Eduardo Celestino referiu que hoje já não há qualquer dificuldade na compra de peças de substituição de qualquer tipo de telefone, porque há também muitas pessoas a viajar para os países como a China e Namíbia: “fazemos as encomendas e trazem-nos tudo aquilo de que necessitamos para este negócio de reparação de telemóveis”.
“Algumas vezes encontramos dificuldades em conseguir acessórios principalmente para telefones digitais: “estes são telefones com um sistema de software especial e a recuperação deles é difícil”.

Negócio está difícil

Eduardo Celestino disse que há pouco tempo tinha mais de dez clientes por dia e os lucros chegavam a atingir 300 dólares. Mas devido ao aumento da oferta e à baixa de preços na venda de telemóveis os lucros caíram.
Todos os técnicos das “clínicas” têm um ajudante no negócio. Muitas vezes porque um sozinho não consegue o dinheiro diário suficiente para pagar o local onde montam a banca. Mas também é importante trabalhar a dois, sobretudo quando é necessário procurar um acessório que não está disponível na “clínica”.
Os preços dos telemóveis desceram e o mercado está “saturado”. Hoje já se compra um aparelho mais barato do que o custo da reparação dos telefones mais sofisticados. Por isso os lucros registados no passado desceram. Mas ainda dá para viver: “ganhamos menos mas também temos mais clientes, porque existe mais gente com telefone”. Eduardo Celestino sublinha que as principais avarias encontradas nos telemóveis são a quebra do visor, falta de som nos auscultadores, mau funcionamento do teclado e nos cabos. O técnico diz que troca por dia dez visores de telemóveis avariados.

Sustento da família

Francisco Correia, de 27 anos, é técnico de telemóveis há nove anos, no Mercado dos Congoleses aprendeu a profissão com o tio. Ele sente-se orgulhoso do trabalho que faz e o que ganha dá-lhe para pagar a renda da casa porque vive longe da sua família há muitos anos.
Os rendimentos do seu trabalho na “clínica” permitem-lhe pagar as propinas e custear todas as despesas na universidade, onde está a fazer o curso superior de gestão.
“Com este trabalho também consegui fazer vários cursos profissionais como o de operador de câmara ou de informática”, referiu
Francisco Correia disse ainda que apesar das dificuldades nunca desistiu de lutar e hoje “enche a boca” para dizer que é possível viver com o dinheiro que ganha a arranjar telemóveis: “há alguns técnicos que enganam os clientes mas eu respeito a clientela e presto a todos os meus clientes um serviço de qualidade,”.
Para reparar telemóveis com sistemas de altas tecnologias Francisco Correia cobra 18 mil kwanzas mas o serviço é garantido.

Fonte: Jornal de Angola
Fotografia: Santos Pedro

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