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UNITA: governo sombra sai do papel

Tomou posse na última quarta-feira a estrutura do maior partido da oposição que se predispõe, doravante, a fiscalizar toda a actividade do Executivo,. Trata-se do “governo sombra”, prometido pelo presidente reeleito Isaías Samakuva no decorrer do XI congresso.

A direcção da UNITA retoma, na verdade, uma experiência política que estava adormecida há longos anos, remontando ao tempo da liderança do fundador, Jonas Savimbi.

Este tipo de estrutura incluía também as chamadas missões externas, equiparadas a representacões diplomáticas.

Membros da UNITA justificam a iniciativa com a proximidade do período pré-eleitoral que encoraja o maior partido da oposição a seguir de perto toda actividade do Executivo, fiscalizando apresentando a sua visão estratégica de governação. Na vigência da Comissão de Gestão de Lukamba Paulo Gato, depois do IX Congresso, o primeiro realizado em Luanda, retoma o governo sombra, adaptando pela primeira vez aquela estrutura ao contexto de paz, porém ao que consta nunca foi funcional,.

Outra situacao que terá fragilizado aquela estrutura é a contestação que fora alvo o então novo líder Isaías Samakuva, algo a que se junta o afastamento de alguns pesos pesados do partido.

Quando Lukamba Paulo “Gato” relançou a ideia, os dois dossiers governativos que estavam em vouga estavam relacionados a polémica questão da ponte do rio Cavaco, na província de Benguela, e com a pista do aeroporto do Kuito, na província do Bié, um facto que posteriormente valeu a exoneração do então ministro das Obras Públicas, António Henriques. Alcides Sakala, que respondia pela política externa, disse o que actual elenco sombra, herda um legado positivo do anterior que funcionou de acordo com as circunstâncias daquela altura, destacando que acções mais notórias teriam sido a fiscalização, a critica e o apontar de soluções , mostrando o que um governo da UNITA faria face a determinado problema.

Sublinha no entanto que a circunstância em que agora é reactivada essa estrutura é bem diferente, face aos desafios que colocam tanto as eleições gerais como as autárquicas, tendo em conta que em 2003, quando se diferente. Por exemplo, havia uma grande preocupação com a inserção dos ex-militares e com o mecanismo bilateral entre o governo e a UNITA para rever certos pendentes decorrentes dos vários acordos de paz. “O governo sombra terá um dinamismo maior. Estamos numa fase de pré-campanha e isto exige de todos os actores da sociedade um governo sombra”, disse, Alcides Sakala O integrante daquele governo paralelo reivindica como maior feitos a apresentação do projecto da cidade metropolitana, além de no domínio económico terem apresentado o projecto da zona económica, que sublinha terem sido ideias aproveitadas pelo MPLA.

“Isto é bom, sobretudo quando concorre para o bem-estar dos angolanos. Não há desaforos quanto a isto. São ideias como estas que vamos levar nessa abordagem com a sociedade ”

O elenco sombra

Relativamente ao elenco do governo sombra anterior repara-se um alargamento dessa estrutura um facto que se justifica, em parte, pelos desafios que o momento político impõe, procurando abarcar áreas essenciais da governação e da sociedade. No actual formato, foram introduzidas pastas que vão atender às questões do Meio Ambiente e Climáticas, Urbanismo, Juventude e Desporto, Ordenamento do Território, bem como outras pastas. A opção para coordenar esse gabinete composto por vinte e dois elementos, na sua maioria membros da Comissão Permanente do partido, que igualmente tomou posse na quarta-feira, recaiu para o economista Fernando Heitor com um cargo equiparado ao de um primeiroministro ou chefe de governo.

O economista vê reforçado e consolidado o seu papel e a posição nessa estrutura, sendo o único sobrevivente do elenco anterior.

Lista do governo sombra

  • Primeiro-Ministro e Ministro da Economia – Fernando  e Heitor
  • Ministro  da  Agricultura  e  Pescas  -Amílcar Colela
  • Secretária Para  Emprego  – Arlete Chimuenho
  • Secretário Para Segurança Social – Osvaldo Júlio
  • Juventude e Desporto – Marcial Dachala
  • Ministro da Energia e Aguas – Mines Tadeu
  • Ministro da Justiça  e  Direitos Humanos – Armindo Cassessa
  • Ministra do Assunto das Mulheres e  Família  – Anita Jaime
  • Ministro do Ordenamento e Repovoamento do Território – Américo Chivukuvuku
  • Ministro da saúde – Sebastião Sapuile  Veloso
  • Ministro da Segurança Prevenção e Combate ao Crime – Dias Orlando Felipe Matossanga
  • Ministra de combate e Prevenção a Corrupção – Marcelina Pascoal
  • Ministra do Meio Ambiente – Helda Santos
  • Ministro do Urbanismo e Habitação – Fonseca Chindondo
  • Educação e Ensino e Cultura – Manuel Correia

 

Valdimiro Dias
Fonte: O País
Foto: O País

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