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Lobbies passam informação para desacreditar Angola

O embaixador de Angola em Portugal disse existirem alguns círculos naquele país da Europa que fazem lobbies que visam passar informações negativas sobre Angola para desestabilizar o país e desacreditar as instituições do Estado. Em entrevista exclusiva ao Jornal de Angola, à margem da reunião de embaixadores angolanos, decorrida em Luanda, Marcos Barrica afirmou que a Missão diplomática em Portugal mantém informada a comunidade angolana sobre o país e que um dos instrumentos que usa é o desporto, através do torneio “Angola avante”.

JORNAL DE ANGOLA (JA) – Como estão as relações entre Angola e Portugal?

MARCOS BARRICA (MB) – Tal como temos dito várias vezes e a diferentes níveis, as relações estão bem! São relações intensas, favoráveis e recomendam-se.

JA – O que é que a Embaixada faz para mobilizar os angolanos para regressarem  ao país?

MB – A comunidade angolana em Portugal é heterogénea. Está estratificada em diversos escalões, em função do tempo em que lá estão, em função dos motivos e interesses que levaram à sua ida para lá. Há angolanos que estão lá há mais de 30 anos. Uns foram por altura da independência, outros estão lá há muito mais tempo e outros ainda foram depois do recrudescimento do conflito armado em Angola, à procura de melhores condições de vida. Há também os que nasceram lá. Há os que conhecem melhor a nova Angola e há aqueles que desconhecem, porque as fontes de informação são diversas, mas a nossa missão diplomática tem vindo a passar uma informação real.

JA – Disse que há muitas fontes de informação. Que fontes são essas que refere?

MB – Portugal é uma placa giratória onde há muita intoxicação de informação e que nem sempre é verdadeira. Há muitos lobbies e focos que estão a passar informação, intencionalmente negativa, sobre Angola para desestabilizar o país, para desacreditar as instituições. Mas há um trabalho que está a ser feito, na medida do possível, de modo a que se possa dar informação credível e real sobre o que se passa em Angola. Há os que estão interessados em vir para o país, sobretudo aqueles estudantes que concluíram os seus cursos. Lá há dificuldades de emprego e cá, com maior ou menor dificuldade, pode-se encontrar uma oportunidade de emprego. Aliás, é sua obrigação virem desempenhar o seu papel no jogo do desenvolvimento do país.

JA – De que forma a diplomacia angolana reage contra estes focos de informação a que o senhor embaixador se refere?

MB – Temos um sector de imprensa que tem um jornal mensal, para além de uma revista que circula nos meios diplomáticos. Mas também temos intervenções pontuais nas entrevistas que prestamos aos órgãos de informação portugueses e nos encontros com a comunidade. Passamos igualmente a informação sobre o país nos colóquios nas universidades. Também estamos de parabéns porque a nossa Televisão Pública de Angola tem um canal internacional e aqueles que têm acesso a este canal usufruem das informações que lhes chegam. Contamos também com a Angop e o Jornal de Angola que também são lidos lá. Ainda assim, precisamos é de um sistema de informação mais sistematizado, mais coordenado e articulado.

JA – Portugal é um dos países mais afectados pela crise na zona Euro. Como tem a comunidade angolana aqui tem resistido a essa crise económica?

MB – Como deve calcular, se os próprios portugueses têm dificuldades sérias decorrentes desta crise muito mais têm aqueles que não são portugueses. Temos no seio da comunidade angolana situações de grandes dificuldades para obter emprego, uns têm empregos temporários e até sazonais e a comunidade é vasta e os problemas existem. A Embaixada não é uma entidade empregadora que acolha toda a comunidade e não pode fazer nada para acudir neste aspecto particular as necessidades desses aflitos. A nossa orientação é no sentido daqueles que têm algum ofício, algum conhecimento ou algum saber, buscarem oportunidade no seu próprio país.

JA – Que tipo de vistos os portugueses solicitam mais quando pretendem vir para Angola?

MB – Os vistos são diversificados e concedidos pelos serviços consulares. Temos os vistos ordinários, os turísticos e de trabalho. Grosso modo, os vistos mais solicitados são os vistos ordinários, dos que vêm em visita. Os cidadãos que pedem vistos extraordinários vêm para muitos fins. E muitos dos fins, pelo que nós sabemos, é de vir explorar o mercado de emprego ou para negócios.

JA – O acordo de facilitação de vistos, assinado este ano, tem facilitado o processo?

MB – Efectivamente! Veio facilitar, dada a intensidade migratória e a circulação dos cidadãos dos dois países. Devo dizer que há muita solicitação de pessoas que querem vir trabalhar em Angola. Isso resolve-se no contexto dos vistos de trabalho, que também foram acautelados no novo acordo de facilitação de vistos que foi assinado. Estes vistos de trabalho são vistos de curta duração, que não exigem longo tempo de permanência e trabalhos de longa duração.

JA – Em que áreas estão formados os portugueses que mostram interesse em vir trabalhar em Angola?

MB – Temos os domínios da indústria, a construção e também os serviços. A construção é a que absorve a maior parte dos cidadãos portugueses cá. Mas temos também a indústria extractiva e os serviços de telecomunicações e transportes. Vêm ainda outros no domínio da ciência e tecnologia. Há muitos professores nas academias, porque há uma intensidade nas relações entre as universidades e isso é muito bom. Para além daqueles que vêm em turismo.

JA – Que balanço se pode fazer da acção da Embaixada angolana em Portugal?

MB – Este ano foi um ano extraordinariamente bom em termos de movimentação diplomática entre Angola e Portugal, como de resto tem sido quase norma. Mas este ano se deve destacar a vinda a Angola do senhor primeiro-ministro, Dr. Passos Coelho, do ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Paulo Portas, no âmbito da reunião da CPLP, a visita a Portugal do ministro das Relações Exteriores de Angola, Dr. Georges Chikoti, durante a qual foram celebrados importantes acordos, como, por exemplo, o acordo de facilitação de vistos entre os dois países. Também foi celebrado um acordo de formação entre o Instituto Diplomático Português e o Instituto de Relações Internacionais de Angola, no domínio da formação de quadros e troca de informação.

JA – E no âmbito da CPLP, cuja sede se encontra em Portugal?

MB – Houve uma movimentação nesse domínio. Passaram lá várias delegações angolanas na CPLP, cuidaram dos respectivos dossiers e sempre com a intervenção angolana.

JA – E o trabalho com as comunidades?

MB – A Embaixada de Angola entendeu dar maior atenção às comunidades. Embora seja uma área específica dos consulados, entendeu que esta deve ser cuidada com maior atenção. É importante manter os angolanos unidos. Tal como disse no princípio, temos uma comunidade diversificada e era importante manter o sentimento de angolanidade presente, fazer com que aqueles que estão longe da pátria se sintam presentes, para que tenham momentos de lazer e de convívio, momentos de exaltação patriótica. Achamos que a melhor forma de fazê-lo é realizar actividades interactivas, que movimentam multidões e o desporto é um desses instrumentos poderosos para aproximar pessoas, congregá-las e orientá-las numa determinada direcção.

JA – Como têm feito isso?

MB – Institucionalizámos, há dois anos, o torneio “Angola avante”, que tem uma grande adesão da comunidade angolana na diáspora, mas também envolve outras comunidades dos PALOP na diáspora. Este torneio tem vindo a ser referenciado e tem recebido vários elogios porque os angolanos sentem que é um momento particular. Todo o mundo espera que por altura de Novembro haja estas edições. Também estamos a realizar outras actividades para manter essa ligação.

JA – Que actividades são essas que se refere?

MB – Estamos a intensificar encontros com os homens da cultura. Temos muitos artistas, cantores, artistas plásticos e escritores e a ideia tem sido no sentido de incentivar essa gente a regressar ao país. Por isso, quando realizamos exposições culturais pretendemos mostrar o que é Angola e temos aproveitado as efemérides para divulgar o país. Tivemos um ano bom e desejo continuar a realizar coisas que enalteçam a imagem de Angola no estrangeiro, em Portugal em particular, e que levem os cidadãos a voltarem para o seu país. Penso que isso é possível.

Gabriel Bunga
Fonte: Jornal de Angola
Fotografia: Jornal de Angola

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