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Prémios Sakarov prometem cumprir o sonho da revolução

Dois premiados presentes e três ausentes: um retrato da Primavera Árabe no Parlamento Europeu, na entrega do Prémio Sakarov. Os presentes, a jovem egípica Asmaa Mahfouz, o rosto jovem dos ciberactivistas do país, e o líbio Ahmed al-Sanussi, mais conhecido por ser o prisioneiro de consciência que mais tempo passou na prisão (31 anos), são dois rostos diferentes da esperança no futuro do Egipto e da Líbia. Ausentes, dois activistas sírios, a advogada defensora dos direitos humanos Razan Zaitouneh e o cartoonista Ali Farzat.

 

E o último ausente, o tunisino Mohamed Bouaziz, que com a sua imolação despertou a onda de protestos e revoluções no mundo árabe.

Para Asmaa Mahfouz, o importante agora no Egipto é assegurar que “os membros do antigo regime não têm apoio”. E “os jovens estão dispostos a sacrificar-se para um país em que os direitos humanos são respeitados”.

Mas a blogger acha que se esperou demasiado. “Houve mortos porque esperámos tanto tempo até fazer alguma coisa?”, questionou. “Basta um morto para sabermos que há violações dos direitos humanos.” Mahfouz termina a sua intervenção com um sorriso aberto e duas covinhas, lenço preto e branco enquadrando-lhe o rosto: “Aos mártires da revolução árabe queremos dizer que não vos vamos trair. Vamos assegurar que este sonho se cumpre.” O contraste com o orador seguinte é grande: Ahmed al-Sanussi, no seu fato tradicional, anda devagar pesando os seus 71 anos, 31 dos quais preso, nove em regime solitário, por ter tentado derrubar Khadafi (mais tempo do que Nelson Mandela).

“Fui torturado, humilhado. Mas houve muitos outros nessas prisões”, conta, relembrando hoje, no imaculado ambiente do Parlamento Europeu, cenas sangrentas. Por exemplo, como ouviu dezenas de prisioneiros “pessoas com educação”, sublinha serem mortos a tiro na infame prisão de Abu Salim. “Ouvimos os tiros.

Ouvimos quando eles foram mortos.” “Mas nunca perdi a esperança”, sublinha Sanussi. E hoje aqui está ele, e está optimista. “Com paciência e persistência acho que vamos conseguir.” Uma palavra para os europeus, esses que apoiaram “por várias razões” o antigo ditador: “ficámos muito gratos pelo apoio militar inequívoco. Todos perceberam que o povo ia ganhar. Por isso agradeço à Europa”.

Da Síria veio uma declaração e um vídeo. Uma declaração de uma pessoa que vive escondida, a advogada Razan Zaitouneh, e um video de alguém que vive da crítica e que já sofreu por isso e ainda em Agosto foi espancado depois de ser detido.

“Na Síria as pessoas vão-se manifestar sem medo de morrer”, apesar de se estimar terem já morrido perto de cinco mil pessoas.

“Continuam porque sabem que é importante”, disse Ali Farzat, a imagem no video mostrando a sua figura, de pêra, cabelo ondulado penteado para trás e lenço dandy ao pescoço.

“Agora a minha voz está a ser ouvida”, agradeceu. “Tenho o direito a viver em liberdade e estou preparado para lutar por isso.”

 

 

Fonte: O País

Foto: O País

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