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Curso médio de enfermagem regressa aos colégios

Os ministérios da Educação e da Saúde autorizaram algumas instituições de ensino privadas, entre as quais a Escola Técnica de Saúde de Luanda (ETESAL), na Avenida Hoji Ya Henda, a voltar a leccionar o curso médio de enfermagem nas mais diversas especialidades no próximo ano lectivo.

A formação de técnicos médios de saúde em escolas públicas e privadas esteve vetada por mais de quatro anos. O interregno ocorreu para que a grelha curricular fosse reorganizada em função das novas exigências e dos desenvolvimentos das novas tecnologias de informação.

O sub-director pedagógico da ETESAL, João Correia Filho, revelou a O PAÍS que só receberam o aval dos dois ministérios depois de passarem por uma rigorosa inspecção técnica e pedagógica.

A qualidade dos laboratórios, postos de saúde (apetrechados com equipamentos de ponta) e do corpo docente também fez parte dos critérios que levaram a que os inspectores concluissem que a instituição escolar tem as qualidades exigidas para formar estudantes com um nível exigido a nível internacional.

“Actualmente o rigor é superior em relação ao de há alguns anos atrás, devido às mudanças que ocorreram nas tecnologias ligadas a este sector e no próprio programa de ensino”, declarou. O responsável disse ainda que “o curso está mais técnico, visto que é apenas no primeiro ano (10º classe) onde encontramos só duas disciplinas técnicas. Nos anos subsequentes é mais prático e exigente”.

João Filho explicou também que o curso tem a duração de quatro anos.

Os estudantes começam a ter contacto com os laboratórios de química, informática e biologia a partir do segundo ano.

Atendendo às exigências e à especificidade dos cursos que ministra, a ETESAL conta com uma equipa de educadores cívicos que acompanha o desenvolvimento dos estudantes, evitando que eles tenham comportamentos reprováveis pela sociedade.

Contrariamente ao ETESAL, que se manteve apesar do interregno anterior, o colégio Bem Dizer só voltará a reabrir as portas no próximo ano lectivo, em 2012. De acordo com uma fonte do Ministério da Saúde, esta unidade de ensino solicitou autorização para leccionar os cursos de enfermagem, análises clínicas e farmácia.

A outra unidade de ensino que também reabriu as suas portas ao público é a Escola Formação de Técnicos de Saúde de Luanda (EFTS), ex-IMS.

Antes disso, esteve a promover cursos de superação para os técnicos básicos enquadrados nas diversas unidades hospitalares de Luanda.

Uma fonte contou que os cursos com duração de dois anos, repartidos em um ano e seis meses de aulas teóricas e seis meses de estágios em diversos hospitais equivalerão ao ensino médio.

Após a sua conclusão, os profissionais estão em condições de concorrer no próximo concurso público para serem enquadrados como técnicos médio. Com a saída do último grupo dos formandos do curso de superação, a direcção do antigo IMS arrancou este ano com o curso médio de saúde, aberto ao público.

Falta laboratórios na EFTS

A falta de laboratório na única instituição pública que lecciona o curso médio de enfermagem é apontada pelos estudantes como sendo um dos seus maiores motivos de preocupação.

A estudante de análises clínicas Manuela Francisco confessou a O PAÍS que se sente bastante feliz por estar a formar-se na área que sempre sonhou, mas que está apreensiva por cusa da escassez de laboratórios.

“A princípio achei estranho a ideia de estar a fazer este curso, mesmo sabendo que não temos aqui laboratório com as condições apropriadas, mas a direcção da escola garantiunos que este problema será resolvido”, declarou a jovem.

Ela conta que, após terminar o ensino de base, chegou a fazer o primeiro ano do curso de ciências físicas e biológicas no Puniv da Samba, por ser o curso que lhe permitiria estar munida de conhecimentos para ingresasar facilmente numa das faculdades de medicina. Mas, mudou de rumo ao conseguir uma vaga nesta escola.

“Face à escassez de laboratórios que esta escola apresenta, a minha mãe, que é médica do Hospital Josina Machel, é de opinião que devia fazer a formação no colégio Alpega por causa da qualidade do ensino, mas isso não é possível devido à proibição do governo”, disse a jovem que desconhece a nova medida do executivo.

Para suprir a falta de laboratórios específicos, o programa curricular do primeiro ano do EFTS está simplesmente virado para as disciplinas teóricas. As aulas práticas começam no segundo ano, altura em que se pensa concluir as obras de reabilitação de um dos lavatórios.

A jovem Lara Agostinho trocou o luxuoso Complexo Escolar Girassol (afecto à Sonangol), onde frequentava o curso de médio de informática pela EFTS, onde pretende realizar o sonho de se formar em análises clínicas.

“Fiquei muito triste quando tomei conhecimento que não poderia fazer a formação média nesta área devido à decisão do Governo de cancelar este curso. Por isso, não hesitamos nem um pouco quando surgiu a primeira oportunidade de fazê-lo”, contou.

De acordo com documentos que tivemos acesso, a EFTS de Luanda pertence ao Ministérios da Saúde e da Educação, mas a sua administração está sob a responsabilidade de técnicos superiores da Direcção do Património de uma outra instituição.

“A sua criação enquadra-se no projecto de reformas do ensino previsto na lei de base do sistema de educação, bem como responde as necessidades de formação em Saúde”, lê-se num documento do Ministério da Educação.

 

Fonte: O País

Foto: O País

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